segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

QUARTA-FEIRA DE CINZAS, O INÍCIO DO TEMPO DA QUARESMA, Dia de jejum e abstinência.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 12 de fevereiro de 2024.

O santo TEMPO DA QUARESMA começa com a celebração da QUARTA-FEIRA DE CINZAS, onde os fiéis reunidos na Igreja para a celebração da Eucaristia, escutam atentamente a proclamação das leituras uma do Antigo Testamento, da profecia de Joel (Jl 2,12-18), outra do Novo Testamento, precisamente da segunda carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 5,20 – 6,2), culminando com a Palavra de Deus, do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 6,1-6.16-18). Estas três importantes leituras nos fazem entrar nesse tempo de graça para a conversão de vida. Se ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”. Logo após a homilia, faz-se o rito da bênção e imposição das cinzas nas nossas cabeças, nos lembrando que somos pó e que nada levaremos quando retornarmos a Deus; senão as obras do amor que fizemos aqui na terra. Por isso, a Igreja nos propõe para esse Tempo, em especial a ESMOLA, a ORAÇÃO e o JEJUM.

Quando o sacerdote impõe as cinzas sobre as nossas cabeças, este, diz uma das duas fórmulas seguintes, propostas pela Igreja, ambas retiradas da Sagrada Escritura: Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15) ou Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar (Gn 3,19).

Como já foi dito, o santo Tempo da Quaresma está pautado em três pilares que são a esmola, a oração e o jejum; sem estes, as ações que fizermos não terá eficácia diante de Deus. O próprio Jesus nos ensina os modos de praticar estes três atos. As três leituras da liturgia da missa vem nos mostrar a importância destes atos tão caros aos olhos de Deus.

A cor litúrgica usada nesse período é ROXA, para nos lembrar a penitência e a espera confiante do Senhor. Espera alegre da ressurreição.

Portanto, fiquemos atentos a esse período de transformação e de salvação.

Uma Santa Quaresma para todos!


QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Dia de jejum e abstinência.

- Cor Roxa.

- Ofício ferial quaresmal.

- Missa: própria (sem Credo), Prefácio quaresmal IV.


- LEITURAS:

- Jl 2,12-18;

- 2Cor 5,20-6,2;

- Mt 6,1-6.16-18 (A esmola, a oração e o jejum).


Leiamos com atenção o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus:

A esmola em segredo

1Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens para serdes vistos por eles. Do contrário, não recebereis recompensa junto ao vosso Pai que está nos céus.  2Por isso, deres esmola, não te ponhas a trombetear em público, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o propósito de ser glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 3Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz tua direita, 4para que tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.

Orar em segredo

5E quando orardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de fazer oração pondo-se em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua porta, ora a teu Pai que está lá, no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.

Jejuar em segredo 

16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio como fazem os hipócritas, pois eles desfiguram seu rosto para que seu jejum seja percebido pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, unge tua cabeça e lava teu rosto, 18para que os homens não percebam que estás jejuando, mas apenas teu Pai, que está lá no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará. (Mt 6,1-6.16-18). (A esmola, a oração e o jejum).


NOTAS PARA O TEMPO DA QUARESMA

1. Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores; o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.

2. A cor do tempo é a roxa. No domingo Laetare pode-se usar o cor-de-rosa (IGMR n. 308 f).

3. Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.

4. Nas solenidades e festas, somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.

5. Não são permitidas Missas votivas neste Tempo.

6. As Memórias obrigatórias que ocorrem neste Tempo podem ser celebradas como Memórias facultativas, mas da seguinte forma: a) acrescentar a leitura hagiográfica (depois da leitura bíblica com seu responsório) no Ofício de Vigílias com a oração do Santo; b) comemorar o Santo nas Laudes e Vésperas com antífona e oração própria, depois da oração ferial (esta sem conclusão); c) tomar, na Missa, a coleta do Santo em lugar da coleta ferial.

