quinta-feira, 4 de julho de 2024

BIOGRAFIA DO SERVO DE DEUS FREI BERNARDO VAZ LOBO TEIXEIRA DE VASCONCELOS, O.S.B, (1902-1932).

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 03 de julho de 2024

DADOS BIOGRÁFICOS

- NASCIMENTO: No dia 07 de julho do ano de 1902 em São Romão do Corgo, no município de Celorico de Bastos, arquidiocese de Braga – Portugal.

- NOME COMPLETO: Bernardo Vaz Lobo Teixeira de Vasconcelos.

- PAIS: Dr. Manuel Joaquim da Cunha Maia Teixeira de Vasconcelos e Dona Filomena da Conceição Vaz Lobos.

- VIDA RELIGIOSA: Em 24 setembro de 1924, tomada de hábito e entrada no Noviciado, no mosteiro de Samos, Galiza – Espanha, com o nome onomástico de Frei Bernardo da Anunciada.

- PROFISSÃO SIMPLES (Trienal): No dia 29 Setembro de 1925, fez a sua Profissão simples como monge do Mosteiro de Singeverga - Portugal.

- ORDENS MENORES: No dia 05-06 de fevereiro de 1928, recebe as Ordens Menores, Na cidade do Porto - Portugal.

- PROFISSÃO PERPÉTUA: No dia 29 setembro de 1928, fez a sua Profissão Solene, na festa de São Miguel Arcanjo, na igreja de São José, na Póvoa.

- FALECEU: Santamente na Foz do Douro no dia 04 de julho de 1932. (Aos 29 anos de idade). Em três dias ele completaria seus trinta anos de idade.

- SEPULTURA: Foi sepultado no cemitério de Molares (Celorico de Basto) em 1932. Em 1933 a 04 julho, foi feita a trasladação dos seus restos mortais para o sepulcro em que jazem, na igreja paroquial de São Romão do Corgo (Celorico de Basto), sua terra natal.

- CAUSA DE BEATIFICAÇÃO: Foi promovida após 50 anos da sua morte. Assim foi constituído o tribunal ad hoc, por Dom Eurico Dias Nogueira a 04 de julho de 1983, sendo concluídos os trabalhos a 09 de outubro de 1987.

- VIRTUDES HEROICAS: Reconhecidas pelo Sumo Pontífice São João Paulo II com a Constituição Apostólica, “Divinus perfectionis magister” de 25 de janeiro de 1983. O Sumo Pontífice o Papa Francisco em 14 de junho de 2016, aprovou e assinou o decreto oficial declarando-o Venerável.


 BERNARDO O CANTOR DO AMOR DE DEUS

 

“Entre estes, em todos os tempos, Deus escolhe muitos para que, seguindo mais de perto o exemplo de Cristo, dêem testemunho glorioso do Reino dos céus com o derramamento de sangue ou com o exercício heroico das virtudes”. (Constituição apostólica, Divinus perfectionis Magister - 1983).

Este jovem viveu e morreu cantando o amor de Deus; comunicando a todos sua sede de ideal. Podemos ver nos seus escritos o seu grande desejo de santidade e pureza de vida. Assim foi a vida do jovem monge da Sagrada Ordem do Patriarca São Bento de Núrcia, (480-547), abade. Este monge em poucos anos de vida monástica, soube viver as virtudes teologais, a , a Esperança e a Caridade e, por esse motivo, foi colocado entre aqueles que estão a caminho dos altares. Um jovem bastante esclarecido na luz de Deus, e com certeza, podemos até dizer, que era um místico pelo valor espiritual de suas obras literárias, pois, soube viver com alegria, resignação em seus sofrimentos e humildade tudo o que escreveu. Portanto, ele galgou, com uma fé impressionante e com coragem, aquela escada que o nosso grande Patriarca dos monges, São Bento, nos mostra na Regra para os Mosteiros quando nos ensina:


“Se, portanto, irmãos, queremos atingir o cume da suma humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a qual se sobe pela humildade da vida presente, deve ser erguida, pela ascensão de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, (Gn 28,12) na qual lhe eram mostrados anjos que subiam e desciam. Essa descida e subida, sem dúvida, outra coisa não significa, para nós, senão que pela exaltação se desce e pela humildade se sobe. Essa escada erecta é a nossa vida no mundo, a qual é elevada ao céu pelo Senhor, se nosso coração se humilha. Quanto aos lados da escada, dizemos que são o nosso corpo e alma, e nesses lados a vocação divina inseriu, para serem galgados, os diversos graus da humildade e da disciplina”. (RB 7,5-9).

Este ensinamento de São Bento foi vivido pelo jovem BERNARDO VAZ LOBO TEIXEIRA DE VASCONCELOS que nasceu no dia 07 de julho do ano de 1902 em São Romão do Corgo, no município de Celorico de Bastos na arquidiocese de Braga - Portugal.

Filho do Dr. Manuel Joaquim da Cunha Maia Teixeira de Vasconcelos, e Dona Filomena da Conceição Vaz Lobos. Os quais no mês seguinte ao seu filho Bernardo para receber o Sacramento do Batismo, na igreja paroquial da sua terra natal precisamente no dia 05 de agosto do ano de 1902. E a sua infância corre normalmente como a de qualquer outra criança, fazendo sua escola Primária, a qual termina em julho de 1912.

Em 15 de outubro do mesmo ano, é matriculado no curso liceal, como aluno interno do Colégio de Lamego, dirigido pelo Pe. Alfredo Pinto Teixeira, e em 1914 no mês maio, recebe o Santo Sacramento do Crisma / Confirmação das mãos de Dom Francisco José de Brito, bispo de Lamego.

No mês de março de 1917, ele é acometido duma “peritonite bacilar”. E em 1918 no mês de outubro, matricula-se no 7° ano de Ciências no Colégio de São Pedro, em Coimbra.

Bernardo tinha o desejo de seguir a Marinha, portanto, faz a sua matrícula na Universidade de Coimbra em outubro de 1919. No ano seguinte, no dia 14 de março ele se afila ao CADC. (Centro Académico de Democracia Cristã), com o n° 398. E no mês de outubro do mesmo ano matricula-se, na cidade do Porto, no Curso Comercial e emprega-se num Banco.

O jovem Bernardo era Poeta, por isso, muito colaborou com poesias nas Flores Espirituais do Pe. José Lourenço. O.P. E no ano de 1922 ele volta a Lamego, onde completa o 7°ano de Letras.

