sábado, 24 de agosto de 2019

BIOGRAFIA DE SÃO GENÉSIO DE ROMA E SÃO GENÉSIO DE ARLES E OUTROS SANTOS COM O MESMO NOME


Representações de são Genésio de Roma, Mártir 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 24 de agosto de 2019


INTRODUÇÃO

Muitos confundem SÃO GENÉSIO DE ROMA com o jovem BEM-AVENTURADO GENÉSIO DE ARLES. Ambos viveram nos primórdios da Igreja, e derramaram o seu sangue em defesa da sua fé em Jesus Cristo. O primeiro viveu no século III, d.C, e o segundo no século IV, d.C. 

São Genésio de Roma foi martirizado sob o imperador Diocleciano, enquanto o Bem-Aventurado Genésio de Arles sofreu o martírio sob o império de Maximiano. Além desses dois santos temos outros que trazem o mesmo nome. Temos SÃO GENÉSIO DE CLERMONT, que foi bispo. Sua memória é celebrada no dia 03 de junho. SÃO GENÉSIO DE BRESCELLO, bispo de Brescello morto no ano de 399 (Itália), que viveu também no século IV. SÃO GENÉSIO DE THIERS, que também sofreu o martírio. Sua memória é celebrada no dia 28 de outubro. E, SÃO GENÉSIO DE LYON, bispo. Sua memória é celebrada no dia 03 de novembro.

Estes insignes santos, deixaram para o cristianismo, suas importantes contribuições para o crescimento do reino de Deus, uns, através do seu sangue derramado por causa da sua profissão de fé em Cristo e, outros pelos seus grandes trabalhos de evangelização como bons pastores do seu rebanho.

Que eles intercedam no céu por todos nós, que ainda estamos em marcha para a vida eterna com Cristo. Amém.

SÃO GENÉSIO DE ROMA, ATOR E MÁRTIR
(Viveu no século III, d.C e foi martirizado por volta do ano 250) 
Memória, 25 de agosto 


São Genésio de Roma é um santo mártir que viveu durante a grande perseguição aos cristãos no século III. Ele era ator profissional e comediante do imperador Diocleciano e também líder de um grupo de teatro.

Segundo a tradição, quando Genésio estava se apresentando para o imperador Diocleciano, numa persa onde era ridicularizados os mistérios da fé dos cristãos, principalmente a recepção do Sacramento do Batismo, foi ele tocado pela graça de Cristo e, assim, se converteu a fé cristã milagrosamente. Por causa disso, o imperador Diocleciano, achando-o realista demais, a sua encenação, mandou Plautius, que era o prefeito de praetorium, torturá-lo com a intenção de voltar a sacrificar para os deuses pagãos. São Genésio não atendendo os desejos dos seus carrascos e insistindo em defender o cristianismo, este valoroso santo resistiu às torturas, e assim bradou diante daqueles que desejavam que renegasse a sua fé em Cristo: “Não há outro rei senão Cristo”! fazendo com que Platius mandasse decapitá-lo. Seu martírio ocorreu por volta do ano 250.

Este santo foi muito venerado no século IV por isso uma igreja foi construída em sua honra e, posteriormente, restaurada e ampliada pelo papa Gregório III no ano de 741, mas, com tudo isso, alguns ainda duvidam de sua existência.

São Genésio é o santo patrono dos atores e dos músicos. Também ele é invocado contra aqueles que sofrem de epilepsia. Sua memória litúrgica é celebrada no dia 25 de agosto. Nas suas pinturas ou esculturas ele está representado segurando umas máscaras de teatro, violino, ou violão, palma do martírio, instrumentos que são os seus atributos.  

O martirológio romano monástico assim descreve a vida de São Genésio de Roma:

“Em Roma, São Genésio. Nascido no paganismo, era ator profissional. Um dia, quando se apresentava ao imperador Diocleciano, ao parodiar os mistérios cristãos foi subitamente tocado pela graça, e pediu o batismo. Por ordem do imperador foi batizado em seu próprio sangue, enquanto clamava: “Não há outro rei senão Cristo”!” (Martirológio, 1997, p. 278).

Portanto, peçamos sempre a intercessão e a proteção de São Genésio de Roma diante das dificuldades no seguimento de Cristo, nosso verdadeiro Rei e Senhor. 






