ELISABETH LESEUR UM MODELO DE LEIGA NA
VIDA DA IGREJA.
*16 outubro 1866
+03 maio 1914
Sua Memória é celebrada no dia 03 de maio.
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia - 03 de maio de 2022
“Meu Deus ajudai-me, e, sem que eu saiba,
servi-Vos de mim para fazer um pouco de bem. Fazei que, segundo uma comparação
que muito aprecio, eu seja o vaso grosseiro através do qual brilha uma luz que
alumia e aquece. Vós que sois essa luz, e, através de mim vinde alumiar as
almas que me são infinitamente caras”. (ELISABETH LESEUR, JORNAL E
PENSAMENTOS DE CADA DIA, 1954, p. 66).
Desde já peço desculpas aos meus leitores por
iniciar esta biografia falando um pouco da minha experiência e de como tive
contato com a santa vida de Elisabeth Leseur.
Pois
bem! Falar ou escrever sobre Elisabeth Leseur será sempre para mim grande
motivo de alegria. Eu tive a graça de ter contato pela primeira vez com uma das
suas belas obras, intitulada:
“CARTAS
SOBRE O SOFRIMENTO” livro editado no Rio de Janeiro no ano de 1950.
Isso ocorreu no ano de 2003, na biblioteca do Mosteiro de São Bento de
Garanhuns, Pernambuco, ao qual eu pertencia. Como um amante dos estudos, dei de
cara em uma das nossas estantes com o citado livro. Levei-o para minha cela, li-o
por inteiro e, percebi de imediato a grandeza da alma de Elisabeth Leseur, até
então desconhecida para mim. Fascinado pelo seu espírito, sua convicção cristã,
seu silêncio, seus sacrifícios unidos aos de Cristo pela Igreja, seu amor a
Deus e ao próximo, tomei-a como guia para certas ocasiões de minha vida
juntamente com outros santos de minha devoção. E, não errei ao fazer tal coisa!
A cada dia que me debruço sobre os seus preciosos escritos, encontro neles,
novas luzes que clareiam a minha pequena fé no bom Deus. Elisabeth Leseur é
daquelas almas que vai nos falando, nos ensinando coisas ocultas em relação a
nossa fé e, assim, vai nos fascinando, nos fortalecendo e nos enchendo do amor
de Deus.
Diante
disso, fiz inúmeras citações em folhas soltas e guardei-as para meus estudos
pessoais. Porque o livro não me pertencia. Se passaram os anos; porém em 2011
ao iniciar o Curso de Bacharelado em Teologia, o primeiro pensamento que me
veio à mente foi: vou fazer o meu trabalho de conclusão do curso sobre Elisabeth
Leseur. Porque eu já tinha bastante conhecimento sobre o seu pensamento
e a sua santa vida. E, mais uma vez, fiquei surpreso, porque durante o curso
teológico, um colega da turma me presenteou com mais uma de suas obras; outro
livro que não conhecia. A obra era: A vida espiritual de
Elisabeth Leseur editada em 1958. Livro: (cf. LESEUR, Elisabeth. A vida espiritual (Pequenos tratados de
vida interior). Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1958). Fiquei radiante de
alegria por ter agora uma obra para trabalhar na minha tese de conclusão do
curso. No entanto, precisava conseguir as outras para iniciar o trabalho
monográfico. Pensei. Como conseguirei as outras obras? No Brasil ela é pouco
conhecida e não tendo novas edições dos seus escritos ficaria difícil para mim
conseguir estes livros. Então entrei nos Sebos pela internet e encontrei todos
os seus principais livros. Fiquei muito feliz por isso e, assim, concluí o meu
trabalho monográfico sobre aquela que tanto me ajudou e ainda ajuda na minha
caminhada de fé e vocação. Por isso, esta serva de Deus é tão importante para
mim. Já conhecendo um pouco de como tive contato com tão grande alma, passemos
agora a falar da santa vida da serva de Deus.
Para
esta biografia usei como referência citando e comentando parte do meu trabalho
monográfico apresentado em 2015 na Faculdade de São Bento da Bahia, intitulado:
O
ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO SEGUNDO A SERVA DE DEUS ELISABETH LESEUR.