Ele faz a sua matrícula na Faculdade de Direito, em Coimbra no dia 31 de outubro de 1922. E em 21 janeiro de 1923, inscreve-se na Conferência de São Vicente de Paulo, sendo assim, nomeado Vice-Presidente.

Bernardo sente o desejo de ingressar na Congregação dos Filhos de Maria em Coimbra. Assim nos deixa registrado no seu diário espiritual: Amanhã porei aos pés da Santíssima Virgem a intenção que Ela me inspirou de entrar na Congregação dos Filhos de Maria em Coimbra.

Certa vez Frei Bernardo foi fazer um retiro quase que a contragosto por obediência do seu diretor espiritual, e teve uma surpresa ao receber luzes nesse retiro, pois na segunda conferência do Pe. Raul Sarreira sobre a Graça, Bernardo fica profundamente comovido e registra esse acontecimento ocorrido em sua alma.


“Depois desta última conferência e por efeito dela, chorei amargamente. Bendito sejais, meu Deus, que Vos dignastes insuflar em mim a dor dos meus pecados. Bendito sejais meu Deus! Não foi em vão que eu Vos pedi de todo o meu coração, de toda a minha alma: - Vinde a mim, Senhor, vinde a mim. Eu nem sei como me sinto! É tão bom viver em Vós! Eu não sentia ânimo para vir a este retiro! ... Porquê? Quis dar a mim mesmo mil explicações ... Ah! mas eram respeitos humanos, era a falta de oração bem feita, era em última análise a falta de Fé. Vacilei... debati-me entre tudo o que me afastava do retiro e a Graça de Deus que me chamava aqui ... E vim ... Pouco compenetrado ainda do meu fim aqui. Mas aquelas palavras do meu diretor espiritual foram uma manifestação, uma expressão, tão simples - afinal - da Vontade de Deus. “Vá, vá... arrepender-se-á se não for” - me disse ele ... e vim. Bendito sejais, meu Deus!” (BERNARDO. Vida de Amor – 2002, p. 58).

A sua vida muda de curso quando conhece a vida dos monges beneditinos. Ao ter um contato com a vida monástica, Bernardo se encanta e se identifica com esse estilo de vida. Assim, no dia 23 dezembro de 1923, ele teve os primeiros contatos com os monges beneditinos sobre a sua vocação (carta a Dom António Coelho, OSB (*24.05.1892 +20.12.1937) o seu diretor espiritual). E, para conhecer mais de perto a vida dos monges, vai ao mosteiro e aí se hospeda do dia 14 a 22 março de 1924, passando uma semana na Abadia de Samos (Galiza – Espanha), junto da comunidade beneditina.

Foi pela primeira vez também ao mosteiro de Singeverga, Portugal, em junho de 1924. E no dia 24 setembro de 1924, faz a sua tomada de hábito e entrada no Noviciado, no mosteiro de Samos, Galiza – Espanha, com o nome onomástico de Frei Bernardo da Anunciada. Sendo muito devoto da Santíssima Virgem Maria, ele faz no dia 11 outubro de 1924 a consagração da sua cela monástica a Nossa Senhora. Sendo, ele, amante da pureza, dos bons costumes, e da obediência, no dia 08 dezembro do mesmo ano, faz um voto de viver sempre em santamente sendo obediente ao seu pai espiritual. Ele tem o conhecimento que a obediência é o caminho certo para a santidade e para o bem de todos que estão à sua volta. Caminho percorrido por todos os santos. Apesar das grandes dificuldades próprias que implicam nesse seguimento.

Terminado o período do seu noviciado canônico ele é aprovado pela comunidade monástica para professar os votos simples trienais, como monge do Mosteiro de Singeverga em 29 de setembro de 1925. No entanto, no ano seguinte quando estava na Bélgica, estudando teologia para a ordenação sacerdotal, a que tanto ansiava, foi diagnosticado no dia 20 de setembro com a doença mal de Pott e no dia 24 do mesmo mês partiu para o mosteiro de Mont-César, (Lovaina) para os estudos teológicos. Em 03 novembro de 1926, regressou a Portugal. E, aí começa o longo calvário de 6 anos, com alguns períodos no seio da comunidade, então instalada na Falperra, junto a Braga, e a maior parte do tempo por hospitais, na cidade do Porto ou na Póvoa de Varzim. Assim foi o longo calvário do Frei Bernardo.

Em 05-06 de fevereiro de 1928 Frei Bernardo recebe as Ordens Menores na cidade do Porto. Tinha um grande desejo de ser sacerdote para servir mais a Igreja, porém, devido a doença, isso não foi possível. Portanto, concluídos os três anos de sua profissão simples ele é admitido pela comunidade monástica para professar os Votos Solenes Perpétuos, celebração ocorrida no dia 29 de setembro de 1928 na festa do Arcanjo São Miguel, na igreja de São José, na Póvoa.

No dia 03 Julho de 1932, sai impresso o seu livro de poesias – Cântico de Amor. Uma obra magnífica e de grande valor espiritual. Nela, está contida a sua personalidade de místico, de poeta e o seu grande amor a Deus a Igreja e o seu desejo de santidade.

Frei Bernardo no seu calvário de dor se imolava como vítima por si e para o bem próximo deixando a todos que o visitavam encantados com sua bondade resignação perfeita. Em um depoimento diziam: A todos deixava envoltos num perfume bendito de bondade que era verdadeiramente a característica maior do seu caráter. 

Faltando três dias para completar seus trinta anos de idade, morre santamente o jovem monge Frei Bernardo de Vasconcelos na madrugada de 04 julho de 1932, na Foz do Douro, o monge que viveu, amou e cantou o amor de Deus; sendo ele sepultado no cemitério de Molares (Celorico de Basto). Suas últimas palavras no seu leito de morte foram: Não chorem. Eu vou para o céu. Jesus! Jesus! Eu sou todo de Jesus.

A trasladação dos seus restos mortais para o sepulcro em que jazem, na igreja paroquial de São Romão do Corgo (Celorico de Basto), sua terra natal, ocorreu no dia 04 de julho de 1933.

A sua causa de beatificação foi promovida após 50 anos da sua morte. Assim foi constituído o tribunal ad hoc, por Dom Eurico Dias Nogueira a 04 de julho de 1983, sendo concluídos os trabalhos a 09 de outubro de 1987.

As suas virtudes heroicas foram reconhecidas pelo Sumo Pontífice Papa São João Paulo II com a Constituição Apostólica, “Divinus perfectionis magister” de 25 de janeiro de 1983. O Sumo Pontífice o Papa Francisco, em 14 de junho de 2016, aprovou e assinou o decreto oficial declarando-o Venerável.