7. Na celebração do matrimônio, dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos a que se abstenham de demasiada pompa.


INÍCIO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove, todos os anos, durante a Quaresma, a CAMPANHA DA FRATERNIDADE, cuja finalidade principal é vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social deste Tempo litúrgico. A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais da Quaresma: a ORAÇÃO, o JEJUM e a ESMOLA.

Neste ano, o tema da Campanha é: FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL e o lema: Vós sois todos irmãos e irmãs (Mt 23, 8).


NOTAS PARA A QUARTA-FEIRA DE CINZAS

a) Na Missa substitui-se o Ato Penitencial pela bênção e imposição das cinzas.

b) Depois do Evangelho e da homilia, benzem-se e impõem-se as cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentas no Domingo de Ramos do ano anterior.

c) A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de entrada, a Coleta e as leituras da Missa com seus cantos; depois da homilia, são bentas as cinzas e impostas, e o rito termina com a oração dos fiéis.

d) Em hora conveniente durante o dia, com a presença de toda a comunidade, celebra-se o Capítulo Quaresmal, podendo-se conceder a absolvição geral conforme o costume (cf. RM 208 e 331).

(Diretório Litúrgico da Congregação Beneditina do Brasil)

 

REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

DIRETÓRIO LITÚRGICO DA CONGREGAÇÃO BENEDITINA DO BRASIL. Org. D. José Palmeiro Mendes, O.S.B / Mosteiro de São Bento, RJ: EDIÇÕES LUMEM CHRISTI – Rio de Janeiro, 2024. 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)

 


segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

BIOGRAFIA DO BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE (1858–1923) Memória litúrgica celebrada em 30 de janeiro.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 29 de janeiro de 2024

 

ESCUTA, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei (RB - Prólogo, 1,3).

O terceiro abade do mosteiro de Maredsous na Bélgica, o BEATO DOM COLUMBA MARMION foi um excelente e famoso diretor espiritual e também exímio pregador de retiros. Foi um grande escritor. Seus livros foram escritos baseados em seus muitos retiros. E considerados escritos clássicos do cristianismo pelo peso de suas Obras. Dom Columba Marmion procurava sempre viver o que pregava para os seus monges e outras comunidades em que passava como pregador, pois foi por essa coerência de vida que ele alcançou, ou seja, a santidade de sua vida, dando exemplo de Paternidade, Caridade, Fé, e Esperança. Pois, sem as últimas três virtudes o cristão não pode seguir perfeitamente a Jesus Cristo o seu Mestre.

Impressionante era a sua resignação diante das dificuldades que se apresentavam em sua vida, assim como se apresenta diante de todo cristão que deseja seguir verdadeiramente o Cristo. Ele dizia sempre diante dos obstáculos apresentados: Eu recebo com um sorriso cada obstáculo que se me apresenta.

Dom abade Columba Marmion nasceu no dia 1º de abril do ano de 1858 em Dublin na Irlanda. Foi ordenado sacerdote em Roma no mês de junho de 1881. E, em 1886 ingressa na abadia de Maredsous na Bélgica, da qual vieram monges para restaurar os mosteiros da Ordem no Brasil, nos séculos XIX e XX. Fez seus votos monásticos simples/trienais no dia 10 de fevereiro de 1888, professando os votos perpétuos solenes em 10 de fevereiro de 1881.

Em setembro do ano de 1899 foi nomeado no cargo de Prior da abadia de Monte Cesar, e em 28 de setembro de 1909, foi eleito pela comunidade monástica para ser o terceiro abade da abadia de Maredsous, recebendo assim a bênção abacial no dia 03 de outubro de 1909.