Quem
se depara com as obras de Elisabeth Leseur e não possui uma certa compreensão
do conceito de mística, não entenderá ou terá grande dificuldade para
compreender certos assuntos, pois a sua linguagem traz um cunho puramente
místico. Por exemplo quando ela diz que: “O sofrimento faz a vida: ele transforma
tudo o que toca e tudo o que atinge” (JORNAL E PENSAMENTOS DE CADA
DIA, 1954; p. 218). Aqui, os não entendidos de espiritualidade mística se
assustarão e não compreenderão tal afirmação. Em uma pequenina frase como esta
vem carregada de sentido de amor de Deus, de desapego, de entrega, de oblação,
etc. Portanto, os escritos Leseriano tem uma profundidade e iluminação do
Espírito Santo que fascina e impressiona os verdadeiros cristãos.
Na
primeira parte do seu Jornal, ou seja, seu Diário Espiritual, assim ela se
expressa: “Mas, atualmente, todos os desejos, impulsos, afetos que encerra minha
alma devem ficar comprimidos e não se expandir senão diante de Deus”. E
continua em seu pensamento: “Tudo o que isto representa de sofrimentos,
ofereço-o pelas almas que me são caras. Nada se perde, nem um sofrimento, nem
uma lágrima”. Nessa meditação de Elisabeth percebemos claramente a sua
grandeza de espírito e seu verdadeiro amor por Deus e pelas almas. Sua vida foi
toda de muitos sacrifícios oferecidos a Cristo com amor.
Ao
ouvir o termo “Sacrifício”, quantas almas, mesmo cristãs, fogem deste
nome, nem sequer deseja ouvi-lo, sem ao menos conhecer os seus frutos, é claro.
E estes frutos só virão se os seus sacrifícios forem unidos aos sofrimentos de
Jesus Cristo. Assim nos ensina o Apóstolo Paulo: “Agora regozijo-me nos meus
sofrimentos por vós, e completo o que falta às tribulações de Cristo em minha
carne pelo seu corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). Porque, de outra forma, sem a união com os padecimentos de
Cristo e sua conformidade com ele, de que valeriam os sacrifícios que fazemos e
os sofrimentos aos quais passamos nesta vida?
Elisabeth
é uma leiga parisiense que viveu no final do século XIX e início do XX, uma
mulher extraordinária, extremamente culta e de uma vida mística intensa repleta
de Deus e de grande amor pelo próximo, assim como nos pede Jesus nas Escrituras
Sagradas. “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos
amei, amai-vos também uns aos outros. Nisso reconhecerão todos que sois meus
discípulos se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo 13, 34-35).
Toda
a vida de Elisabeth foi só doação por si, pelos seus, de modo muito especial
pelo seu esposo Félix Leseur o qual era um ateu ferrenho contra a Igreja, ela
sacrificava-se pela Igreja e por todo o mundo. Assim, percebemos pela sua vida que
esta grande alma correspondeu àquilo que pede nosso Salvador Jesus Cristo. Isto
é, o Amor.
No
entanto, devido a esse amor pelo seu próximo e entrega ao seu amado Senhor
Jesus Cristo, a vida desta serva de Deus foi pautada em muitos sofrimentos, porém,
não apenas em sofrimentos, mas em alegrias e até êxtase. Sabemos bem que todos
aqueles que se dedicam ao reino de Deus, passam por muitas tribulações mas,
também alegrias, pois estes dois momentos da vida humana, nos ensinam novos
métodos de seguimento do Cristo. Momentos que se alternam na vida humana e que
todos passam por eles. Mas, para os verdadeiros cristãos, os sofrimentos e
tribulações não os privam das alegrias da vida, porque eles sempre enxergarão
estas tribulações como uma balança onde são pesados e assim cristalizados o
nosso amor. Estas duas forças, podemos chamar aqui, quando bem meditadas e vividas
com equilíbrio, só nos fortalece, nos encoraja e nos impulsiona a ter uma ligação
mais íntima com o Criador e sua criação. Assim aconteceu com essa alma de escol
que aqui apresento.