Frei Bernardo de Vasconcelos, rogai por nós.


NOVENA

Para obter graças de Deus, espirituais e temporais, por intercessão de Frei Bernardo de Vasconcelos, OSB.

Assista se puder, durante nove dias ao Santo Sanifico da Missa e participe dele pela Santa Comunhão.

Reze cada dia da Novena três vezes o Pai-Nosso, a Ave-maria e Glória em honra das Três Pessoas da Santíssima Trindade com a oração.


ORAÇÃO

Ó Deus, que manifestais a Vossa onipotência, principalmente perdoando as nossas iniquidades e compadecendo-Vos das nossas misérias, escutai propício as nossas humildes súplicas.

Invocamos com fé e confiança o Vosso Servo Bernardo de Vasconcelos, a quem escolhestes para ser na terra uma Hóstia em sangue imolada ao Vosso Amor, e a quem, depois da morte, ilustrastes com tantas graças. E pedimo-Vos, por sua intercessão, que nos atendais na presente necessidade (fazer a prece).

Concedei-nos, Senhor, esta graça que instantemente imploramos para Vossa maior honra e para glorificação do Vosso Servo, a quem desejamos venerar, imitar e invocar como modelo e protetor da juventude portuguesa. Amém.

+ Antônio

Arch. Primaz


ALGUMAS FOTOS E FRASES DO 

SERVO DE DEUS FREI BERNARDO, OSB














REFERÊNCIAS

ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B; Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.

FERREIRA, P. Jorge, OSB. Bernardo Vasconcelos – O Monge Poeta. Ano centenário do Nascimento, 7 de julho – 1902-2002. / Autor: P. Jorge Ferreira, OSB – Mosteiro de Singeverga, Portugal / Edições: ORA ET LABORA, 2002.

VASCONCELOS, Frei Bernardo de. Vida de amor: autobiografia de Bernardo de Vasconcelos / Frei Bernardo de Vasconcelos, O.S.B. / 7ª edição – Mosteiro de Singeverga, Portugal: ORA & LABORA, 2002. 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)

 


segunda-feira, 17 de junho de 2024

ALZIRA FREITAS (Salvador, Bahia – +22 de dezembro de 1933).

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 17 de junho de 2014

Nós temos poucas informações a respeito da vida de ALZIRA FREITAS, porém o que sabemos, nos foi passado pelo senhor Carlos Augusto, que trabalhou durante décadas como sacristão do Mosteiro de São Bento da Bahia, tendo ele bastante contato com o monge Dom Wilibaldo Hofmann, OSB, que era amigo de Alzira Freitas, pois ela trabalhava como voluntária na igreja de Nossa Senhora do Monserrate, na ponta do Humaitá, Salvador – Bahia, igreja que pertence ao Mosteiro da Bahia.

Alzira Freitas era uma mulher de oração, de alma piedosa, e temente a Deus. Amava o serviço do Senhor, dedicando-se com alegria no trabalho da igreja de nossa Senhora. Não sabemos a data de seu nascimento, apenas a da sua morte ocorrida no dia 22 de dezembro do ano de 1933.

Foi bastante interessante ficarmos sabendo de duas pessoas, que com muita fé, alcançaram curas de doenças, por rezarem no seu túmulo, o qual, se encontra na Basílica de São Sebastião, Mosteiro de São Bento da Bahia.  Essas pessoas, com sua fé em Deus, pediram, através de Alzira Freitas, a graça da cura para si, e para outros, e, assim alcançaram o que desejavam.

Segundo o senhor Carlos Augusto, Alzira Freitas, morava próximo ao Largo de Roma, na cidade baixa em Salvador - Bahia. E sentiu-se chamada a vida religiosa, pedindo para ingressar no convento, porém, não foi aceita, porque possuía problemas auditivos. Naquela época, antes do Concílio Vaticano II, os ingressos nas ordens religiosas eram bastante rigorosos, portanto, fazia-se um exame rigoroso no candidato à vida religiosa, e por causa disso, muitos candidatos não conseguiam ingressar.

Assim sendo, ela começou a frequentar a igreja de Nossa Senhora do Monserrate, na Ponta do Humaitá, Salvador – Bahia, e teve a resolução de vestir-se toda de roupa preta, e também de usar um véu na sua cabeça. Por esse motivo, as crianças caçoavam dela, porém, não se importava com isso, seguia o seu desejo com muita seriedade, serenidade e discrição.

Ela caminhava diariamente de sua casa, até a igreja de Monserrate, e só retornava ao final do dia. Essa era a sua rotina de trabalhos. Vivia sempre ocupada nos serviços do Senhor, com uma admirável dedicação e amor.

Na igreja de Nossa Senhora do Monserrate, era dirigida espiritualmente por Dom Wilibaldo Hofmann, OSB, monge do Mosteiro de São Bento da Bahia. Pois, a igreja de Nossa Senhora, a séculos, pertence ao mosteiro de São Bento.

Alzira Freitas, vivia no recolhimento e na oração, e com seu costumeiro amor para com as coisas de Deus, realizava trabalhos manuais e artesanais, principalmente as alfaias da igreja (toalhas do altar, véus do sacrário, sanguíneos e outros) colocando, assim, em prática, o lema da Ordem do Patriarca São Bento: "Ora et labora". (A Oração e o Trabalho).

Não temos conhecimento da sua data de nascimento. Apenas a do seu falecimento, pois os seu restos mortais repousam na basílica arquiabacial de São Sebastião da Bahia, onde podemos ler na sua lápide sepulcral: ALZIRA FREITAS +22-XII-1933.

Ficamos sabemos sobre ela, de dois registros de testemunhos de cura de doenças que nos foi narrado pelo senhor Carlos Augusto Ribeiro, que foi o sacristão por décadas no Mosteiro da Bahia:

Segundo o sr. Carlos Augusto Ribeiro, "uma senhora, esteve no Mosteiro de São Bento, indicada por um senhor de um centro espírita, localizado no terreiro de Jesus, no Pelourinho, o qual, disse-lhe: "Vá à igreja de São Bento, no corredor à direita, e encontrarás uma sepultura com o nome Alzira Freitas, reze, e peça a ela a cura do seu nódulo na garganta. Ela, foi como ele a indicara, e rezou na sepultura. Quando foi realizado os novos exames médicos, constatou-se o desaparecimento do nódulo. Portanto, após esse fato, a senhora ficou sabendo de um sobrinho de Alzira Freitas, que residia no bairro do Garcia. E procurando-o o encontrou-o, e este lhe mostrou um quadro da sua tia; conversaram sobre o caso, e por causa da cura, e do seu interesse por sua intercessora, ela conseguiu que ele lhe emprestasse o quadro de Alzira para lhe fazer uma réplica. Essa réplica é o quadro que se encontra atualmente acima da sua lápide na basílica de São Sebastião, Mosteiro de São Bento, no corredor à direita.