Em 30 de janeiro de 1923, na abadia de Maredsous, como uma pomba, o que significa o seu nome religioso, na língua latina, voa aos céus em fama de santidade, Dom abade Columba Marmion, para o grande encontro com Aquele que ele tanto amou e pregou em sua vida nesta terra. Portanto, os cristãos reconhecendo as suas virtudes deram abertura a sua causa de beatificação e canonização no dia 07 de fevereiro de 1957 e, sendo reconhecida as suas virtudes com os requisitos para dar-lhe como exemplo, para toda a Igreja de Cristo, ele foi beatificado pelo Papa são João Paulo II na Praça São Pedro em Roma, no dia 03 de setembro de 2000, ano jubilar de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a sua memória litúrgica foi definida pela Igreja, para ser celebrada no dia 30 de janeiro.

Para nós monges beneditinos é uma grande alegria e força na nossa caminhada monástica diária, sabermos que podemos galgar a Escada da Humildade, tão ensinada por nosso Patriarca São Bento, na sua Regra para os mosteiros, precisamente no capítulo sétimo. Aqui cito o início do importante capítulo. Vejamos o que nos ensina São Bento a respeito dessa escada que se eleva até o céu:


Irmãos, a Escritura divina nos clama dizendo: “Todo aquele que se exalta será humilhado e todo aquele que se humilha será exaltado. Indica-nos com isso que toda elevação é um gênero de soberba, da qual o Profeta mostra precaver-se quando diz: “Senhor, o meu coração não se exaltou, nem foram altivos meus olhos; não andei nas grandezas, nem em maravilhas acima de mim. Mas, que seria de mim se não me tivesse feito humilde, se tivesse exaltado minha alma? Como aquele que é desmamado de sua mãe, assim retribuirias à minha alma.” Se, portanto, irmãos, queremos atingir o cume da suma humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a qual se sobe pela humildade da vida presente, deve ser erguida, pela ascensão de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, na qual lhe eram mostrados anjos que subiam e desciam. Essa descida e subida, sem dúvida, outra coisa não significa, para nós, senão que pela exaltação se desce e pela humildade se sobe. Essa escada erecta é a nossa vida no mundo, a qual é elevada ao céu pelo Senhor, se nosso coração se humilha. Quanto aos lados da escada, dizemos que são o nosso corpo e alma, e nesses lados a vocação divina inseriu, para serem galgados, os diversos graus da humildade e da disciplina. (RB 7,1-9).

Dom abade Columba Marmion soube muito bem viver os ensinamentos de Cristo mostrados por São Bento, no mosteiro, e assim, ele galgou a cada dia essa Escada da Humildade dirigida ao céu. Certamente com quedas e acertos, pois, é essa a caminhada de todo cristão para o Reino de Deus. Importante sempre nos lembrarmos da promessa que fazemos na cerimônia de ingresso do nosso noviciado no mosteiro, quando dizemos: Apoiado não nas minhas próprias forças, mas na misericórdia de Deus”. Assim deve ser a vida do monge e de todo cristão que deseja seguir o Cristo com verdade e amor. Dom abade Columba era apaixonado pela sua vida monástica e sempre dizia: Tornei-me monge porque Deus me revelou a beleza e a grandeza da obediência. Foi por essa causa que ele alcançou a santidade, vivendo as Virtudes Teologais; a Fé, a Esperança e a Caridade. E ainda dizia: As maravilhas da adoção divina são assim tão grandes que a linguagem humana não dá conta de exprimi-la. É algo maravilhoso que Deus possa adotar-nos como filhos seus.

Mostrando um pouco mais do beato Dom abade Columba Marmion, escutemos o que nos informa a renomada revista “Pedras Vivas” dos Oblatos da abadia de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro:


Filho espiritual de São Bento, Dom Columba Marmion, terceiro abade de Maredsous (Bélgica), um dos mosteiros que enviou monges para a restauração da nossa Ordem no Brasil, foi beatificado aos 03 de setembro de 2000. Personagem de importância mundial, tanto para a espiritualidade monástica quanto para a espiritualidade cristã em geral, o beato Marmion foi aquele que, entre todos os autores espirituais da escola beneditina moderna, melhor soube difundir para um amplo público a espiritualidade bíblica e litúrgica, que desenvolvida por seus discípulos foi, em grande parte, elogiada e confirmada nos recentes documentos da Igreja. (Dom Justino de Almeida, OSB). (PEDRAS VIVAS. Revista: Oblatos do mosteiro de São Bento do Rio de janeiro – Ano XVII, nº 82 (Set-Out) / nº 83 (Nov-Dez) – 2014).