BEM-AVENTURADO GENÉSIO DE ARLES 
(+303 ou 308), ESCRIVÃO E MÁRTIR
(Viveu no século IV, d.C) 
Memórias, 25 de agosto

O jovem escrivão Bem-Aventurado Genésio de Arles não deve ser confundido com São Genésio de Roma. Pois, este era o chanceler de Arles na França, morto no ano de 303 ou 308, o qual se recusando a transcrever o edito de perseguição contra os cristãos, dado pelo imperador Maximiano, no século IV, foi decapitado por causa da sua fé em Cristo.

Vejamos o que nos diz o martirológio romano monástico sobre a vida do jovem Bem-Aventurado Genésio de Arles:

“Em Arles, o Bem-Aventurado Genésio, jovem escrivão do tribunal, decapitado por ter se recusado a registrar os decretos de condenação de cristãos inocentes. Diversas localidades da França ainda trazem seu nome” (Martirológio, 1997, p. 277). 

Vejamos também na Acta Sanctorum:

“Genésio, natural de Arles, era um soldado conhecido por sua maestria por escrito, para o qual foi nomeado secretário do magistrado romano de Arles. No desenvolvimento das funções de seu cargo, ele foi indicado para ser escrivão do decreto de perseguição dos cristãos. Indignado em seu ideal de justiça, o jovem catecúmeno jogou as tábuas de cera onde tomou suas anotações aos pés do magistrado e fugiu. Ele foi capturado e executado e recebeu o batismo em seu próprio sangue”. (Acta Santorum, Aug., V, 123, y Thierry Ruinart, 559) 

São Genésio de Arles é o santo patrono dos secretários, notários e escrivães. Ele é representado segurando um rolo de pergaminho, livro e palma do martírio. Sua memória litúrgica é celebrada no dia 25 de agosto. 

Bem-Aventurado Genésio de Arles, rogai por nós. Amém.


ORAÇÃO A 
SÃO GENÉSIO DE ROMA, MÁRTIR
(+ Por volta de 250) 
Senhor Jesus Cristo, Rei dos mártires, Vós que destes a São Genésio de Roma a coroa do martírio, pela fidelidade de sua fé e proclamação da Vossa Divindade, não temendo ele a ordem do ímpio imperador, nem a espada do seu carrasco. Por sua profissão de fé, deu este teu servo, novo vigor a vossa Igreja, com o derramamento do seu sangue por Vossa causa. Concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sermos sempre fiéis a sua Igreja, e aos Mistérios da nossa fé. Vós que viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém. 

Composição: 
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
Salvador, Bahia - 24 de agosto de 2019. 


REFERÊNCIAS

- MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.



Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


quarta-feira, 22 de maio de 2019

SANTA MARINA OU MARGARIDA DE ANTIOQUIA (Século IV)

Belíssimo ícone de Santa Marina ou Margarida de Antioquia de origem Capadócia com características bizantinas. 



DADOS BIOGRÁFICOS

NASCEU: em Antioquia da Pisídia, Ásia Menor (Século IV).
PADROEIRA: das parturientes.
MARTÍRIO: no dia 17 de julho.
FESTA LITÚRGICA: dia 17 de julho para os orientais e 20 de julho para o ocidentais.
ATRIBUTOS: portando uma cruz, palma ou espada. Pisando um dragão, saindo de sua boca ou mesmo do seu ventre.



SANTA MARINA OU MARGARIDA DE ANTIOQUIA (Século IV) 

Devido à grande confusão que muitos fazem com o nome desta santa, desejei postar aos meus leitores um pequeno texto sobre esta mártir dos primeiros séculos da Igreja, que testemunhou sua fé em Cristo, no século IV, sob o Império de Diocleciano.

Segundo a tradição, esta Santa foi venerada pelos primeiros cristãos com o nome de Marina, portanto, este é o seu nome mais antigo. Porque ela também é chamada de Margarida de Antioquia. Ressalto que existem outras santas com o mesmo nome. Uma delas é Santa Marina que foi monja. Que viveu no mosteiro em Alexandria; conhecida por Marina de Alexandria ou Marina de Bitínia (715-790) ou mesmo, Marina o “monge”, porque esta ingressou num mosteiro masculino através do seu pai que também ingressou e viveram aí, ela, escondida, sob o hábito de monge, só se descobrindo que era uma mulher depois da sua morte. Temos igualmente outra santa cognominada de, Marina de Galícia ou de Orense. Uma outra mártir local que segundo uma tradição foi irmã de Quitéria. Esta tem sua história muito similar àquela de Antioquia. Daí, dada a grande confusão das santas. Por isso, neste pequeno texto, tentarei explicar-lhes para que possam distingui-las com mais clareza.