Ainda segundo o sr. Carlos Augusto, o segundo testemunho que nos narrou, é sobre uma senhora oblata, que se dirigiu ao mosteiro de São Bento e conversou com o senhor Dorisvaldo Braga, (Dorio), que era segurança na igreja, dizendo-lhe que seu irmão advogado estava hospitalizado, devido a um infarto e em situação muito grave. Ela foi ao túmulo de Alzira Freitas, fez o seu pedido, rezou, e suplicou pelo seu irmão enfermo. Retornando ao hospital para a visita costumeira, encontra-o já em estado de recuperação, já fora do perigo de morte. Assim ficando felicíssima com a nova situação, ela dirige-se semanalmente ao Mosteiro de São Bento, para depositar flores no túmulo de Alzira Freitas. Deo gratias.

Memórias narradas pelo Sr. Carlos Augusto Ribeiro.

(O qual foi sacristão do Mosteiro de São Bento da Bahia, durante décadas).

ALGUMAS FOTOGRAFIAS INDICANDO O TÚMULO DE ALZIRA FREITAS NA BASÍLICA DE SÃO SEBASTIÃO DA BAHIA

Mosteiro de São Bento da Bahia 






VÍDEO INDICANDO O TÚMULO DE 

ALZIRA FREIRAS



Quem possuir alguma informação sobre a Alzira Freitas, entrar em contato com o e-mail: santos.osb@hotmail.com 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9

domingo, 16 de junho de 2024

O LADO NOCIVO DAS AMIZADES NOS CONCEITOS ATUAIS.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 16 de junho de 2024


Amigo fiel é um poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro.” (Eclo 6, 14).

 

OS PERIGOS DAS AMIZADES

Nem todos que diz ser teu amigo, verdadeiramente o é! Uma frase nos alerta: A amizade acaba, quando você descobre que o amigo era apenas você. E o grande filósofo Aristóteles afirma: Ter muitos amigos é não ter nenhum.

Esse amplo campo, conceitual, da Amizade, desde os inícios já era bastante complexo, pois os antigos sempre se debruçaram sobre essa questão, porque sabiam bem que era imprescindível para a vida humana terem boas relações de amizade entre si.  Atualmente essa questão tornou-se ainda mais complexa na análise desse conceito, por causa da globalização que outrora não possuíam. Sabemos que os antigos concentravam-se e estudavam mais os conceitos sociais, com uma análise aprofundada em uma determinada linha de assunto. Já na modernidade, pouco analisamos conceitos como faziam os antigos, perdendo assim, muitas vezes o significado profundo do objeto de estudo. Estamos atualmente mais preocupados com o conjunto, portanto, nos perdemos muitas vezes nos conceitos pela grande quantidade das informações que recebemos oralmente, e através dos meios de comunicações sociais.

Em um outro texto postei sobre: Cf. O valor de uma Amizade Verdadeira. Portanto, aqui faremos uma análise dos efeitos nocivos da amizade nos conceitos atuais, categorizando alguns tipos de amigos, pautando-me em experiências pessoais, e em fatos ocorridos com outros amigos, etc. É claro, que isso, não é via de regra para todos. Nem desejo dizer que toda amizade seja dessa maneira, mas, muitos, ou, quem sabe, todos, já passaram por todas estas categorias de amigos com suas experiências desagradáveis aqui citadas, ou algumas delas. Porém, deixo ao critério de cada um, analisar que tipo de amigos tem. Mas, cuidado! Não fiquemos analisando, rotulando e muito menos desconfiando dos amigos que temos contato. Se alguns deles possuem essas características, ou não, o tempo vai mostrando com o passar das nossas relações. O tempo será sempre a balança, o termômetro, a escola que nos mostrará e nos ensinará tudo. Nesse caminhar do tempo, eles vão nos mostrando essas características e saberemos naturalmente quem são os verdadeiros, os falsos, os úteis, os puritanos, os diplomatas, os abutres, bem como todos os outros que veremos mais adiante, aqui categorizados.

Saibam que o seu verdadeiro amigo é aquele que estar sempre atento para te ajudar e te socorre, seja em qualquer momento e circunstância da vida, porém, não necessariamente deverá estar de acordo com tudo o que você pensa ou faz. Pois, o verdadeiro amigo concorda e também discorda de suas ideias, mas nunca poderá deixar de te socorrer nas horas de dificuldades, principalmente nas horas mais difíceis de sua vida. Porque são, nestas horas, que muitos fogem, e se afastam para não se comprometerem com você. No entanto, não confundamos o estar disponível para os amigos, com o está sempre a sua disposição, ou seja, quando eles estalarem os dedos, você correr para ajuda-los. Isso seria dependência e talvez até escravidão. Sim, estaremos à disposição, mas nem sempre estamos disponível. Não confundamos isso. Cada um tem a sua vida e a sua história. Devemos ajudar conforme as nossas forças e as possibilidades.

Gosto sempre de mostrar como exemplo de uma verdadeira e falsa amizade, a bela passagem ocorrida durante a prisão de Jesus quando o Senhor Jesus, sabendo bem quem era Judas Iscariotes, e os planos que este possuía, ainda o chama de Amigo. Assim nos narra o Evangelista São Mateus: “E enquanto ainda falava, eis que veio judas, um dos Doze acompanhado de grande multidão com espadas e paus, da parte dos chefes dos sacerdotes e dos anciãos do povo. Seu traidor dera-lhes um sinal, dizendo: “É aquele que eu beijar; prendei-o”. E logo, aproximando de Jesus, disse: “Salve Rabi!” e o beijou. Jesus respondeu-lhe: Amigo, para que estás aqui?” Então, avançando, deitaram a mão em Jesus e o prenderam.” (Cf. Mt 26,47-50; Mc 14,43-52; Lc 22,47-53; Jo 18,2-11).

