segunda-feira, 25 de março de 2024

SERVO DE DEUS PADRE LUÍS CECHIN, (1924 – 2010), UM SANTO EM LIMOEIRO, PERNAMBUCO, MINHA TERRA NATAL.


Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 25 de março de 2024


Sou muito agradecido a Deus que me quis missionário no Brasil. Conheci momentos de alegria espiritual, experimentei minha fragilidade de pecador, provei a presença de Jesus… Os pobres, os oprimidos, os sofredores em tantas maneiras, me ajudaram a conhecer melhor e a seguir Jesus pobre, desprezado, sofredor por nosso amor e sempre misericordioso. O trabalho com crianças, rapazes e jovens pobres materialmente, moralmente e espiritualmente, me colocaram mais perto de Jesus, que, sem descuidar de nenhuma pessoa, dá um amor predileto a eles (…).” (PADRE LUÍS – Do Testamento Espiritual – 09 de junho de 2008)


Em minha terra natal há um santo! Com essa frase não desejo dizer que não haja muitos outros santos em minha terra. Certamente há muitos outros, não tenho dúvidas, pois, santo são todos aqueles que fazem a vontade de Deus.  E sem errar posso citar aqui a querida Irmã Marta, das Franciscanas Maristela, que também foi uma mãe para o povo de Limoeiro em fazer caridade. Ela era uma grande colaboradora nos trabalhos do Padre Luís.

Porém, aqui refiro-me ao reconhecimento de um entre tantos, ao qual a Igreja em sua sabedoria, põe em destaque para exemplo de seguimento de Jesus Cristo. As Escrituras nos ensina: Portanto, deveis ser perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito.” E ainda: Mas se, na Igreja, nem todos caminham pela mesma via, todos são chamados à santidade e têm igualmente a mesma fé pela justiça de Deus (2Pd 1,1)”. (Lumen Gentium, n. 32)

Há uma multidão de homens e mulheres que vivem santamente, espalhados pelo mundo inteiro, que vivem no anonimato. Essa é a beleza da santidade. Porém, dentre essa multidão, alguns se destacaram dentro das suas comunidades nos seus serviços ao próximo e, por isso, a Igreja estuda com muito zelo e veracidade os seus feitos, para coloca-los em seu cânon (lista), ou seja, uma lista de pessoas que viveram com intensidade as três virtudes teologais a , a Esperança e a Caridade,  bem como as quatro virtudes cardeais, a Prudência, a Justiça, a Fortaleza e a Temperança; entre outras, as quais são os requisitos para um processo de entrada no cânon / lista dos santos aprovados por ela.  Assim, a Igreja inicia um processo de beatificação e canonização da pessoa estudada, para que seja um modelo para toda a comunidade eclesial em caminhada para o Reino de Deus.

Estes estudos dos candidatos escolhidos, duram anos, dependendo de cada pessoa ou do milagre alcançado por intermédio do servo de Deus, exigido pela Igreja, porque o reconhecimento de um primeiro milagre leva a beatificação e o reconhecimento de um segundo, leva a canonização da pessoa em estudo. No caso do Martírio pelo nome de Cristo, o milagre exigido pela Igreja é dispensado e a pessoa estudada será logo canonizada, pois este, deu a sua vida por Cristo e em defesa da fé, o maior ato de amor.

Fiquemos cientes que é o Espírito Santo quem santifica os fiéis, e não a Igreja. Ela apenas põe como modelo alguns fiéis que se destacaram no amor a Cristo e aos irmãos. O poder santificador só pertence a Deus.

Pois bem! Foi justamente na cidade de Limoeiro, situada na Zona da Mata Norte do estado de Pernambuco, que viveu um homem de virtudes e caridade comprovada. Nesta cidade, tão querida por ele, viveu a maior parte da sua vida exercendo seu ministério sacerdotal. Um sacerdote de Cristo, um irmão dos pobres, não apenas dos pobres, mas de todos aqueles que iam à sua procura. Vemos esse amor na importante obra que ele fundou em 16 de novembro de 1970 para atender crianças, adolescentes e famílias. Um Instituto para os necessitados da cidade de Limoeiro, no início com o nome de Centro de Formação de Menores (CFM) atualmente como o nome de Instituto Padre Luís Cecchin (IPLC). E esta sua grande obra beneficente completou nesse ano de 2024, 58 anos de amor aos necessitados, uma dádiva de Deus para toda a cidade de Limoeiro. Ele sempre dizia: Prove o seu amor por Deus amando o seu irmão.” Outra bela frase sua: No sorriso de uma criança descobrimos o rosto de Deus.” Aqui já percebemos o seu grande amor pelo próximo. Ponto central para o verdadeiro seguimento de Cristo.