Que a vida do Beato Dom Columba Marmion passa nos impelir na vivência do Evangelho de Jesus Cristo, pois, esta é a finalidade da vida dos santos, ser exemplo de seguimento e fazer crescer o Reino de Deus no mundo.

Beato Dom Columba Marmion, rogai por nós. Amém.


OS ESCRITOS DO BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE

Graças a Dom Raymond Thibaut, seu secretário, o ensinamento oral de Dom Marmion foi preservado sob a forma de três livros:

- LE CHRIST, VIE DE L'ÂME, (O Cristo, vida da alma). 1917

- LE CHRIST EN SES MYSTÈRES, (O Cristo em seus mistérios). 1919

- LE CHRIST, IDÉAL DU MOINE, (O Cristo, ideal do monge). 1922

Não se esqueçam, são cerca de 1700 cartas, e um retiro dedicado a religiosos enclausurados, a quem pregou em várias ocasiões.

A UNIÃO COM DEUS EM CRISTO, de acordo com as cartas de direção espiritual de Dom Columba Marmion.

ORAÇÃO AO

BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE

Deus, nosso Pai, Vós nos destes a graça de conhecer Vosso Filho em seus mistérios. A vosso Servo Columba destes o dom de falar sobre Vós. Esse dom ele o fez frutificar mediante sua irradiação em todo o mundo. Graças ao seu ensinamento, os batizados se tornam mais conscientes que são vossos filhos e são convidados a ver e a viver cada acontecimento em Cristo. Sabemos agora que nossa fraqueza é assumida na fraqueza de Cristo, aquela que Ele tomou sobre si para dar-nos em troca a força do Espírito. Daí somos encorajados a fazer parte do povo bendito dos pobres e dos sofredores aos quais ofereceis o vosso conforto e a quem abris sem descanso os mistérios do Reino, por Jesus, vosso Filho, que vive convosco e com o Espírito Santo agora e para sempre. Amém. 

Algumas importantes fotografias do Beato 

Dom abade Columba Marmion.








REFERÊNCIAS

ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B; Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.

PEDRAS VIVAS. Revista: Oblatos do mosteiro de São Bento do Rio de janeiro – Ano XVII, nº 82 (Set-Out) / nº 83 (Nov-Dez) – 2014.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57,9)

 


sábado, 16 de dezembro de 2023

O ENCANTO DO PECADO

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 16 de dezembro de 2023.


- O pecado sussurra ao ímpio lá no fundo do seu coração; o temor do Senhor, nosso Deus, não existe perante seus olhos. Lisonjeia a si mesmo pensando: “Ninguém vê nem condena o meu crime!” Traz na boca maldade e engano; já não quer refletir e agir bem. Arquiteta a maldade em seu leito, nos caminhos errados insiste e não quer afastar-se do mal. (Sl 35 (36),2-5). Saltério Monástico.