No livro de Jó há uma outra bela passagem que mostra muito bem o que é ser um Amigo verdadeiro. No sofrimento do justo Jó, os seus amigos ficam com ele na sua grande aflição. Três amigos de Jó – Elifaz de Temã, Badad de Suás e Sofar de Naamat – ao inteirar-se da desgraça que havia sofrido, partiram de sua terra e reuniram-se para ir compartilhar sua dor e consolá-lo.... (Cf. 2,11-13). Isso, é estar atento às necessidades do amigo.


AMIZADE NAS REDES SOCIAIS

No mundo tecnológico nós escutamos inúmeros conceitos sobre a amizade e certas relações culturais, civis, religiosas e pessoais. Infelizmente não conhecemos mais os perigos da vida moderna. Somos bombardeados constantemente com tantas e variadas informações, corretas e erradas, que nos deixam como que perdidos nas nossas crenças e nos conceitos que possuímos, dificultando assim a nossa visão das verdades imprescindíveis para a vida em sociedade. O homem tecnológico não conseguem mais enxergar os perigos da tecnologia, portanto, estamos nos desconectando do mundo real. Isso é um problema social muito sério.

Os hologramas, os games violentos e tantas outras formas de tecnologias avançadas que constantemente aparecem no mercado digital, embaçam a nossa visão das coisas reais. Os hologramas por exemplo a mais avançada tecnologia atual “São imagens tridimensionais virtuais criadas pela interferência de feixes de luz que “refletem” objetos físicos”. (Fonte: https://tecnoblog.-holograma). Tudo isso tem suas vantagens, mais também trazem danos a convivência de muitas pessoas que se desconectam da realidade da vida tornando-se como robôs, bem como adquirindo doenças psicossomáticas, físicas, etc.

Muitas pessoas reclamam de certas relações de amizades, gerando, com isso, conflitos entre elas. Num mundo globalizado, esse mal tornou-se frequente, e um problema social complexo. Vivemos nos comunicando diariamente, mas, com isso, não queremos dizer que haja amizade verdadeira entre as partes. Há, portanto, uma confusão na compreensão do que seja uma relação amistosa verdadeira.

Gosto bastante de uma frase que diz: “Não priorize quem não te prioriza. Não faça questão de falar com quem não faz questão de falar com você. Com quem não está nem aí para você. Prioridade, reciprocidade, atenção, carinho e amor, são básicos e o básico não se compra”. (Instagram - Gustavo Faria). Ou seja, não priorizarmos coisas desnecessárias nem pessoas que nos fazem sofrer. Devemos seguir em frente com as coisas necessárias à vida. Muitas vezes priorizamos pessoas e coisas e vivemos miseravelmente sofrendo a vida toda. Isso é terrível!

Com a Era Digital e a globalização, muitos conceitos importantíssimos à vida humana enfraqueceram ou se tornaram obsoletos ou até mesmo se perderam. Por isso, devemos de vez em quando voltarmos a analisar certos conceitos relativos a nossa vida e a nossa sobrevivência na terra. A amizade é um desses. Fala-se muito da amizade, mas nem todos sabem o que é uma Amizade Verdadeira.

Duas frases de marketing que me chamaram bastante a atenção a esse respeito, a primeira diz: Tem gente que gosta da sua utilidade, não de você. Quando você deixa de ser útil não serve mais.” Aqui podemos perceber claramente aquele conceito aristotélico da amizade de utilidade. A segunda frase, nos alerta, também, nos dizendo: Alguns falam com você quando sobra um tempo e alguns arrumam tempo para falar com você. Aprenda a diferença!” (@marketingdeninja). Nesta segunda frase, percebemos bem a baliza do grau da amizade.


AS AMIZADES LÍQUIDAS E AS SUAS CATEGORIAS

As amizades líquidas são aquelas que se iniciam, mas não prosperam, podendo ser desfeitas a qualquer momento e por diversas situações ou circunstâncias. Nesse tipo de amizade não se criam vínculos nenhum entre ambos. Pode-se até durar anos, mas não há uma confiança mútua, uma abertura na relação amistosa.


Tendo já alguns conhecimentos em relação aos problemas das amizades, vejamos algumas categorias de amigos nocivos, que se enquadram nesse universo tão complexo.


- AMIGOS LÍQUIDOS

Vive procurando uma outra pessoa para ajudá-lo nas dificuldades depois somem. Não criam vínculos para uma amizade verdadeira.


- AMIGOS DE UTILIDADE

São aqueles que só te procura quando necessitam, e quando você está bem e eles não se importam com você. Aqui se aplica essa frase: Tem gente que gosta da sua utilidade, não de você. Quando você deixa de ser útil não serve mais.”


- AMIGOS HOLOGRAMAS

São aqueles que projetam uma imagem boa e bela de sua vida, mas não correspondendo com a realidade. São fantasiosos e vivem mascarados.


- AMIGOS FÚNEBRES

São aqueles que nunca estão bem. Você as vezes se sente mal quando fala com eles. Contam sempre desgraças, estão deprimidos, negativos. Não conhecem o lado descontraído da vida e da amizade.


- AMIGOS ABUTRES

São aqueles que não podem ver, nem saber de uma notícia ruim, que logo aparecem; não porque se preocupam com você mais para satisfazer sua curiosidade. Isso os fazem felizes.


- AMIGOS DE FESTAS E BEBEDEIRAS

São aqueles que só aparecem nos momentos alegres e quando você está bem de vida, com saúde e financeiramente. Em suas horas de dificuldades, eles não se interessam muito por você. Saem de fininho. Eles veem a sua utilidade e não você com suas as dificuldades.


- AMIGOS ANUAIS

Aqueles que parecem apenas nas festas do ano e outras comemorações.


- AMIGOS COMETA

São aqueles que quando te encontra, faz aquele Show, dizendo para todos que é teu amigo, que te estima, que te ama, etc, mas, depois, passados aqueles momentos, desaparecem. Você não tem mais tanto valor assim, para eles, como dissera.


- AMIGOS PURITANOS

São aquele que tudo choca. Tudo magoa. Aqueles que você tem que ter um certo cuidado no que fala, e como relacionar-se com ele. Você fica sempre pisando em ovos.


- AMIGOS PARA DIVERSÃO

Estes são divertidos mas não tem um aprofundamento na relação de confiança.


- AMIGOS DIPLOMATAS

Para estes a confiança não é importante. Convive conosco apenas para não haver separação, ou por necessitar de algo. Nestes se encaixam bem a frase: Não somos inimigos, mas também nunca fomos amigos”. Apenas se toleram.