Quem é esse homem, esse servo de Deus? Conheçamos um pouco de sua vida.

É o querido padre LUÍS CECCHIN que nasceu no dia 11 de dezembro do ano do Senhor de 1924, em São Martinho de Lupari na Itália. Passando toda a sua infância na paróquia de Galliera Veneta, Itália.

Desde jovem sentiu o chamado para a vida sacerdotal e conservando esse seu chamado, ingressa no seminário para as etapas formativas necessárias para tal ministério. Quero ser padre para tornar Jesus Cristo conhecido e que todos encontrem Nele a salvação.” Fala o jovem Luís. E sendo aprovado para o Sacramento da Ordem é ordenado sacerdote no dia 26 de junho de 1949 na diocese de Treviso, na qual ele trabalha por 20 anos em diversas paróquias, sendo também por alguns anos diretor espiritual do seminário.

Padre Luís é enviado da diocese de Treviso para o Brasil como missionário “fidei donum” no dia 06 de janeiro com uma missa para envio, presidida pelo Bispo Mons. Antônio Mistrorigo, para a Diocese de Nazaré da Mata, na Zona da Mata Norte do Estado de Pernambuco, Brasil.

“No dia 6 de janeiro de 1969 na igreja de Galliera Veneta o Bispo Mons. Antonio Mistrorigo presidiu a cerimônia de “envio” do Padre Luís como missionário “fidei donum” para a Diocese de Nazaré, Estado de Pernambuco, Brasil. Um mês depois, em 6 de fevereiro, desembarcou no Brasil, no Rio de Janeiro e, em 26 de maio, chegou de ônibus a Limoeiro, perto de Recife, diocese de Nazaré. Naquela terra, por 40 anos esteve a serviço dos pobres, dos “Últimos”, e, para ser como eles, viveu na simplicidade”. (cf. https://iplclimoeiro.wixsite.com).

Na diocese de Nazaré da Mata Padre Luís Cecchin viveu seu ministério sacerdotal com muita dedicação e alegria por 40 anos. Era visível essa sua alegria e dedicação ao seu ministério e também para com todos, assim permanecendo fiel até o seu último momento da vida neste mundo. Ele viveu muito bem essa frase que sempre dizia: Nossa tarefa de cristãos é colocar no coração da humanidade o amor.”  

Padre Luís Cecchin chegou ao Brasil no Rio de Janeiro, no dia 06 de fevereiro e em nossa diocese de Nazaré da Mata, precisamente em nossa cidade de Limoeiro, no dia 26 de maio do ano de 1969, numa fatigante viagem de ônibus do Rio de Janeiro a Pernambuco. Mas toda a fadiga e sofrimentos que são feitos pela causa do Reino de Deus, vale a pena; por isso vemos padre Luís agradecendo a Deus por todos os benefícios que ele lhes concedeu em sua vida no seu ministério, portanto, no seu testamento espiritual ele assim fala: “Eu, Luís Cecchin, agradeço com todo o coração a Deus meu Criador pelo dom da vida. A história da minha vida é um constante ato de amor de Deus Pai, de Deus Filho, de Deus Espírito Santo, no qual creio firmemente por meio do dom da fé cristã na qual fui batizado.” Belas palavras de fé e gratidão a Deus pelo dom da sua vida. Quem o conheceu via muito claramente a alegria em tudo o que ele fazia.

Muito devoto de Nossa Senhora a qual sempre lhe acompanhou na sua jornada como ele mesmo falou em seu Testamento Espiritual em 09 de junho de 2008: “Entrego-me a Ti, Maria, Mãe Santíssima de Jesus e da Igreja e minha amada Mãe de misericórdia. Estiveste sempre presente com teu amor materno na minha vida e, nesta hora da minha morte, acompanha-me ao teu amado Filho.” E depois: “Maria, mãe santa de Jesus e minha amorosa mãe, acompanha-me ao teu bendito Filho Jesus. Assim seja.” Ele foi por muitos anos pároco da matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Limoeiro.