Pois bem! Marina ou Margarida de Antioquia, é a mesma pessoa. Às vezes muitos até a confundem com o ícone de Nossa Senhora, onde santa Marina está representada segurando um martelo, sujeitando o diabo pelos chifres e pisando no mesmo. Um belo ícone de origem capadócia e pintura bem bizantina, de uma beleza singular. Para quem olha com mais atenção esta bela pintura, verá que, abaixo, em pequenos quadros estão retratadas partes da vida da santa, seu martírio.

É de fundamental importância ter o conhecimento de arte religiosa, para poder identificar certos santos do cristianismo. Pois, cada santo, traz o seu atributo, ou seja, eles sempre estão portando um objeto que o identifica. Por exemplo: Santa Luzia está quase sempre representada com os olhos num prato ou em suas mãos e também com a palma do martírio, São Francisco de Assis com as Sagradas chagas de Cristo, ou animais, São Pedro com as chaves, São Sebastião com as flechas etc.

Margarida de Antioquia na Espanha é conhecida por Marina de Galícia, que é outra santa com a história bastante parecida com a da do século IV; daí a grande confusão. O culto a santa Marina de Antioquia é bastante antigo. Este vem dos primeiros séculos da Igreja, século IV. Durante a Idade Média este foi muito propagado. Podemos ver na Legenda Áurea (aprox. 1260), do Beato Jacopo dela Voragine, bispo (1228-1298), um texto sobre a vida de Santa Marina. O qual deu impulso a sua devoção. Com a chegada da Contra-Reforma, no século XVI seu culto teve um declínio, por surgirem certas dúvidas quanto a sua existência.

Segundo a Legenda Áurea Santa Marina ou Margarida era filha de um sacerdote pagão chamado Onésimo o qual mais tarde se converteu ao cristianismo. Santa Marina nasceu em Antioquia da Pisídia – Ásia Menor. Não conhecemos a data do seu nascimento. Sua mãe morreu quando ela era ainda criança; a qual foi-lhe dada uma ama que era cristã secretamente, assim, lhes transmitindo a sua fé em Cristo. Certo dia, quando a santa estava no campo, pastoreando as ovelhas, o prefeito daquela região chamado Olibrio, se apaixona por ela e, este lhe faz uma proposta de casamento, recusando a jovem tal proposta. Diante disso, o prefeito lhe manda prender. Em sua prisão, lhe aparece o diabo em forma de um horrendo dragão querendo lhe devorar. Mas, graças a sua fé em Cristo, com a sagrada cruz do Salvador, ela conseguiu escapar ilesa da barriga desse monstro, que a devora, não conseguindo, este, mantê-la em seu ventre.  

Mesmo após esse milagre, a Santa teve muitas outras tentações e tormentos em sua vida. Santa Marina sofreu terríveis tipos de torturas para que renegasse sua fé em Cristo. Uma delas foi ser exposta nua em público para envergonhá-la. Tão cruéis eram seus carrascos que todo povo gritava de comoção diante de tanta crueldade, mas, mantendo-se, ela, sempre fiel à sua fé, Naquele que a salvou.

Os seus algozes não conseguindo os seus intentos perversos, dá-lhe a sentença da decapitação, recebendo, esta serva de Cristo, a coroa do martírio. A história do seu martírio é atribuída a um tal Teótimo que afirmou ser testemunha ocular do seu martírio. Segundo ele, esse episódio teria ocorrido no dia 17 de julho, sob o Imperador Diocleciano. Há quem diga ser uma lenda, principalmente o milagre do dragão.

A sua festa litúrgica é celebrada no dia 17 de julho para os orientais e 20 de julho para o ocidentais. Vemos uma menção ao seu nome no Martirológio de Rábano Mauro, Abade de Fulda, Arcebispo de Mainz (780-856).

Devido ao milagre da vitória sobre o dragão, ela tornou-se a padroeira das parturientes, por estas terem recebidos muitas graças através da sua intercessão. Santa Marina ou Margarida está quase sempre representada com um martelo em sua mão, segurando pelos chifres ou pisando num monstro que é a personificação do diabo e, também com a santa cruz em sua mão. Também podemos ver iconografias dela saindo do ventre ou da boca do dragão; ás vezes portando uma cruz, que é o símbolo da vitória sobre o mal.