- AMIGOS DE TRABALHO

Convive apenas amigavelmente com você por causa do ambiente de trabalho. Na mais das vezes, são carreiristas, não se importam com o outro. São semelhantes aos amigos diplomatas.


- AMIGOS TAPA BURACO

Estes só desejam extravasar as suas emoções. Certamente já viram ou ouviram a frase: Alguém aí para conversar. Querem apenas conversar, e, a quem encontra faz aqueles elogios que os amigos cometa faz. Ou seja, que você é muito importante para ele, que é teu amigo, que te estima, que te ama, etc. Mas, após uma ou duas conversas somem sem ter mais nenhum interesse em você. Lhe descarta. São vazios.


- AMIGOS DETETIVES

São aqueles que ficam fuçando as nossas redes sociais, e outros momentos nossos, para saberem, como é, de fato, a nossa vida e as dos nossos amigos.

Estes só conseguem viver bem, com aquilo que coletam um dos outros, e, isso os tornam momentaneamente felizes. Não são originais, e, por isso, não acrescentam nada na vida do outros.

Esse tipo, também não estão interessados numa criação de vínculo amistoso com ninguém; pois, o seu interesse principal, é apenas coletar as informações que lhes interessam. São detestáveis. Portanto, essa categoria é semelhante aos amigos falsos.


- AMIGOS FALSOS

Essa é a pior categoria. Que te elogia, mas o interesse deles é apenas saber o que você faz e como você vive. Diz-se interessado por você, mas isso é apenas uma estratégia para ficar mais perto de você, e, com isso, ter mais acesso as suas informações. Muitos deles trazem um sentimento de inveja, de impotência ou outros vícios nocivos a amizade. Nessa categoria, lembremo-nos de Judas, que, ao trair Jesus Cristo, saúda-o, chamando-o de Mestre e o beija. Vejamos a passagem que nos mostra o verdadeiro amigo na pessoa de Cristo e o falso na pessoa de Judas Iscariotes, durante a prisão de no Getsêmani quando o Senhor sabendo bem quem era Judas, e os planos que este possuía, ainda o chama de Amigo. Assim nos narra o Evangelista São Mateus: E enquanto ainda falava, eis que veio judas, um dos Doze acompanhado de grande multidão com espadas e paus, da parte dos chefes dos sacerdotes e dos anciãos do povo. Seu traidor dera-lhes um sinal, dizendo: “É aquele que eu beijar; prendei-o”. E logo, aproximando de Jesus, disse: “Salve Rabi!” e o beijou. Jesus respondeu-lhe: “Amigo, para que estás aqui?” Então, avançando, deitaram a mão em Jesus e o prenderam.”  (Cf. Mt 26,47-50; Mc 14,43-52; Lc 22,47-53; Jo 18,2-11). Essa categoria de “amigo” é a pior espécie que podemos ter.


Nenhuma destas categorias e muitas outras que poderão conhecer, são nocivas ao convívio fraterno e as nossas relações sócias e religiosas. Por isso, elas não se enquadram na Amizade Verdadeira, pois, esta, é uma coisa sublime, um grande tesouro.


- Acesse o link sobre a Amizade verdadeira:

https://dimensaodaescrita.blogspot.com/2022/08/o-valor-de-uma-amizade-verdadeira.html


REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


quarta-feira, 29 de maio de 2024

AS HIERARQUIAS ANGÉLICAS. Os adoradores e Ministros de Deus.

Dia 29 de setembro,

Festa de São Miguel e todos os Anjos.

Dia 02 de outubro,

memória dos Santos Anjos da Guarda.

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 29 de maio de 2024

"A desgraça jamais te atingirá e praga nenhuma chegará a tua tenda: pois em teu favor ele (Deus) ordenou aos seus anjos que te guardem em teus caminhos todos. Eles te levarão em suas mãos, para que teus pés não tropecem numa pedra; poderás caminhar sobre um leão e a víbora, pisarás o leãozinho e o dragão”. (Sl 91,10-13). 

QUEM SÃO OS SANTOS ANJOS?

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina dizendo: “[...]. Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam “constantemente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,10), são “poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra (Sl 103,20)”. (CIC 329).

Falar sobre os anjos nos coloca diante de várias questões da fé, pois muitos cristãos dizem ter dificuldades em crer na existência dos anjos, por não ter um contato direto com eles. Mas, Deus, nós também não temos um contato direto com Ele. Quem viu a Deus face a face? Segundo as Escrituras, só Moisés que viu-O faca a face na sarça ardente: “[...]. E Deus o chamou do meio da sarça. Disse: “Moisés, Moisés!” Este respondeu: “Eis-me aqui.” (Ex 3,1-10) e “Iahweh, então, falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo.” (Ex 33,11). Depois Deus ainda fala a Moisés: “E acrescentou: “Não poderás ver a minha face, porque o homem não pode ver-me e continuar vivendo.” (Ex 33,20). Mais adiante diz Deus ao seu servo: “Depois tirarei a palma da minha mão e me verás pelas costas. Minha face, porém, não se pode ver.” (Ex 33,23).

Nós não podemos ver a Deus, mas O sentimos de diversas maneiras e situações da vida. Ele, sempre se revela na história da humanidade de diversas formas e nos muitos acontecimentos do mundo. Portanto, Ele existe! E, as sagradas Escrituras está cheia de teofanias da presença de Deus, assim como aparições de anjos que são os seus ministros e mensageiros. Por isso, a Igreja afirma que os anjos existem, colocando a existência deles como sendo uma verdade de fé. Vemos em toda a história da humanidade relatos de aparições de anjos na vida dos santos, e também na caminhada de todo o povo de Deus, bem como revelações e valimentos de Deus em certos acontecimentos mundiais e individuais. Quantas vezes sentimos essa presença angélica na nossa caminhada, e em certos acontecimentos que não temos domínio, e quantos valimentos já passamos com a ajuda desses seres espirituais! Como os anjos estão sempre na presença de Deus, são eles quem apresentam as nossas súplicas, orações, louvores e ação de graças a Deus e nos socorre nas dificuldades da vida e nos perigos constantes por ordem do supremo Criador. Os anjos foram criados para servir a Deus, os quais são postos para socorrer os homens, os países, os lugares, etc. Segundo Dionísio Pseudo-Areopagita, na hierarquia celeste, cada categoria deles tem a sua função específica. Veremos adiante as hierarquias angélicas e as suas respectivas funções concedidas por Deus.