Já em idade avançada no ano de 2010, por ter um grave problema de saúde, padre Luís retorna a Itália, seu país de origem, a contragosto, para tratar da sua saúde, pois não queria fazer um bom tratamento no exterior por causa dos seus pobres que não tinham também um tratamento digno. Ele não queria ter preferências; viveu como pobre e desejava morrer como sempre viveu, pois esse era o seu desejo.

Porém, no dia 28 de fevereiro do ano 2010 por insistência dos seus familiares e amigos, viajou para fazer o tratamento, obedecendo ao seu bispo, Dom Severino Batista de França OFMCap., aceitou o tratamento, porque enfrentava um grave problema de saúde, assim, viajou para a Itália. Porém, no mês seguinte acabou falecendo, assistido pelo seu bispo, de Nazaré da Mata, que o acompanhou na viagem para a Itália. O dia da sua páscoa definitiva foi em 26 de março de 2010 em Mussolente na Diocese de Treviso – Itália. Em 09 de junho de 2008 escrevia ele no seu Testamento Espiritual: “Chegando o momento da minha passagem desta vida terrena a vida eterna, pedindo humildemente perdão dos meus muitos pecados, confiante no amor misericordioso de Deus que quer me salvar por meio da paixão e morte amorosa de Jesus seu Filho, meu Redentor, me entrego a Ti, meu Deus, Pai amoroso, como um filho, assim como sou [...]. Maria, mãe santa de Jesus e minha amorosa mãe, acompanha-me ao teu bendito Filho Jesus. Assim seja.”

De um país tão distante voava para Deus o pai dos pobres de Limoeiro, cidade tão amada por ele, e o seu campo de trabalhos por tantos anos. No entanto, ele já tinha pedido que queria ser sepultado na cidade de Limoeiro e cumprindo o seu desejo, o seu corpo foi trazido para o Brasil e sepultado na Paróquia de São Sebastião, no Alto de São Sebastião, Limoeiro – Pernambuco.

Ao saber da morte do seu querido pai espiritual, Limoeiro se veste de luto e também de gratidão a Deus por ter mais um intercessor no céu no rol dos santos. O seu funeral foi “acompanhado de uma grande multidão, de seus “Pobres” que sempre viram nele a manifestação do amor de Deus”.

Padre Luís também se fez presente em minha família ao batizar membros de minha família e também por ser o confessor de meu irmão padre José Francisco dos Santos, por muitos anos.


FESTEJOS E O PROCESSO DE BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO


Limoeiro não podia deixar de homenagear aquele que muito trabalhou pelos seus habitantes; portanto, no dia 11 de dezembro de 2023 houve a abertura dos festejos para o centenário de seu nascimento com uma missa presidida pelo bispo emérito da Diocese de Nazaré da Mata Dom Severino Batista de França OFMCap. no Instituto Padre Luís Cecchin (IPLC).

E no dia 06 de fevereiro de 2024 houve a tão esperada abertura oficial para a causa da beatificação e canonização do padre Luís, na paróquia de São Sebastião no Alto de São Sebastião em Limoeiro – Pernambuco, celebrada por Dom Francisco de Assis Dantas de Lucena, bispo diocesano de Nazaré da Mata. Uma data memorável para a cidade de Limoeiro.

Padre Luís Cecchin, hoje na comunhão dos santos, está rogando a Deus e a Nossa Senhora pelos necessitados e por toda Limoeiro, para que possam enfrentar as dificuldades da vida com coragem e alegria. Pois dizia: Deus nos chamou ao fundamental que é a vida.” 

Nossa gratidão a Deus por nos ter dado Padre Luís Cecchin a nossa Cidade de Limoeiro, ao nosso povo. E gratidão ao nosso Padre Luís! 


Servo de Deus padre Luís Cecchin, rogai por nós. Amém.


Algumas etapas da vida do Servo de Deus Padre Luís Cecchin.