Cada cultura, cada povo, cada religião, formaram o seu conceito sobre o pecado. Nisto está a sua grande complexidade. As perguntas que fazemos e que constantemente ouvimos são estas: O que é o pecado?” ou O que é pecado venial e pecado grave ou mortal? O que caracteriza um pecado mortal? São perguntas importantes e necessárias para a nossa vida cristã. Não só estas perguntas, mas tantas outras nos aparecem diariamente. Quando converso com as pessoas sobre a questão do pecado, sempre deixo um questionamento para as mesmas sobre a natureza desse conceito tão falado e propagado, porém pouco conhecido. Principalmente nos dias atuais em que a forma e a questão de pecado mudaram drasticamente, deixando as pessoas iludidas e perdidas em seus pensamentos sem um conhecimento claro sobre esse assunto. Portanto, um dos questionamentos que lanço é este: Pecar em certas ocasiões nos deixam alegres; porque esse ato se configura em uma coisa má?  Assim, nos perguntando creio que teremos um certo conhecimento da gravidade do ato que poderemos cometer em nossa vida. Cuidado! Há certas ações perigosas e pecaminosas que nos deixam quase em êxtase, no entanto, elas podem matar o nosso corpo e levar a nossa alma para a perdição eterna. Exemplificando: a vingança, a gula, a luxúria e tantos outros atos que aparentemente traz uma certa alegria quando são praticados, porém, a curto ou longo prazo, trará para o praticante tristezas, amarguras, mortes, etc. Ou seja, os efeitos da alegria do pecado não perduram como os da virtude.


Pois bem, tão sério é esse assunto, que diante de tais questionamentos, ficamos ainda um tanto quase que perdidos nos nossos conceitos em relação a essas transgressões leves, graves ou pesadas, como dizemos no nosso cotidiano.


Vamos agora dar uma olhada em alguns conceitos básicos do Compêndio da Moral Católica, o qual assim define esses atos cometidos pelos homens. Segundo ele, “O pecado é a transgressão voluntária da lei divina. Como toda lei deriva da lei divina, a transgressão de qualquer delas é pecado”. (Compêndio da Moral Católica, 1943, n.96, p. 66).


Escutemos com atenção mais uma vez o que nos ensina o mesmo Compêndio: “Para haver pecado, requer-se: A) a transgressão de uma lei (ou ao menos do que se supõe tal); B) o conhecimento ao menos vago, da transgressão; C) o livre consentimento”. (CMC, n.96, p. 66). É bastante importante conhecer esses conceitos porque se você conhece o básico do que seja um ato de pecado, certamente você não cometerá tantos atos prejudiciais à sua vida e a dos outros.


O Catecismo da Igreja Católica também nos define o que é pecado quando nos diz: “O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como "uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna". (n. 1849).


E segue nos ensinando que: “O pecado é ofensa a Deus: "Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos" (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se "como deuses", conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, "amor de si mesmo até o desprezo de Deus". Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário à obediência de Jesus, que realiza a salvação”. (n. 1850).


Segundo a Teologia, certos pensamentos do homem configura-se como pecado e causam um enorme impacto na nossa alma e na história da humanidade. Isso acontecem por que o homem ao praticar tais pecados, mexem também com toda uma engrenagem psicológica e social, não só da própria pessoa, mas também de todos que estão à sua volta. Daí o grande cuidado que devemos ter em relação aos nossos atos. O Compêndio ainda nos alerta: “Os atos humanos (actus humani) são os atos que procedem do conhecimento e da livre vontade do homem”. (CMC, 1943, n.3, p. 18).


São Paulo na sua carta aos Coríntios vai nos ensinar: “Eu não corro, não quem corre às cegas; eu luto, não como quem fere o ar, mas castigo o meu corpo e o reduzo à servidão”. (1Cor 9,26-27a). Ou seja, devemos ter o conhecimento dos nossos atos e ficarmos atentos a eles. Porém, isso requer sacrifícios e a maioria não querem ou não tem forças para sacrificar muitas das suas vontades e fogem das suas responsabilidades cristãs, caindo assim em muitas transgressões.


Se somos ou queremos ser bons cristãos, um meio bastante eficaz de fugir dos pecados é olharmos para a vida de Jesus Cristo, primeiramente, da Virgem Maria, Mãe Imaculada e da legião dos santos que seguiram a Cristo e conseguiram a coroa eterna de glória.