No livro de Tobias, ao escutar, Deus, a oração do justo, o seu anjo vem em socorro de Tobit, para acompanhar o seu filho Tobias na jornada até Sara sua esposa, ao qual muito angustiada também dirige uma oração a Deus. E ambas orações de Tobit e Sara chegaram ao trono de Deus. Por isso, Deus envia o Arcanjo Rafael para a curar os seus males. Interessante que cumprido o mandato de Deus, o próprio anjo se revela dizendo o seu nome, e para o que foi enviado. Fiquemos atentos a estes pormenores das Escrituras. Esse texto, bem como muitos outros, nos mostram a missão do anjo que está ligada ao nome. Portanto, anjo, do latim angelus que vem do grego ángelos (ἄγγελος – Mensageiro), ou seja, mensageiros de Deus.

Sabemos que nem todos creem na existência destes seres espirituais. E nos Atos dos Apóstolos capítulo 23 versículo 8 podemos ver uma discórdia que se gerou no Sinédrio entre o partido dos fariseus e dos saduceus por causa da defesa de Paulo de Tarso referente às questões religiosas, pois os saduceus não creem na ressurreição dos mortos, nos anjos e nem em espíritos, enquanto os fariseus acreditam em tudo isso. “Pois os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo nem espírito, enquanto os fariseu sustentam uma e outra coisa”. (At 23,8). A assembleia dos fariseus protestavam contra os saduceus dizendo: “Nenhum mal encontramos nesse homem. E se lhe tivesse falado um espírito, ou um anjo?” (At 23,9) e, eles não entrando em acordo entre si, o conflito crescia cada vez mais.

O Catecismo da Igreja Católica no seu artigo primeiro, parágrafo cinco; nº 325-354, nos explica a existência dos anjos, apoiado nas Escrituras e na Tradição, como seres criados por Deus e afirma ser uma verdade de fé. “A existência dos seres espirituais, não-corporais, que a Sagrada Escritura chama habitualmente de anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura a respeito é tão claro quanto a unanimidade da Tradição.” (CIC 328).

Santo Agostinho diz a respeito deles: “Anjo (mensageiro) é designação de encargo, não de natureza. Se perguntares pela designação da natureza, é um espírito; se perguntares pelo encargo, é um anjo: é espírito por aquilo que é, enquanto é anjo, por aquilo que faz. (CIC 329). E segui o mesmo Catecismo dizendo: “Por todo o seu ser, os anjos são servidores e mensageiros de Deus. Porque contemplam “constantemente a face de meu Pai que está nos céus" (Mt 18,10), são “poderosos executores da sua palavra, obedientes ao som da sua palavra” (Sl 103,20). Enquanto criaturas puramente espirituais, são dotados de inteligência e de vontade: são criaturas pessoais e imortais. Superam em perfeição todas as criaturas visíveis. Disto dá testemunho o fulgor de sua glória. (CIC 329).

O grande Patriarca São Bento de Núrsia, abade, em dois capítulos da Regra para os mosteiros se refere aos anjos. Podemos ver no capítulo sétimo sobre a humildade, e no décimo nono, da maneira de salmodiar (Ofício divino), referências muito significativas em relação aos anjos os ministros de Deus. Nestes capítulos estão bem claros as suas funções diante de Deus, sua proteção sobre nós e o mundo, seu encargo de levar a Deus nossas orações, etc.

Assim São Bento nos diz: “Se, portanto irmãos, queremos atingir o cume da suma humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a qual se sobe pela humildade da vida presente, deve ser erguida, pela ascensão de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, na qual lhe eram mostrados anjos que subiam e desciam. (RB 7,5-6) aqui São Bento faz alusão ao Gn 28,12 que fala sobre a visão de Jacó, que via uma escada que se erguia até o céu, pela qual subiam e desciam os anjos.

Depois continua nos ensinando: Considere-se o homem visto do céu, a todo momento, por Deus, e suas ações vistas em toda parte pelo olhar da divindade e anunciadas a todo instante pelos anjos”. (RB 7,13). De todos os nossos atos, deveremos prestar contas um dia, diante de Deus no Supremo Tribunal de Cristo. Por isso, devemos estar atentos a cada um deles.

Mais uma vez nos orienta o Patriarca:  “Logo, se os olhos do Senhor “observam os bons e os maus, se o Senhor sempre olha do céu os filhos dos homens para ver se há algum inteligente ou que procura a Deus”, e se, pelos anjos que nos foram designados todas as coisas que fazemos são cotidianamente, dia e noite, anunciadas ao Senhor, devemos ter cuidado, irmãos, a toda hora, como diz o Profeta no salmo, para que não aconteça que Deus nos veja no momento em que caímos no mal, tornando-nos inúteis, e para que, vindo a poupar-nos nessa ocasião porque é Bom e espera sempre que nos tornemos melhores, não venha a dizer-nos no futuro: “Fizestes isto e calei-me”. (RB 7,26-30).

Lá no capítulo dezenove da Regra ele ainda nos orienta: “Salmodiai sabiamente”; e também: Cantar-vos-ei na presença dos anjos. Consideremos, pois, qual deva ser nossa atitude na presença da Divindade e de seus anjos; e tal seja a nossa presença na salmodia, que nossa mente concorde com nossa voz”. (RB 19,3-7).

Tendo mostrado um pouco o que é um anjo, vejamos agora a sua hierarquia no céu, segundo Dionísio Pseudo-Areopagita que nos mostra pelos seus estudos, e de modo muito belo, como como se divide as hierarquias e suas categorias, finalidades e suas funções.

AS HIERARQUIAS ANGÉLICAS

Segundo Dionísio Pseudo-Areopagita monge do século V, os anjos divide-se em nove categorias sendo assim classificados de acordo com a sua importância e funções. Em sua hierarquia divina os anjos mais altos são os Serafins e Querubins.

As nove categorias dos anjos são divididas em três hierarquias e nove categorias. Vejamos cada uma delas:  


PRIMEIRA HIERARQUIA

São aqueles que estão mais próximos de Deus.

Primeira categoria – Os SERAFINS – Seres feitos do mais puro amor de Deus. Estão mais próximos de Deus e existem apenas para venerá-lo. Os que cantam a glória de Deus.

Segunda categoria – Os QUERUBINS – Estão mais próximos de Deus e existem apenas para venerá-lo. Os que cantam a glória de Deus. São guardas e mensageiros de Deus – com a missão de transmitir sabedoria. (Lúcifer estava nessa categoria).

Terceira categoria – Os TRONOS – Acolhe a grandeza de Deus e transmite aos santos anjos de guarda inferiores. Os que trazem a justiça.