DO TESTAMENTO ESPIRITUAL

(09 de junho de 2008)


Eu, Luís Cecchin, agradeço com todo o coração a Deus meu Criador pelo dom da vida. A história da minha vida é um constante ato de amor de Deus Pai, de Deus Filho, de Deus Espírito Santo, no qual creio firmemente por meio do dom da fé cristã na qual fui batizado (…). Chegando o momento da minha passagem desta vida terrena a vida eterna, pedindo humildemente perdão dos meus muitos pecados, confiante no amor misericordioso de Deus que quer me salvar por meio da paixão e morte amorosa de Jesus seu Filho, meu Redentor, me entrego a Ti, meu Deus, Pai amoroso, como um filho, assim como sou; entrego-me a Ti, Jesus, Filho de Deus, feito homem no seio da Virgem Maria, que me amaste até mesmo sacrificando a tua vida humana. (…) Me entrego a Ti, Deus Espírito Santo, que desde o batismo me santificaste e me acompanhaste com infinita paciência para ser e viver como filho de Deus, que é Santo, e a todos oferece por teu meio o dom para ser santos. Entrego-me a Ti, Maria, Mãe Santíssima de Jesus e da Igreja e minha amada Mãe de misericórdia. Estiveste sempre presente com teu amor materno na minha vida e, nesta hora da minha morte, acompanha-me ao teu amado Filho. (…) Sou muito agradecido a Deus que me quis missionário no Brasil. Conheci momentos de alegria espiritual, experimentei minha fragilidade de pecador, provei a presença de Jesus… Os pobres, os oprimidos, os sofredores em tantas maneiras, me ajudaram a conhecer melhor e a seguir Jesus pobre, desprezado, sofredor por nosso amor e sempre misericordioso. O trabalho com crianças, rapazes e jovens pobres materialmente, moralmente e espiritualmente, me colocaram mais perto de Jesus, que, sem descuidar de nenhuma pessoa, dá um amor predileto a eles (…). Maria, mãe santa de Jesus e minha amorosa mãe, acompanham-me ao teu bendito Filho Jesus. Assim seja.” (cf. https://iplclimoeiro.wixsite.com).


O TESTAMENTO PARA O SEU POVO

(24 de janeiro de 2010)


No fim da Santa Missa da festa do padroeiro São Sebastião, para as pessoas da sua paróquia em Limoeiro deixou uma mensagem de vida, que somente por um homem santo, apaixonado por Deus, podia surgir. Eis algumas frases: “Eu estou no fim da minha vida, e pouco tempo me resta; mas, gostaria de deixar para você esta lembrança. Nós hoje, eu por primeiro, vocês pais de família, nos perguntamos: estamos transmitindo aos nossos filhos, aos nossos jovens, a riqueza da fé dos nossos pais? Se nós não transmitimos a fé, os nossos filhos ficam vazios. Nós cristãos devemos começar a assumir o compromisso de ensinar aos nossos filhos o amor a vida. Eu gostaria, saindo desta igreja, que todos nós, eu por primeiro, mais velho, pelo tempinho que o Senhor me dá ainda, pudéssemos dizer: “Quero ser cristão no mundo de hoje. Quero ser cristão hoje. Em todas as atividades, em toda parte, quero ser cristão!”. (cf. https://iplclimoeiro.wixsite.com).


ÚLTIMA MENSAGEM DO PADRE LUÍS CECCHIN


No leito do hospital, em 09 de março de 2010, poucos dias antes de morrer, Padre Luís disse:


Estou aqui nas mãos do Senhor, confiante. Aquilo que Ele dispõe é a coisa mais bela. Deus nos quer bem em todos os momentos da vida. Continuem a serem unidos na oração, no amor e na solidariedade. Este meu sofrimento é um dom de Deus. Agora olho a Ressurreição! A “nossa família não deve dissolver-se nem preocupar-se em nenhum momento da vida…”. (cf. https://iplclimoeiro.wixsite.com). 


ORAÇÃO PARA PEDIR A BEATIFICAÇÃO

DE PADRE LUIS CECCHIN

Ó Deus de amor e de ternura, que vos dignastes iluminar a vossa Igreja com o testemunho de vosso servo Padre Luís Cecchin, que esteve sempre a serviço dos pobres, concedei-nos imitá-lo na prática das virtudes. Nós vos pedimos: glorificai-o aqui na terra com a glória dos santos, e dai-nos por sua intercessão as graças que necessitamos (menciona-se o pedido em silêncio). Fazei que, seguindo seu exemplo, possamos irradiar o vosso amor e testemunhar a vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Pai Nosso... Ave Maria... Glória ao Pai... 