Se não analisarmos com cuidado os elementos retratado na pintura de Santa Marina, poderemos muito bem confundi-la com Nossa Senhora, porque ela está quase sempre retratada vestida com uma túnica azul, às vezes, estrelada e, manto vermelho, símbolo do seu martírio. Cores que são bastante colocadas nas pinturas da Virgem Maria.

Ela não era venerada como grande Mártir só pela Europa católica, mas também pelas Igrejas orientais. Os ortodoxos a conhecem por Santa Marina e os católicos por Santa Margarida. Por isso alguns pensam ser duas santas. No Oriente ela aparece sujeitando o diabo pelos chifres, enquanto no Ocidente, ela está pisando num dragão.

Não nos preocupemos se a santa existiu ou não. O que importa é que o nome de Santa Marina, através dos séculos socorreu uma multidão de cristão necessitados da ajuda de Deus. Olhemos para o seu exemplo de virtude e coragem diante de tantos sofrimentos que suportou pela sua fé no verdadeiro Deus, o Cristo.

Peçamos também a sua poderosa intercessão. Santa Marina / Margarida, rogai por nós. Amém. 


OUTRAS BELAS PINTURAS QUE REPRESENTA SANTA MARINA OU MARGARIDA DE ANTIOQUIA








REFERENCIAS  








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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

BIOGRAFIA DE SANTA GERTRUDES DE NIVELLES, O.S.B, ABADESSA (626-659)

A grande Abadessa Santa Gertrudes de Nivelles, padroeira da cidade de Nivelles, dos gatos, dos jardineiros e é invocada por aqueles que tem medo de ratos.



DADOS BIOGRÁFICOS

NASCIMENTO: Ano de 626 em Landen, Bélgica
AVÓS: Carloman, pai de Pippino de Landen e Arnoaldo pai de Ida de Landen.  
PAIS: Pepino de Landen (580-640) e Ida de Nivelles ou de Metz (592-652)
IRMÃOS: Santa Begga de Landen (615-693), Grimoaldo o Velho (616-662), São Bavão (622-659)
SOBRINHA: Clotilda de Heristal
MORTE: No dia 17 de março de 659 (33 anos) em Nivelles, Bélgica
VENERAÇÃO: Igreja Católica
FESTA LITÚRGICA: Dia 17 de Março
ATRIBUTOS: Ratos, báculo, gatos
PADROEIRA: Cidade de Nivelles, gatos, jardineiros, dos que tem medo dos ratos.

(Fonte: Wikipédia).



SANTA GERTRUDES DE NIVELLES, O.S.B, ABADESSA (626-659)
Sua memória é celebrada a 17 de março

 Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 26 de dezembro de 2018


Apresento aos meus caros leitores mais uma Santa entre a multidão de outros tantos Santos que a Igreja canonizou pelos seus grandes feitos em vida aqui na terra e após as suas morte. Feitos estes que, até hoje a humanidade ainda se beneficia e com certeza perdurará pelos séculos. Esta Santa nobre de família e de atos pertence aos primórdios da nossa Sagrada Ordem Beneditina. Ela não é muito conhecida em nosso país; talvez seja pela antiguidade de seu nascimento, pois nasce no século VII d.C, e mesmo tendo uma breve vida, deixou-nos ela um legado grandioso para a Igreja de Cristo.

Esta imponente e venerável figura chama-se Santa Gertrudes de Nivelles, Abadessa, O.S.B, (626-659) que muitas vezes é confundida por muitos com Santa Gertrudes de Helfta ou Magna, O.S.B (1256-1302). E também com outra grande Abadessa da Abadia de Helfta na Alemanha, Gertrudes de Hackeborn, O.S.B (1231/32-1291/92). Estas santas são totalmente distintas uma das outras. Santa Gertrudes de Nivelles viveu no século VII enquanto Santa Gertrudes de Helfta e Gertrudes de Hackeborn, viveram na segunda metade dos séculos XIII e primeira do XIV. As duas últimas foram monjas contemporâneas do mesmo Mosteiro de Helfta. Gertrudes de Hackebon que teve um abaciado de 40 anos era Abadessa de Santa Gertrudes de Helfta. Todas pertenceram a Sagrada Ordem do grande Patriarca São Bento de Núrcia, Abade (480-547).