SEGUNDA HIERARQUIA

São aqueles que estão responsáveis pelos acontecimentos do mundo.

Quarta categoria – As DOMINAÇÕES – Os que ministram o Paraíso.

Quinta categoria – As POTESTADES – Os que protegem a humanidade do mal.

Sexta categoria – As VIRTUDES – Realizam os milagres.


TERCEIRA HIERARQUIA

São aqueles que executam as ordens de Deus. São os mais próximos dos humanos.

Sétima categoria – Os PRINCIPADOS – Guias e mensageiros divinos. Segundo as Escrituras são enviados a reis, príncipes, províncias e dioceses. São os protetores dos humanos. Se preocupam com o bem-estar das nações.

Oitava categoria – Os ARCANJOS – Conhecedores dos mistérios de Deus. Os Anunciadores.

Nona categoria – Os ANJOS – Os que recebem as ordens dos coros superiores e as executam. Estes vivem mais próximos dos humanos e cuidam de nós.

Conhecendo essa verdade de fé, segundo a Igreja, ou seja, a existência do anjos, nos lembremos sempre quando estivermos em oração na igrejas, em casa ou em qualquer outro lugar, daquilo no nos ensina o Profeta: Servi ao Senhor no temor; e ainda: Salmodiai sabiamente; e também: Cantar-vos-ei na presença dos anjos. Consideremos, pois, qual deva ser nossa atitude na presença da Divindade e de seus anjos; e tal seja a nossa presença na salmodia, que nossa mente concorde com nossa voz. (RB 19,3-7).

Portanto, nunca esqueçamos de pedir a proteção e de conversarmos sempre com o nosso anjo protetor, e também de agradecer a Deus por este precioso presente que nos deu. Segundo uma tradição, todo os seres humanos, já na sua concepção, Deus lhe concede um anjo de presente para guiar, guardar, e levar ao seu trono, nos céus, as suas orações, súplicas, louvores, ação de graças, etc. Temos sempre um anjo que nos acompanha, do nascimento até a morte.

Hierarquias angélicas, protegei-nos e guiai-nos ao Reino dos céus diante de Deus. Amém.


ALGUMAS REFERÊNCIAS BÍBLICAS 

SOBRE OS ANJOS

- Ex 23,20-21a – Anjos da guarda.

- Dt 12,5; 34,5-6 – O corpo de Moisés.

- Is 14,12-15 – A soberba, revolta e queda dos anjos rebeldes.

- Dn 8,15-27; – O Arcanjo Gabriel explica a visão para o Profeta Daniel.

- Dn 9,20-27; - – Deus envia o anjo Gabriel para instruir o Profeta Daniel.

- Dn 10,9-21 – O Arcanjo Miguel veio em auxílio do Profeta Daniel.

- Epístola de São Judas v. 9 – O Arcanjo São Miguel disputa do corpo de Moisés.

- Sl 35,4-5 – Proteção do anjo de Deus.

- Sl 91,10-13 – Proteção dos anjos enviados por Deus.

- Sl 138 (139) – O louvor a Deus diante dos anjos.

- Mt 22,23-31 – Sobre a ressurreição dos mortos e os anjos.

- Mc 6, 7.13 – Espíritos impuros / anjos maus.

- At 5,17-21 – O anjo liberta miraculosamente os Apóstolos da prisão.

- At 23,8 – Discordância entre fariseus e saduceus a respeito da ressurreição, anjos e espíritos.

- Ap 8,2-13; 9,1-21; 11,14-19 – Os anjos e as 7 trombetas.

- Ap 12,7-17 – A batalha no céu entre o Arcanjo Miguel e o dragão em defesa da mulher vestida de sol e seu Filho.

 

OUTRAS REFERÊNCIAS

- SUMA TEOLÓGICA – Volume II, Santo Tomás de Aquino / Primeira parte – Questões 50-119. – Os santos anjos e os demônios.

- CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – nº 325-354 – Os santos anjos.

 

ORAÇÃO AO ANJO DA GUARDA

Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, hoje e sempre me governa, rege, guarda e ilumina. Amém.

Latim – Angele Dei, qui custos es mei, me tibi commissum pietate superna illumina, custodi, rege et guberna, Amén.


ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO A 

DEUS PELO NOSSO ANJO DA GUARDA

Ó Deus de bondade, agradeço-vos pelo precioso presente que nos destes. E rendo-Te graças para sempre por tão grande amor por nós. Pois, no dia da nossa concepção, quando Vós nos destes a vida, também nos presenteastes com um Anjo, ministro vosso, para nos guardar, nos proteger e nos acompanhar durante toda a nossa caminhada terrestre. Um companheiro fiel e protetor, que levará ao vosso trono as nossas orações, clamores, lágrimas e alegrias. Que ele jamais se afaste de nós para não sucumbirmos no pecado e na morte. Por Cristo, nosso Senhor. 

Composição:

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, Bahia – 29 de setembro de 2023

Na Festa de São Miguel Arcanjo e todos os Anjos.

 

ORAÇÃO PEDINDO PROTEÇÃO AO

MEU ANJO DA GURDA

Ó meu Santo Anjo que me aguarda, presente de Deus dado a mim no dia da minha concepção. Meu companheiro. Protegei-me e guardai-me contra todas as forças do mal, que desejam afastar-me de Deus, e querem ferir-me mortalmente; levai as minhas orações ao trono de Deus, e conduzi-me hoje e sempre nos caminhos do bem, para que assim eu possa alcançar a salvação eterna; prometida a nós pelo Senhor. Quando acordado, ficai ao meu lado; também dormindo, velai-me. Nas viagens, acompanhai-me. Nas doenças, dai-me forças e na hora da minha morte, conduzi-me ao céu. Que eu esteja sempre sob a proteção das vossas asas, ó meu bom Anjo guardião. Por Cristo, nosso Senhor.

Composição:

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, Bahia – 02 de outubro de 2023

Na comemoração dos Santos Anjos da Guarda



REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. / Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.

ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B; Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.

FERRETTI, Augusto. Os santos anjos da guarda / Augusto Ferretti: Cultor de Livros, 2021.

PSEUDO-DIONÍSIO, o Areopagita. A Hierarquia Celeste / Pseudo-Dionísio, o Areopagita; tradução, comentário e notas explicativas Carin Zwillig; editor Américo Sommerman. – São Paulo: Polar, 2015.

SUMA TEOLÓGICA – Volume II, Tomás de Aquino / Primeira parte – Questões 50-119.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57,9)