A beleza da vida do cristão é a vida de Jesus, se assim não for, e não vermos beleza nesse seguimento, seremos qualquer outra coisa, menos cristãos verdadeiros. Que nós a vivamos com fé essa vida exemplar do Senhor, pois tudo irradia dessa vida perfeita. Só Ele é verdade, caminho e luz. Portanto, devemos ter cuidado com a rotina da nossa vida para não perdermos o encanto e o gosto pelas ações diárias. Procuremos viver bem o tempo presente, dádiva de Deus. A Palavra não está longe de nós. (cf. Dt 30,11-20).


Se faz necessário diariamente, redescobrir Jesus: Como? Lendo as Escrituras com o coração e sempre procurar um tempo para a oração. Quando fizermos isso, viveremos uma vida evangélica e deixaremos as atitudes más, os pecados. Ruminemos bem a Palavra de Deus. Reconhecer Jesus é sairmos do centro e nele colocar o Cristo.


A oração é outro meio de fugir ao pecado. Assim Jesus nos alerta nas Escrituras: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação, pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41). O próprio Senhor estava ciente das nossas fraquezas humanas. Se caíres, levante-se e reze.


Entraremos no mundo da Oração, pois é ela quem vai sempre nos guiar na caminhada para o céu. O cristão que não tem uma vida de oração não cumpre o preceito de Cristo. Jesus mesmo nos pede para rezar e nos dá exemplo disso. Tantas vezes os Evangelistas nos mostra Jesus em oração.


“Pai, chegou a hora: glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique, e que, pelo poder que lhe deste sobre toda carne, ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste! Ora, a vida eterna é esta: que eles te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e aquele que enviaste, Jesus Cristo. Eu te glorifiquei na terra, conclui a obra que me encarregaste de realizar. E agora, glorifica-me, Pai, junto de ti com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse. Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste”. (Jo 17,1-6).


Confiram inteiramente a belíssima oração sacerdotal de Jesus, onde ele demonstra todo o seu amor por aqueles que lhe seguem. A oração deve sempre está presente em todos os nossos empreendimentos, porque ela nos prepara para enfrentar as dificuldades e evitar os pecados e os seus encantos. Sabemos que sempre Jesus rezava antes de fazer um milagre ou quando ia enfrentar seus opositores. Após essa oração sacerdotal de Jesus ele se dirigiu para o Jardim das Oliveiras com seus discípulos, para sofrer a sua Paixão. (cf. Jo 18,1-40; Jo 19,1-42).


O Catecismo da Igreja assim nos ensina: “Na tradição viva da oração, cada Igreja propõe aos seus fiéis, segundo o contexto histórico, social e cultural, a linguagem da sua oração: palavras, melodias, gestos e iconografia. Compete ao Magistério ajuizar sobre a fidelidade destes caminhos de oração à Tradição da fé apostólica. E aos pastores e catequistas incumbe a tarefa de explicar o seu sentido, sempre com referência a Jesus Cristo. (CIC 2663).


Rezemos também uns pelos outros como nos ensina São Timóteo na sua primeira carta o qual nos recomenda como devemos fazer a oração. “Recomendo, pois, antes de tudo, que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens ...” (cf.1Tm 2,1-8).


O nosso Patriarca São Bento de Núrsia (480-547), nos ensina: Levantemo-nos então finalmente, pois a Escritura nos desperta dizendo: “Já é hora de nos levantarmos do sono”. E, como os olhos abertos para a luz deífica, ouçamos, ouvidos atentos, o que nos adverte a voz divina que clama todos os dias: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não permitais que se endureçam vossos corações”, e de novo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. E que diz? – vinde meus filhos, ouvi-me, eu vos ensinarei o temor do Senhor. Correi enquanto tiverdes a luz da vida, para que as trevas da morte não vos envolvam”. (RB Prólogo, 8-13).