PAULINE ELISABETH ARRIGHI, seu nome de
batismo, mais tarde conhecida e chamada de SENHORA ELISABETH LESEUR por contrair núpcias
com um afamado médico Felix Leseur no dia 31 de
julho de 1889. O senhor Félix Leseur estará ligado a toda a sua história não
apenas por ser seu esposo, mas por causa da sua conversão, pois, quase todos os
sacrifícios feitos por Elisabeth em segredo, conhecidos apenas por Deus, veio a
público após a sua morte, ocorrida no ano de 1914. A conversão de Félix Leseur,
só ocorreu após a morte de Elisabeth no mesmo ano, ingressando este como noviço
na Ordem dos Pregadores de São Domingos (Dominicanos)
no ano de 1919, sendo assim ordenado sacerdote em 1923. Como profetizara muitos
antes a sua amada esposa. Por duas vezes Elisabeth faz esta profecia em relação
a Félix, que ele ainda seria um bom cristão e se tornaria religioso. No
convento, Félix com a aprovação do seu superior, passou a maior parte dos seus
vinte sete anos restantes a falar sobre os escritos espirituais da sua esposa.
A figura de Félix foi de grande importância para a abertura do processo da
causa de beatificação e canonização de Elisabeth Leseur, o qual foi iniciado em
1934.
Elisabeth
nasceu no dia 16 de outubro de 1866 na cidade de Paris – França, na “Rue
Baillif” perto do museu do Louvre. Esta rua desapareceu para dar lugar à
ampliação do Banco de França, sendo demolida a casa onde nascera. Era filha do senhor
Antônio
Arrighi, “católico não muito praticante, porém possuía uma vida
exemplar”; homem de grande valor intelectual e extrema bondade, era de origem
Corsa, doutor em direito, advogado da corte imperial, membro do conselho geral
da Córsega (eleito em 1867). O Sr. Arrighi faleceu no dia 29 de dezembro de 1889);
e da senhora Gatienne Maria Laura Picard, nascida no dia 30 de
dezembro de 1842 a qual pertencia a uma família da antiga burguesia. “Mulher
religiosa mas um pouco formalista – a quem a filha dedicaria Apelo
a vida interior”. Elisabeth
é a primeira no total de cinco filhos do casal; 2) Amélia, nascida em 04 de setembro de 1868), 3) Pedro, nascido em 13 de
agosto de 1870), 4) Julieta,
nascida em 05 de setembro de 1872), e 5)
Maria,
nascida 18 de março de 1875). Julieta é a preferida de Elisabeth.
Certa
vez, Félix Leseur disse que, quando se pediu para escrever um tema para o
diário de sua irmã pequena, Elisabeth escreveu o seguinte: “TODA ALMA QUE SE ELEVA, ELEVA
O MUNDO”. Esta é a frase mais conhecida e comentada de Elisabeth.
Citada até por São João Paulo II na sua Exortação Apostólica “Reconciliatio
et Penitentia” n. 16.
No
ano de 1895 Elisabeth sofre um grave acidente de automóvel. Do qual veio a
sofrer por toda a sua vida deixando-lhe uma sequela.
Interessante
que no ano de 1897, ela teve uma grande crise de fé. Felix fazia o possível
para afastar a sua esposa das práticas da Igreja, e assim, durante uma viagem a
Bayreuth para o Festival Wagner, rompeu-se o frágil fio que ainda a prendia à
prática da religião. Félix consegue por algum tempo afastar Elisabeth da sua
piedade.
Esta
crise durou até o verão do ano de 1898. Ela ler: Origens do Cristianismo
de Renan (negativista, antigo seminarista de Issy. Ele odiava a pessoa de
Cristo) – e A VIDA DE JESUS. Esta obra Elisabeth a confronta com o
Evangelho e descobre que tudo neste livro é apenas erros. Tudo em sua alma
revive e volta a sua prática espiritual com mais força.