Santa Gertrudes de Nivelles nasceu na Bélgica, e Santa Gertrudes de Helfta ou Magna, nasceu na Alemanha. Santa Gertrudes de Nivelles, era monja beneditina, fundadora de um Mosteiro e foi a primeira Abadessa de Nivelles, e também foi denominada a Padroeira da cidade de Nivelles, bem como dos jardineiros, dos gatos e também é invocada por aqueles que tem medo de ratos.

O Martirológio Romano-Monástico dá-nos uns traços biográficos da vida de Santa Gertrudes de Nivelles dizendo:

No Brabante belga, Santa Gertrudes de Nivelles. Filha do administrador do palácio de Pepino de Landen, recebeu o véu das virgens consagradas das mãos de Santo Amândio e fundou um Mosteiro nas terras de seu pai, onde morreu em 659, aos trinta e três anos de idade, configurada ao Cristo por seus sofrimentos (MARTIROLÓGIO, 1997, p. 104).

Santa Gertrudes de Nivelles nasceu na Bélgica, na região do Brabant, no ano de 626. Era filha do Duque Pepino de Landen, (580-640) que era chefe do palácio de Dagoberto. Uma jovem profundamente religiosa desde tenra idade, por isso, recusou muitos pretendentes que lhes foram apresentados para os laços matrimoniais. A jovem Gertrudes não tinha interesse no matrimônio. O que ela desejava era consagrar a sua vida ao serviço de Deus como monja. O matrimônio com Cristo. O que veio a acontecer tempos depois quando a sua mãe funda um Mosteiro.

Ao morrer seu pai, sua mãe, Santa Ida ou Ita, de Nivelles ou de Metz (592-652) seguindo o conselho de Santo Amândio de Mastrich, transforma o seu castelo em um Mosteiro, misto, colocando sua filha Gertrudes que ainda era bastante jovem na direção da comunidade como Abadessa. E, neste local, estas duas santas mulheres fizeram da oração e penitência as suas ocupações principais.

Como a primeira a frente da comunidade mista, Santa Gertrudes se interessa em progredir no serviço de Deus. Era grande estudiosa das Sagradas Escrituras. Neste estudo foi auxiliada por São Foillan,(+655). São Foillan e Santo Ultan eram seus amigos os quais também foram ajudados por ela. São Foillan mais tarde recebeu de Gertrudes um terreno chamado Fosses-la-Ville para construir seu Mosteiro.

Esta querida santa é bastante conhecida pela hospitalidade dada aos peregrinos que vinham ao seu encontro e também pelo que fez aos dois grandes missionários irlandeses São Foillan e Santo Ultan, os quais eram seus grandes amigos.

Gertrudes desejando ajudar Santo Ultan na evangelização em 656, ela decide renunciar ao seu cargo de Abadessa e passou o resto de sua vida estudando as Escrituras e fazendo grandes penitências, por si, pelas almas e por toda a Igreja.

Esta santa mística tinha visões. E, em uma dessas, ela viu que iria morrer com a idade de seu doce Senhor Jesus Cristo, com a idade de 33 anos, o que veio a acontecer no ano de 659 em Nivelles. Após longos sofrimentos, ela entrega a Deus o seu espírito, indo apressadamente para os abraços do divino esposo. Nessa ocasião contava apenas com 33 anos de idade. A sua sobrinha, Santa Vulfetrude, sucede-lhe como Abadessa a frente da importante Abadia de Nivelles.

Após a sua morte seu culto espalhou-se por vários países como: Holanda, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Escócia, onde muitas lendas nasceram em relação ao seu nome. Tão conhecida e amada era Santa Gertrudes de Nivelles, que até o século XIX os que a ela tinham devoção ofereciam no seu santuário em Colônia na Alemanha, camundongos de prata e ouro. Para os seus devotos estas oferendas eram uma representação das almas do Purgatório das quais a Santa Abadessa tinha uma grande devoção a estas pobres almas sofredoras que tanto precisam das nossas orações. Quanto a isso, conta-se um fato bastante interessante que ocorreu em sua vida. Certo dia ela teve uma visão na qual ela fez uma jornada de três dias ao Purgatório, vendo lá as almas daqueles que morreram. Com isso, ela recebeu do Senhor uma promessa que todos aqueles que forem seus devotos passarão a primeira noite, após a sua morte, sob os seus cuidados. Sabemos bem que o grande guardião das almas é São Miguel Arcanjo, mas Santa Gertrudes de Nivelles recebeu de Deus também uma parcela neste cargo. Oh! que grande promessa! Que maravilha! Por isso, ela é invocada como padroeira daqueles que morreram recentemente.