Com aprovação eclesiástica

+ Dom Severino Batista de França, OFMCap.

Bispo de Nazaré

ALGUMAS MEMÓRIAS DO 

SERVO DE DEUS, PADRE LUÍS CECCHIN
























GRAÇAS ALCANÇADAS, INFORMAR A:

CAUSA DE PADRE LUIS CECCHIN

 

ENDEREÇOS

 

CÚRIA DIOCESANA

Praça Herculano Bandeira, 35 – Centro

Nazaré da Mata – PE

55800-000

 

CENTRO DE FORMAÇÃO PADRE LUÍS CECCHIN

Rua Professor Rivadávia Bernardes de Paula, 155

José Fernandes Salsa – Limoeiro – PE

55700-000

 

PARÓQUIA DE SÃO SEBASTIÃO

Rua Josefina Heráclio, s/n – São Sebastião

Limoeiro – PE

55700-000

 

E-mail: iplc@pobresservos.org.br

 

REFERÊNCIAS

https://iplclimoeiro.wixsite.com/iplclimoeiro/sobre-1 - Acessado em fevereiro de 2024.


Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

QUARTA-FEIRA DE CINZAS, O INÍCIO DO TEMPO DA QUARESMA, Dia de jejum e abstinência.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 12 de fevereiro de 2024.

O santo TEMPO DA QUARESMA começa com a celebração da QUARTA-FEIRA DE CINZAS, onde os fiéis reunidos na Igreja para a celebração da Eucaristia, escutam atentamente a proclamação das leituras uma do Antigo Testamento, da profecia de Joel (Jl 2,12-18), outra do Novo Testamento, precisamente da segunda carta de São Paulo aos Coríntios (2Cor 5,20 – 6,2), culminando com a Palavra de Deus, do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus (Mt 6,1-6.16-18). Estas três importantes leituras nos fazem entrar nesse tempo de graça para a conversão de vida. Se ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações”. Logo após a homilia, faz-se o rito da bênção e imposição das cinzas nas nossas cabeças, nos lembrando que somos pó e que nada levaremos quando retornarmos a Deus; senão as obras do amor que fizemos aqui na terra. Por isso, a Igreja nos propõe para esse Tempo, em especial a ESMOLA, a ORAÇÃO e o JEJUM.

Quando o sacerdote impõe as cinzas sobre as nossas cabeças, este, diz uma das duas fórmulas seguintes, propostas pela Igreja, ambas retiradas da Sagrada Escritura: Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15) ou Lembra-te que és pó, e ao pó hás de voltar (Gn 3,19).

Como já foi dito, o santo Tempo da Quaresma está pautado em três pilares que são a esmola, a oração e o jejum; sem estes, as ações que fizermos não terá eficácia diante de Deus. O próprio Jesus nos ensina os modos de praticar estes três atos. As três leituras da liturgia da missa vem nos mostrar a importância destes atos tão caros aos olhos de Deus.

A cor litúrgica usada nesse período é ROXA, para nos lembrar a penitência e a espera confiante do Senhor. Espera alegre da ressurreição.

Portanto, fiquemos atentos a esse período de transformação e de salvação.

Uma Santa Quaresma para todos!


QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Dia de jejum e abstinência.

- Cor Roxa.

- Ofício ferial quaresmal.

- Missa: própria (sem Credo), Prefácio quaresmal IV.


- LEITURAS:

- Jl 2,12-18;

- 2Cor 5,20-6,2;

- Mt 6,1-6.16-18 (A esmola, a oração e o jejum).


Leiamos com atenção o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus:

A esmola em segredo

1Guardai-vos de praticar a vossa justiça diante dos homens para serdes vistos por eles. Do contrário, não recebereis recompensa junto ao vosso Pai que está nos céus.  2Por isso, deres esmola, não te ponhas a trombetear em público, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, com o propósito de ser glorificados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 3Tu, porém, quando deres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz tua direita, 4para que tua esmola fique em segredo; e o teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.

Orar em segredo

5E quando orardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de fazer oração pondo-se em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 6Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando tua porta, ora a teu Pai que está lá, no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.