Um
fato muito interessante ocorrera na vida de Elisabeth em uma das suas muitas
viagens. A do dia 10 de julho de 1910 quando ela vai de Paris a Jougne onde
possuía uma propriedade, e faz uma parada em Beaune, que não conhecia, e visita
o célebre hospital nesta cidade, nessa visita, ela conhece uma pequena menina
chamada MARIA que estava enferma e firma com ela uma bela
amizade. A menina Maria falece no dia 16 de dezembro de 1910. Essa criança foi
muito importante na vida de Elisabeth, porque foi a partir dela que nasceu uma
verdadeira e santa amizade com a IRMÃ MARIA GOBY, religiosa da
Congregação das Irmãs Hospitaleiras, que trabalhava nesse hospital. Em 11 de
agosto de 1911 Elisabeth se encontra com a Irmã Maria Goby, pela primeira vez,
e fica encantada, pois nela, Elisabeth vê a alma que sempre desejava encontrar.
Esta irmã foi uma alegria para o seu coração. Dessa santa amizade nasceu mais
tarde a sua mais importante Obra intitulada: “CARTAS SOBRE O SOFRIMENTO”
obra que foi editada pelo seu esposo Félix, após a morte de Elisabeth.
Em
1905 junto ao leito da sua irmã Julieta que se encontrava enferma, Elisabeth fez
uma profecia em relação ao futuro de Félix Leseur prevendo assim a sua
conversão ao cristianismo. Felix não dar nenhuma importância a isso, pensa que
seja pela fragilidade diante a doença da sua irmã. Achando tal afirmação
absurda.
Passando-se
os anos, em 1912 Elisabeth faz mais uma vez aquela mesma profecia que fizera
junto ao leito de morte de sua cara irmã Julieta em 1905. Diz mais uma vez a
seu esposo Félix: “Quando eu morrer, você se converterá e far-se-á religioso: será Dom
Leseur, ou Frei Leseur… sim você será Frei Leseur”. “Se eu tiver de deixar
você, Félix, você far-se-á monge. Conheço bem você, e estou absolutamente certa
de que no dia em que você voltar a Deus não se deterá em meio do caminho, pois
não faz as coisas pela metade”. Muitos sacrifícios que ela fazia era
para que o seu amado esposo se convertesse a Deus.
Na
sua vida espiritual Elisabeth Leseur teve muitos arroubos d’alma, isto é,
aquela união estreita com seu Deus, união que os santos místicos sentiam, a
qual deixavam em suas almas um gozo indelével. Certo dia, estando ela em
peregrinação na cidade de Roma, no dia 22 de abril de 1903, precisamente na
basílica de São Pedro, a Serva de Deus sente um destes arroubos da alma. Em
relação a esta união com Deus assim Elisabeth descreve em seu diário: “Fui
só, e depois de me ter confessado a um padre que falava francês, fui comungar
na capela do Santíssimo. Esses instantes foram completos, e sobrenaturalmente
felizes. Senti viver em mim, presente e trazendo-me um inefável amor, o Cristo
abençoado, o próprio Deus; aquela alma incomparável falou a minha, e toda a
ternura infinita do Salvador passou um instante em mim. Essa marca divina
jamais se apagará. O Cristo Triunfante, o Verbo Eterno, Aquele que, homem,
sofreu e amou, o Deus Uno e Vivo, tomou posse de minh’alma e eternamente, nesse
momento indelével; senti-me por Ele renovada até ao íntimo, pronta para a nova
vida, para os deveres, para a obra que quiser a Providência. Dei-me sem
restrição, o presente e o futuro.” (JORNAL E PENSAMENTOS DE CADA DIA,
1954, p. 72). Diante dessa proximidade de Deus, Elisabeth se enche de amor,
coragem, força, fé etc, para enfrentar as dificuldades do presente e as futuras.
Por isso, ela nos diz: “De volta achei-me logo numa atmosfera de
ironia, de crítica e de indiferença. Mais, pouco importava; a chama do Cristo
ardia ainda dentro de mim.” (JORNAL E PENSAMENTOS DE CADA DIA, 1954, p.
72).
Em
seu leito de morte, no mês de abril de 1914 ela profetiza mas uma vez, porém,
desta vez foi em relação a grande Primeira Guerra Mundial, três meses antes do
início. Desde o dia 12 de agosto de 1914 primeira grande Guerra rugia nas
fronteiras (França x Alemanha) como Elisabeth Leseur tinha profetizado em seu
leito de morte. Esta primeira Guerra teve início em 28 de julho de 1914 e durou
até 11 de novembro de 1918.