Portanto, tenhamos cuidado com os encantos do pecado. Por isso, São Bento nos diz no capítulo quarto da Regra: “Não abraçar as delícias”. (RB 4,12). O pecado possui um poder inebriante deixando as pessoas presas em seus laços. Porém, saibamos que os seus efeitos prazerosos não perduram por muito tempo como os efeitos das virtudes e do bem.


São Bento nos mostra com veemência nessa passagem e em tantas outras da Regra para os mosteiros o perigo dos pecados e as suas consequências em nossa vida. Aqui ele nos ensina: “Assim, é-nos proibido fazer a própria vontade, visto que nos diz a Escritura: “Afasta-te das tuas próprias vontades.” [...] “Há cominhos considerados retos pelos homens cujo fim mergulha até no fundo o inferno” ... (RB 7,19-30). Pois é! Há pecados muito prazerosos que inebria os homens em forma de bem. CUIDADO!!


Permaneçamos em Jesus e caminhemos sempre ao seu lado, e jamais erraremos o caminho certo para Deus, pois ele nos diz: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”. (Jo 15,4-17). Quem permanece dá fruto de vida eterna”. (Jo 15,16). Isso é fugir do pecado e não cairmos nos seus encantos que levam a morte. Coloquemos sempre Jesus no centro de nossa vida.

TEXTOS BÍBLICOS:


Sobre o pecado:


- Gn 3,6-20 – O encanto do pecado e a punição de Deus ao homem.

- Sl 36,2-5 – O sussurro do pecado.

- 1Jo 1,7-9 – Andar na luz.

- 1Jo 3,4-6 – Transgressão. Quem conhece a Deus não peca.

- Rm 5,12-15 – Adão e Jesus. O pecado entrou no mundo por Adão e a remissão por Jesus Cristo.

- Rm 6,12-14 – Ir contra o pecado não se sujeitando as suas paixões.

- Cl 3,5-17 – Preceitos gerais da vida cristã. Ir contra o pecado.

- Gl 5,19-26 – As obras da carne e os frutos do Espírito.

- 2Cor 5,21 – Cristo homem. Deus o fez pecado por nossa causa.

- Tg 1,13-15 – Sobre a tentação – Deus não tenta a ninguém. Cada qual é provado pela sua própria concupiscência que o arrasta e seduz.


REFERÊNCIAS


BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.


CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. / Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.


ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B; Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.


JONE-FOX, Heriberto. Roberto. Compêndio da Moral Católica. Pe. Heriberto Jone O.M Cap. / [traduzido da 10ª edição original e adaptado ao Código Civil Brasileiro bem como às prescrições do Concílio Plenário pelo Pe. Roberto Fox SJ]. – Porto Alegre: Edições A Nação, 1943.


RELATOS DE UM PEREGRINO RUSSO. Coleção: “A oração dos pobres” Edição Paulinas – São Paulo, 1985.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


sexta-feira, 7 de julho de 2023

DIA 07 DE JULHO, INÍCIO DO TRÍDUO EM HONRA DE NOSSO PAI SÃO BENTO, (480-547).

 

Segundo o Ritual Monástico – n. 265, no dia 07 de julho, damos início ao Tríduo em honra do nosso Santo Patriarca São Bento de Núrsia, abade.

Nem todos os mosteiros beneditinos fazem a celebração do tríduo a São Bento, pois, os monges fazem em particular, preparando-se assim, para a sua solenidade, a qual é celebrada no dia 11 de julho.

Não só os monges beneditinos celebram São Bento, mas várias outras congregações, localidades, paróquias, capelas, bem como várias instituições a ele dedicadas, que trazem a sua espiritualidade.

São Bento é muito amado e cultuado pelo mundo inteiro. No dia de sua solenidade vemos sempre as igrejas repleta de féis, os quais vem agradecer a Deus as bênçãos recebidas pela intercessão do grande Patriarca.