Jejuar em segredo 

16Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio como fazem os hipócritas, pois eles desfiguram seu rosto para que seu jejum seja percebido pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam sua recompensa. 17Tu, porém, quando jejuares, unge tua cabeça e lava teu rosto, 18para que os homens não percebam que estás jejuando, mas apenas teu Pai, que está lá no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará. (Mt 6,1-6.16-18). (A esmola, a oração e o jejum).


NOTAS PARA O TEMPO DA QUARESMA

1. Durante este tempo, é proibido ornar o altar com flores; o toque de instrumentos musicais só é permitido para sustentar o canto. Excetuam-se o domingo Laetare (4º Domingo da Quaresma), bem como as solenidades e festas.

2. A cor do tempo é a roxa. No domingo Laetare pode-se usar o cor-de-rosa (IGMR n. 308 f).

3. Em todas as Missas e Ofícios (onde se encontrar), omite-se o Aleluia.

4. Nas solenidades e festas, somente, como ainda em celebrações especiais, diz-se o Te Deum e o Glória.

5. Não são permitidas Missas votivas neste Tempo.

6. As Memórias obrigatórias que ocorrem neste Tempo podem ser celebradas como Memórias facultativas, mas da seguinte forma: a) acrescentar a leitura hagiográfica (depois da leitura bíblica com seu responsório) no Ofício de Vigílias com a oração do Santo; b) comemorar o Santo nas Laudes e Vésperas com antífona e oração própria, depois da oração ferial (esta sem conclusão); c) tomar, na Missa, a coleta do Santo em lugar da coleta ferial.

7. Na celebração do matrimônio, dentro ou fora da Missa, deve-se sempre dar a bênção nupcial; mas admoestem-se os esposos a que se abstenham de demasiada pompa.


INÍCIO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil promove, todos os anos, durante a Quaresma, a CAMPANHA DA FRATERNIDADE, cuja finalidade principal é vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social deste Tempo litúrgico. A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais da Quaresma: a ORAÇÃO, o JEJUM e a ESMOLA.

Neste ano, o tema da Campanha é: FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL e o lema: Vós sois todos irmãos e irmãs (Mt 23, 8).


NOTAS PARA A QUARTA-FEIRA DE CINZAS

a) Na Missa substitui-se o Ato Penitencial pela bênção e imposição das cinzas.

b) Depois do Evangelho e da homilia, benzem-se e impõem-se as cinzas feitas de ramos de oliveira ou outras árvores, bentas no Domingo de Ramos do ano anterior.

c) A bênção e imposição das cinzas também podem ser feitas sem Missa; neste caso, oportunamente, precede uma Liturgia da Palavra, aproveitando o canto de entrada, a Coleta e as leituras da Missa com seus cantos; depois da homilia, são bentas as cinzas e impostas, e o rito termina com a oração dos fiéis.

d) Em hora conveniente durante o dia, com a presença de toda a comunidade, celebra-se o Capítulo Quaresmal, podendo-se conceder a absolvição geral conforme o costume (cf. RM 208 e 331).

(Diretório Litúrgico da Congregação Beneditina do Brasil)

 

REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

DIRETÓRIO LITÚRGICO DA CONGREGAÇÃO BENEDITINA DO BRASIL. Org. D. José Palmeiro Mendes, O.S.B / Mosteiro de São Bento, RJ: EDIÇÕES LUMEM CHRISTI – Rio de Janeiro, 2024. 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)

 


segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

BIOGRAFIA DO BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE (1858–1923) Memória litúrgica celebrada em 30 de janeiro.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 29 de janeiro de 2024

 

ESCUTA, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra, quem quer que sejas que, renunciando às próprias vontades, empunhas as gloriosas e poderosíssimas armas da obediência para militar sob o Cristo Senhor, verdadeiro Rei (RB - Prólogo, 1,3).

O terceiro abade do mosteiro de Maredsous na Bélgica, o BEATO DOM COLUMBA MARMION foi um excelente e famoso diretor espiritual e também exímio pregador de retiros. Foi um grande escritor. Seus livros foram escritos baseados em seus muitos retiros. E considerados escritos clássicos do cristianismo pelo peso de suas Obras. Dom Columba Marmion procurava sempre viver o que pregava para os seus monges e outras comunidades em que passava como pregador, pois foi por essa coerência de vida que ele alcançou, ou seja, a santidade de sua vida, dando exemplo de Paternidade, Caridade, Fé, e Esperança. Pois, sem as últimas três virtudes o cristão não pode seguir perfeitamente a Jesus Cristo o seu Mestre.