No
dia 28 de abril ela recebe os últimos Sacramentos (Extrema Unção). E em 29 de
abril, deu seu último sorriso para Félix e perde a consciência até o fim.
No
domingo no dia 03 de maio de 1914, precisamente na Festa da Invenção da Santa
Cruz às 10h e 30min. da manhã ela entrega seu espírito ao Criador. Seu rosto
permaneceu doce como o de um ser gozando de uma paz sobrenatural. Assim como
foi a sua santa vida.
Esta
alma, através dos seus sacrifícios ajudou muitas outras almas que vinham pedir-lhe
ajuda. Podemos ver isso numa das suas obras intitulada: Cartas a incrédulos.
Onde aconselhava as pessoas que vinham ao seu encontro. Sua grande preocupação
era a salvação das almas sacrificando-se por elas. Com estes mesmos sacrifícios
conseguiu do seu bom Deus a conversão do seu marido Félix Leseur, que era
brilhante médico, um ateu inimigo ferrenho da Igreja Católica e também de
muitas outras pessoas que via nela um modelo a ser seguido.
Mesmo
diante de tantos sacrifícios, ela possuía uma alegria que contagiava a todos
aqueles que se aproximavam dela. Elisabeth não era fechada em si, mesmo sendo uma
alma do silêncio; ao contrário, ela era muito amável, compreensiva, caridosa, tinha
uma alegria ontológica vinda de Deus. Em relação a essa alegria ontológica,
Elisabeth Leseur faz referência em seus escritos dizendo: “Ser alegre sempre” – em certas
horas compreende-se o sentido sublime da palavra de São Paulo. Há uma alegria
que as maiores dores não aniquilam, uma luz que brilha no meio das trevas mais
espessas, uma força que sustenta as nossas fraquezas. Sós, cairíamos por terra,
como Cristo carregando a cruz; no entanto, caminhamos, ou nossas quedas são
apenas passageiras e logo nos levantamos corajosos. E’ que, “tudo podemos
n’Aquele que nos fortalece”. Entes fracos, trazemos em nós a Força infinita, e
no fundo de nossa alma brilha a luz que nunca se apaga. Como não ficar alegres
apesar de tudo, de uma alegria sobrenatural, quando temos Deus na vida e para a
eternidade? (JORNAL E PENSAMENTOS DE CADA DIA, 1954, p. 224).
Porquanto,
encerro como bem falou seu esposo Félix Leseur: “Não insistirei mas. Penso ter
dito o bastante para fazer apreciar o que foi a piedade de Elisabeth”.
No entanto, meditemos nesta oração composta pela Serva de Deus, a qual traz o
resumo da sua santa vida. “Meu Deus, deposito a Vossos pés meu fardo
de sofrimentos, tristezas e renúncias; ofereço tudo pelo Coração de Jesus e
imploro Vosso Amor que transforme essas provações em alegria e santidade para
aqueles que amo, em graças para as almas, em dons preciosos para Vossa Igreja.
Neste abismo de acabrunhamento físico, de desgostos e de fadiga moral, de
trevas nas quais Vós me mergulhastes, deixai passar um reflexo de Vossa luz
triunfante. Ou melhor (pois as trevas do Getsêmani e do Calvário são fecundas),
fazei com que todo esse mal sirva ao bem de todos. Ajudai-me a ocultar o
despojamento interior e a pobreza espiritual sob a riqueza do sorriso e os
esplendores da caridade.” (DUHAMELET, 1966, p. 86).
Elisabeth
Leseur é um modelo de leiga a ser seguido na Igreja. Que ela interceda por
todos os casais, e principalmente por aqueles que se encontram longe de Deus.
Serva de Deus Elisabeth Leseur, rogai por nós. Amém.