Portanto, também agradecendo a Deus pelos muitos benefícios recebidos ao longo de minha caminhada, pelos rogos de Nosso Pai São Bento, e também por pertencer a sua Santa Ordem, como monge, compus esse breve e simples roteiro de orações, para assim fortalecer a cada dia, minha fé em Deus, e poder venerar aquele que me ensina e protege, e também aos meus confrades espalhados pelo mundo. Pois, São Bento nos mostra e nos faz amar os caminhos do Senhor nos claustros do mosteiro.


Mosteiro de São Bento da Bahia

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, Bahia – 07 de julho de 2023. 

Ut in omnibus glorificetur Deus (RB 57,9)

Para que em tudo seja Deus glorificado.

 

DEVOÇÃO PARTICULAR AO NOSSO PATRIARCA SÃO BENTO.

PARA PEDIR A INTERCESSÃO E PROTEÇÃO

DE NOSSO PAI SÃO BENTO.

Rezar nas terças-feiras que é consagrada à devoção do

Nosso Patriarca São Bento.

 

+ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

- CREDO

- PAI-NOSSO

SAUDAÇÃO A NOSSA SENHORA

1- SALVE, MARIA, FILHA DE DEUS PAI.

- Ave, Maria, Cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

- Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.

(Fazer uma prece ou pedir uma graça)

2- SALVE, MARIA, MÃE DE DEUS FILHO.

Ave, Maria, Cheia de graça, …

(Fazer uma prece ou pedir uma graça)

3- SALVE, MARIA, ESPOSA DO ESPÍRITO SANTO.

Ave, Maria, Cheia de graça, …

(Fazer uma prece ou pedir uma graça)

V/. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.

R/. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

SÚPLICA A VIRGEM MARIA

PELA INTERCESSÃO DE NOSSO PAI SÃO BENTO

Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, perante os rogos do grande Patriarca São Bento, em nosso favor; concedei-nos a vossa proteção e atendei os pedidos que agora vos dirigimos. Por Cristo nosso Senhor.

JACULATÓRIA 

Nosso Pai São Bento, socorrei-nos! (10 vezes). 

Interceda por nós ó nosso Pai São Bento,

para que sejamos livres de tudo que nos afasta de Cristo.

ORAÇÃO

Ó Nosso Pai São Bento, pelas suas virtudes e por sua intercessão junto a Deus e a Virgem Maria, sejamos sempre livres das ciladas dos inimigos da nossa salvação. Por Cristo nosso Senhor.

R/. Rogai por nós ó nosso Pai São Bento, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

V/. Bendigamos ao Senhor.

R/. Demos graças a Deus.


Composição:

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Para uso particular

 

 

PROMESSAS DIVINAS FEITAS AO PATRIARCA SÃO BENTO

 

1- Que a sua Ordem subsistirá até ao fim do mundo.

 

2- Que será fidelíssima a Igreja Romana e confirmará muitas almas na fé nos últimos tempos.

 

3- Que ninguém nela morrerá sem estar na graça de Deus; e se um monge começar a viver mal e não se corrigir, será confundido ou expulso dela, ou por si mesmo deixará.

 

4- Que aquele que tiver perseguido a sua Ordem, não se arrependendo, terá a sua vida abreviada, ou acabará por morte desgraçada.

 

5- Que todos aqueles que amarem sua Ordem terão um bom fim.

 

(Extraído do livro “Lignum vitae”)

Com aprovação Eclesiástica

 

ORAÇÃO À SÃO BENTO

 

Ó Glorioso Patriarca dos monges, São Bento, amado do Senhor, poderoso em milagres, pai bondoso para com todos os que te invocam. Nós te pedimos que intercedas por nós diante do trono do Senhor. Estende tua proteção sobre nós em todo tempo. Livra-nos de todos os males do corpo e da alma. Defende-nos, e a todos os que nos são caros, do poder dos inimigos infernais. Roga por nós a fim de que vivendo segundo a lei do Senhor, mereçamos ser achados dignos de recebermos a eterna recompensa. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.