Impressionante era a sua resignação diante das dificuldades que se apresentavam em sua vida, assim como se apresenta diante de todo cristão que deseja seguir verdadeiramente o Cristo. Ele dizia sempre diante dos obstáculos apresentados: Eu recebo com um sorriso cada obstáculo que se me apresenta.

Dom abade Columba Marmion nasceu no dia 1º de abril do ano de 1858 em Dublin na Irlanda. Foi ordenado sacerdote em Roma no mês de junho de 1881. E, em 1886 ingressa na abadia de Maredsous na Bélgica, da qual vieram monges para restaurar os mosteiros da Ordem no Brasil, nos séculos XIX e XX. Fez seus votos monásticos simples/trienais no dia 10 de fevereiro de 1888, professando os votos perpétuos solenes em 10 de fevereiro de 1881.

Em setembro do ano de 1899 foi nomeado no cargo de Prior da abadia de Monte Cesar, e em 28 de setembro de 1909, foi eleito pela comunidade monástica para ser o terceiro abade da abadia de Maredsous, recebendo assim a bênção abacial no dia 03 de outubro de 1909.

Em 30 de janeiro de 1923, na abadia de Maredsous, como uma pomba, o que significa o seu nome religioso, na língua latina, voa aos céus em fama de santidade, Dom abade Columba Marmion, para o grande encontro com Aquele que ele tanto amou e pregou em sua vida nesta terra. Portanto, os cristãos reconhecendo as suas virtudes deram abertura a sua causa de beatificação e canonização no dia 07 de fevereiro de 1957 e, sendo reconhecida as suas virtudes com os requisitos para dar-lhe como exemplo, para toda a Igreja de Cristo, ele foi beatificado pelo Papa são João Paulo II na Praça São Pedro em Roma, no dia 03 de setembro de 2000, ano jubilar de Nosso Senhor Jesus Cristo. E a sua memória litúrgica foi definida pela Igreja, para ser celebrada no dia 30 de janeiro.

Para nós monges beneditinos é uma grande alegria e força na nossa caminhada monástica diária, sabermos que podemos galgar a Escada da Humildade, tão ensinada por nosso Patriarca São Bento, na sua Regra para os mosteiros, precisamente no capítulo sétimo. Aqui cito o início do importante capítulo. Vejamos o que nos ensina São Bento a respeito dessa escada que se eleva até o céu:


Irmãos, a Escritura divina nos clama dizendo: “Todo aquele que se exalta será humilhado e todo aquele que se humilha será exaltado. Indica-nos com isso que toda elevação é um gênero de soberba, da qual o Profeta mostra precaver-se quando diz: “Senhor, o meu coração não se exaltou, nem foram altivos meus olhos; não andei nas grandezas, nem em maravilhas acima de mim. Mas, que seria de mim se não me tivesse feito humilde, se tivesse exaltado minha alma? Como aquele que é desmamado de sua mãe, assim retribuirias à minha alma.” Se, portanto, irmãos, queremos atingir o cume da suma humildade e se queremos chegar rapidamente àquela exaltação celeste para a qual se sobe pela humildade da vida presente, deve ser erguida, pela ascensão de nossos atos, aquela escada que apareceu em sonho a Jacó, na qual lhe eram mostrados anjos que subiam e desciam. Essa descida e subida, sem dúvida, outra coisa não significa, para nós, senão que pela exaltação se desce e pela humildade se sobe. Essa escada erecta é a nossa vida no mundo, a qual é elevada ao céu pelo Senhor, se nosso coração se humilha. Quanto aos lados da escada, dizemos que são o nosso corpo e alma, e nesses lados a vocação divina inseriu, para serem galgados, os diversos graus da humildade e da disciplina. (RB 7,1-9).