Uma outra tradição relacionada ao seu nome diz que no dia da sua festa, 17 de março, é bastante propício o plantio das rosas e outras flores. Por isso, é também proclamada a padroeira dos jardineiros.

Conto-lhes mais um outro milagre realizado pelo seu nome que aconteceu em uma viagem na qual ela enviara alguns dos seus súditos a um distante país prometendo-lhes que nada lhes aconteceriam nesta longa e tão fatigante jornada. Quando estes se encontravam no meio do oceano, aparece-lhes um grande monstro marinho com o intento de afundar a embarcação, mas eles lembrando-se da promessa da Santa, invocam o seu nome e, o monstro, imediatamente desaparece nas águas profundas do mar. Ficando estes muito alegres e agradecidos a Deus e a Santa Gertrudes de Nivelles.

Devotos seus fazendo memória deste milagre, muitos que viajavam, “durante a Idade Média tomavam uma bebida chamada "Sinte Geerts Minne" ou seja, Gertrudenminte" (uma espécie de menta) antes de iniciar uma viagem”.

Na arte Sacra da Igreja Santa Gertrudes é representada com o báculo pastoral no qual estão subindo ratos, ou estes roedores estão aos seus pés ou mesmo em sua veste. Por isso, às pessoas recorrem a ela para tirar o medo destes roedores. Também ela é representada segurando uma ratazana ou um gato. Bem como no meio de jardins com muitas flores ou também com todos estes atributos a sua volta.


BELAS ICONOGRAFIAS DE SANTA GERTRUDES DE NIVELLES

Abadia de Santa Gertrudes de Nivelles, cidade de Nivelles - Bélgica.












ORAÇÃO A SANTA GERTRUDES DE NIVELLES

Ó Santa Gertrudes de Nivelles, interceda sempre no céu a Deus e a Virgem Santa, juntamente com nosso Patriarca São Bento, por todos nós, pelos animais e a natureza a quem tanto amastes vendo nestes o grande amor e o poder do Criador. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Composição:
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
26/12/2018



REFERÊNCIAS

MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.




Ut In Omnibus Glorificetur Dei (RB 57, 9)

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

PEQUENA BIOGRAFIA DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA OU MAGNA, O.S.B (1256-1302)


 Pintura de Santa Gertrudes onde é representado Jesus morando em seu coração

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 16 de novembro de 2018

EEis, amabilíssimo Senhor, que vos ofereço meu pobre coração para que nele vos deleitais, como vos aprouver”.

(Santa Gertrudes Magna, O.S.B)


DADOS BIOGRÁFICOS

NASCIMENTO: 6 de janeiro de 1256, Eisleben, Alemanha

FALECIMENTO: 17 de novembro de 1302, Kloster Helfta, Saxônia, Alemanha, aos 46 anos.

CANONIZAÇÃO: 1677 pelo Pontífice Clemente XII



PEQUENA BIOGRAFIA DE
SANTA GERTRUDES DE HELFTA OU MAGNA, O.S.B
(1256-1302)
Sua memória é celebrada a 16 de novembro

Apresento a vocês mais uma das grandes santas da nossa Ordem Beneditina. Talvez uma das mais conhecidas, por causa das Obras que escreveu; esta é Santa Gertrudes de Helfta, OSB (1256-1302) ou Santa Gertrudes, a Grande. Foi ela uma monja beneditina, Abadessa, mística e teóloga alemã. Dizemos ser Abadessa, porque, esta, é comumente representada na arte com o báculo pastoral, devido a sua grande capacidade de dirigir almas para Deus. Portanto, saibamos que Santa Gertrudes nunca recebeu esse cargo. A Santa passou toda a sua vida na importante Abadia de Helfta, tendo como sua Abadessa, e confidente de sua alma outra grande mulher; Santa Mectildes ou Matilde de Hackeborn (1241/42-1298). Tanto Mectilde de Hackeborn como Santa Gertrudes, teve ambas grandes revelações do Sagrado Coração de Jesus.

Santa Gertrudes de Helfta, ou a Grande, OSB (1256-1302) foi uma monja beneditina, da Ordem Cisterciense, mística, pois teve uma vida muito intensa nesta forma de espiritualidade e também uma grande teóloga porque era uma grande estudiosa das Sagradas Escrituras, praticante, e amante destas letras divinas. Mulher de grande sabedoria infusa. Um dom divino do Espírito Santo. Mas, nem por isso sua vida foi isenta de sofrimentos e dores, pois o amor passa pelo vale de dores, para que, mais e mais, seja purificado esse amor e assim um maior zelo por Deus e tudo o que lhe pertence envolve a alma daquele que o busca.