Dom abade Columba Marmion soube muito bem viver os ensinamentos de Cristo mostrados por São Bento, no mosteiro, e assim, ele galgou a cada dia essa Escada da Humildade dirigida ao céu. Certamente com quedas e acertos, pois, é essa a caminhada de todo cristão para o Reino de Deus. Importante sempre nos lembrarmos da promessa que fazemos na cerimônia de ingresso do nosso noviciado no mosteiro, quando dizemos: Apoiado não nas minhas próprias forças, mas na misericórdia de Deus”. Assim deve ser a vida do monge e de todo cristão que deseja seguir o Cristo com verdade e amor. Dom abade Columba era apaixonado pela sua vida monástica e sempre dizia: Tornei-me monge porque Deus me revelou a beleza e a grandeza da obediência. Foi por essa causa que ele alcançou a santidade, vivendo as Virtudes Teologais; a Fé, a Esperança e a Caridade. E ainda dizia: As maravilhas da adoção divina são assim tão grandes que a linguagem humana não dá conta de exprimi-la. É algo maravilhoso que Deus possa adotar-nos como filhos seus.

Mostrando um pouco mais do beato Dom abade Columba Marmion, escutemos o que nos informa a renomada revista “Pedras Vivas” dos Oblatos da abadia de Nossa Senhora do Monserrate do Rio de Janeiro:


Filho espiritual de São Bento, Dom Columba Marmion, terceiro abade de Maredsous (Bélgica), um dos mosteiros que enviou monges para a restauração da nossa Ordem no Brasil, foi beatificado aos 03 de setembro de 2000. Personagem de importância mundial, tanto para a espiritualidade monástica quanto para a espiritualidade cristã em geral, o beato Marmion foi aquele que, entre todos os autores espirituais da escola beneditina moderna, melhor soube difundir para um amplo público a espiritualidade bíblica e litúrgica, que desenvolvida por seus discípulos foi, em grande parte, elogiada e confirmada nos recentes documentos da Igreja. (Dom Justino de Almeida, OSB). (PEDRAS VIVAS. Revista: Oblatos do mosteiro de São Bento do Rio de janeiro – Ano XVII, nº 82 (Set-Out) / nº 83 (Nov-Dez) – 2014).

Que a vida do Beato Dom Columba Marmion passa nos impelir na vivência do Evangelho de Jesus Cristo, pois, esta é a finalidade da vida dos santos, ser exemplo de seguimento e fazer crescer o Reino de Deus no mundo.

Beato Dom Columba Marmion, rogai por nós. Amém.


OS ESCRITOS DO BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE

Graças a Dom Raymond Thibaut, seu secretário, o ensinamento oral de Dom Marmion foi preservado sob a forma de três livros:

- LE CHRIST, VIE DE L'ÂME, (O Cristo, vida da alma). 1917

- LE CHRIST EN SES MYSTÈRES, (O Cristo em seus mistérios). 1919

- LE CHRIST, IDÉAL DU MOINE, (O Cristo, ideal do monge). 1922

Não se esqueçam, são cerca de 1700 cartas, e um retiro dedicado a religiosos enclausurados, a quem pregou em várias ocasiões.

A UNIÃO COM DEUS EM CRISTO, de acordo com as cartas de direção espiritual de Dom Columba Marmion.

ORAÇÃO AO

BEATO DOM COLUMBA MARMION, O.S.B, ABADE

Deus, nosso Pai, Vós nos destes a graça de conhecer Vosso Filho em seus mistérios. A vosso Servo Columba destes o dom de falar sobre Vós. Esse dom ele o fez frutificar mediante sua irradiação em todo o mundo. Graças ao seu ensinamento, os batizados se tornam mais conscientes que são vossos filhos e são convidados a ver e a viver cada acontecimento em Cristo. Sabemos agora que nossa fraqueza é assumida na fraqueza de Cristo, aquela que Ele tomou sobre si para dar-nos em troca a força do Espírito. Daí somos encorajados a fazer parte do povo bendito dos pobres e dos sofredores aos quais ofereceis o vosso conforto e a quem abris sem descanso os mistérios do Reino, por Jesus, vosso Filho, que vive convosco e com o Espírito Santo agora e para sempre. Amém. 

Algumas importantes fotografias do Beato 

Dom abade Columba Marmion.








REFERÊNCIAS

ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B; Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.

PEDRAS VIVAS. Revista: Oblatos do mosteiro de São Bento do Rio de janeiro – Ano XVII, nº 82 (Set-Out) / nº 83 (Nov-Dez) – 2014.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57,9)