Santa Gertrudes nasceu no dia 06 de janeiro do ano de 1256, não sabemos o nome de seus pais nem o local exato de seu nascimento. Ao completar cinco anos de idade, (ano 1261), seus pais a confiaram a importante Abadia de Helfta sob os cuidados de uma mulher brilhante, intelectual, de acentuada espiritualidade a grande Abadessa Gertrudes de Hackeborn (1231/32-1291/92) que teve um longo e frutuoso abaciado de 40 anos e era irmã de sangue de Santa Mectilde de Hackeborn. Por isso, são confundidas a Abadessa Gertrudes de Hackeborn com Santa Gertrudes de Helfta ou Magna.

A pequena criança foi confiada aos cuidados de Santa Mectildes para que pudesse ser instruída na espiritualidade e nas outras ciências. Assim, diz-nos nosso querido Papa emérito Bento XVI a respeito da Santa. “Em 1261 chegou ao convento uma criança de cinco anos, chamada Gertrudes: é confiada aos cuidados de Matilde, com apenas vinte anos, que a educa e guia na vida espiritual, a ponto de fazer dela não só a discípula excelente, mas também a sua confidente” (BENTO XVI. Audiência geral - 29 de setembro de 2010).

Santa Gertrudes de Helfta é bastante conhecida por causa das visões do Sagrado Coração de Jesus e por escrever um livro sobre as revelações de Jesus feitas à Santa Matilde de Hackeborn. Esta Obra chama-se: “Das graças especiais”. Obra que rendeu muitas graças para um grande número de almas. Portanto, Santa Matilde de Hackeborn fica no anonimato e Gertrudes de Helfta em evidência.

Santa Gertrudes não só escreveu o livro de Santa Mectildes mas, também escreveu as suas grandes revelações e visões do dulcíssimo Coração de Jesus uma esplêndida obra chamada: “Segredos do Coração de Jesus.

Santa Gertrudes rezava muito pelas pessoas que lhe pediam orações e pelas outra tantas necessidades que apareciam seja no Mosteiro ou no mundo. Certa vez disse Jesus a Santa: “Todas as vezes que uma pessoa se recomenda às orações de outra com a confiança de alcançar assim a graça divina, o Senhor a recompensa conforme seu desejo, mesmo que a pessoa a quem se pediu a assistência se descuide de rezar com devoção”.

Jesus fez a Santa várias promessas referentes àqueles que a ela se dirigissem com fervor e fé, pedindo-lhe o auxílio divino. E o bom Senhor deu-lhe um poder tal de intercessão, que qualquer alma que lhe pedisse algo no nome de Gertrudes, receberiam a graça que lhe fora pedida. Numa ocasião Santa Gertrudes assim fala ao Senhor: “Queríeis sem dúvidas que os outros se enfeitassem com a virtude da humildade para chegar até Vós e, ainda que não tivésseis necessidade de mim para isso, aprouve a vossa infinita bondade servir-se de minha indigência, para que eu pudesse ter parte nos méritos dos que, seguindo meus conselhos, provassem o fruto da salvação [...]. Ainda me concedestes um quarto benefício dando-me a preciosa garantia de que quem se recomendasse às minhas orações com humildade e devoção certamente obteria todo o fruto que se pode esperar de uma intercessão [...], pois me dáveis parte nos méritos dos que Vos pedem essas graças por meio de vossa indigna serva” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, 2011, p. 66).

A obra de Santa Gertrudes está repleta de promessas feitas pelo Senhor a Santa. Aqui mostro mais uma entre tantas outras que o senhor lhes concedeu: “Enfim, por excesso de Vossa liberalidade, ó meu Deus, ainda fizeste esta promessa: quando após minha morte, uma alma recomendar-se a minhas indignas orações, lembrando-se da divina familiaridade com que me honrastes, Vós a atenderíeis com prazer, com tanto que, em reparação de suas próprias negligências, essa alma Vos dê graças com humilde devoção pelos cinco benefícios particulares com que me enriquecestes” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, 2011, p. 68).

Outra grande graça concedida pelo Senhor a Santa, foi a impressão das suas Santas Chagas em seu corpo também a transverberarão, isto é, o seu coração é transpassado de amor por uma lança divina. Assim nos diz como ocorreu este fato: "Eu (Gertrudes), recitava esta prece: 'Pelo vosso Coração transpassado, ó Senhor amantíssimo, dignai-vos transpassar meu coração com os dardos de vosso amor, para que nada de terrestre nele permaneça e que ele seja repleto unicamente da virtude de vossa divindade'. Tendo assim rezado, bem depressa percebi – através de uma graça interior e de um sinal externo que vi surgir sobre o crucifixo – que minha prece havia chegado ao vosso Coração. Com efeito, depois de receber o sacramento da vida, já de volta ao meu lugar, pareceu-me ver partir do lado direito do crucifixo que está impresso sobre meu livro algo como um raio de sol, cuja extremidade tinha forma de uma flecha. Este raio emanava vigorosamente em minha direção. Conteve-se por um instante, depois se lançou novamente e permaneceu fixo, atraindo toda a minha afeição".

Quando contemplamos as imagens de Santa Gertrudes, seja ela escultura ou pintura, um detalhe é de grande importância. Ela está quase sempre com um coração na mão, ou em seu coração podemos ver um lindo menino dentro. Isso nos quer mostrar que Jesus repousa no seu coração devido a uma promessa do próprio Senhor a ela. E, também por que uma grande propagadora do culto ao seu Sagrado Coração. A Abadia de Helfta teve três grandes Santas que tiveram revelações do Sagrado Coração de Jesus. São elas: Santa Mectilde ou Matilde de Hackeborn, Abadessa de Gertrudes, a própria Santa Gertrudes Magna e Santa Matilde ou Mectilde de Magdeburgo (1207-1282). Verdadeiras pérolas do Mosteiro de Helfta.

Peçamos a Santa Gertrudes que sempre interceda por nós no céu onde já goza das bem-aventuranças do Senhor. E também ao Nosso Patriarca São Bento. Amém.

Santa Gertrudes, rogai por nós!


ALGUMAS ORAÇÕES REZADAS POR
SANTA GERTRUDES DE HELFTA, O.S.B

Oração a Santa Gertrudes de Helfta 

Ó Santa Gertrudes, vós que fostes privilegiada com inúmeras graças do Senhor, e te dedicastes com amor na propagação da devoção litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, na meditação e estudos das Sagradas Escrituras. Concedei-nos, vos pedimos com fé ardente, o amor puro e sincero a Jesus e a sua Santa Igreja, para que possamos glorificar e trabalharmos com zelo para o crescimento do reino de Deus na terra. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Composição:

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, 15 de novembro de 2018 


ORAÇÃO
“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, fazei-me aspirar a Vós de todo o meu coração, com desejos ardentes e alma sequiosa de respirar em Vós que sois a doçura e a suavidade por excelência. Concedei-me que todo o meu ser seja ávido de Vós, ó extrema e verdadeira Beatitude! Ó misericordioso Senhor! Gravai em meu coração vossas chagas divinas por meio de vosso precioso sangue, a fim de que nele eu veja ao mesmo tempo vossas dores e vosso amor. Que a lembrança de vossas chagas permaneça sempre no íntimo de meu coração para nele excitar uma ardente compaixão e acender o fogo de vosso amor. Fazei-me sentir o vazio das criaturas e sede a doçura de minha alma” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 20).

ORAÇÃO
“Por vosso coração transpassado, ó Senhor amorosíssimo, transpassai o coração de Gertrudes com os dados de vosso amor, para que ali nada transpareça de terreno e somente resida a força de vossa divindade” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 24).

ORAÇÃO
“Senhor, eu não sou digna da menor de vossas graças, mas, pelos méritos e desejos de todos os que estão aqui, suplico-Vos que transpasseis o meu coração com a flecha de vosso amor” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 24).


REFERÊNCIAS

GERTRUDES, Santa. Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II / Santa Gertrudes; [tradução: Celso da Costa Carvalho Vidigal]. – Artpress – São Paulo, 2011.

______, Santa. Mensagem do amor de Deus. Revelações de Santa Gertrudes, livro III / Santa Gertrudes; [tradução: Celso da Costa Carvalho Vidigal]. – Artpress – São Paulo, 2009.

MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.

MENSAGEM DA MISERICÓRDIA DIVINA: o arauto do amor divino; [tradução do original latino, cotejado com o texto francês e espanhol por Maria Zuleika Bezerra]. – Juiz de Fora: Ed. Subiaco, 2012.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)