ORAÇÃO
Pedindo a intercessão da
Serva de Deus Elisabeth Leseur
Deus, nosso Pai, fortificastes tua serva
Elisabeth com prudência admirável e uma profunda vida interior, de modo que ela
pudesse dar testemunho de Cristo ante seu marido e no mundo descrente que a
cercava. Vós a cumulastes com grande humildade, tornando-a capaz de aceitar
seus sofrimentos como uma oração agradável a Ti. Nós te agradecemos, Pai, pelas
dádivas concedidas a tua Serva, pelos exemplos que ela deu para as mulheres de
hoje, e pelos benefícios obtidos em nossa família através de sua intercessão. Estamos
confiantes vos rogamos que, através de sua intercessão concede-nos a graça de…
(Pedir a graça desejada). Também
pedimos que, se for Vossa vontade, a Igreja reconhecer a santidade da vida de
Elisabeth, para a glória da Santíssima Trindade. Nós pedimos por Cristo Nosso
Senhor. Amém.
Com aprovação eclesiástica
_________________________________________________
ORAÇÃO PARTICULAR
Para obter a Beatificação
da Serva de Deus
ELISABETH LESEUR
Ó Deus, que em Vossa fiel Serva, Elisabeth
Leseur, nos destes tão admirável exemplo de intensa vida interior em meio às
distrações do mundo, bem como de aceitação e amor do sofrimento, “forma
completa de oração” e “poderoso meio de apostolado”, fazei nós Vos pedimos,
que, por sua intercessão, possamos imitar suas sólidas virtudes e continuar sua
grande ação. E, se for conforme a Vossos misericordiosos desígnios que a Vossa
Serva seja glorificada pela Igreja, dignai manifestar, por favores celestes
cada vez mais assinalados, o poder que ela goza junto a Vós. Nós Vo-lo pedimos
instantemente pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo que, com o Espírito
Santo, vive e reina por todos os séculos dos séculos. Amém.
(Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória ao Pai)
Graças alcançadas, favor informar aos promotores
ENDEREÇOS PARA A CAUSA DE
BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO
DA
SERVA DE DEUS DE ELISABETH
LESEUR
The cause for the
canonization of Elisabeth Leseur
is being handled in
Rome by:
Fr. Innocenzo Venchi,
O.P.
Postulator Generalis
Curia Generalizia dei Padri Domenicani
Convento Santa Sabina (Aventino),
Piazza Pietro d’Illiria, 100153 Roma (Italia)
Telephone: (39) 6 57 941
Fax: (39) 6 57 50 675
Frei Llewellyn Muscat O.P.
postulatio@curia.op.org
ALGUMAS OBRAS DE
DA SERVA DE DEUS ELISABETH LESEUR
-
LESEUR, Elisabeth. Diário de infância.
-
LESEUR, Elisabeth. Jornal e pensamentos de cada dia.
Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1954.
-
LESEUR, Elisabeth. Cartas sobre o sofrimento. Rio de
Janeiro: Irmãos Pongetti, 1950.
-
LESEUR, Elisabeth. Cartas a incrédulos. Rio de Janeiro:
editora – Irmãos Pongetti, 1926.
OBRAS SOBRE ELISABETH
LESEUR
-
LESEUR, Elisabeth. A vida espiritual (Pequenos tratados
de vida interior). Rio de Janeiro: Irmãos Pongetti, 1958.
-
LESEUR, R. P. M. Albert. Vida de Elisabeth Leseur.
Rio de Janeiro: 6. ed. Irmãos Pongetti, 1931.
ALGUMAS FRASES E MEDITAÇÕES
DA
SERVA DE DEUS ELISABETH
LESEUR
-
“Regulei meus dias
todos a fim de que eles sejam o mais possível o resumo de toda a minha vida.
Oração, minha querida meditação matinal, o trabalho feito conscienciosamente,
um pouco de trabalho ou cuidado com os pobres, depois meus deveres de família e
de interior. […]. Assim que puder quero me dedicar a alguma obra útil e bela.”
-
"Elevando a minha alma
e cumprindo o meu dever, posso, segundo uma palavra que admiro, "elevar o
nível da humanidade". "Toda alma que se eleva, eleva o mundo."
-
“Uma resolução que
tomei com energia e comecei a pôr em prática apesar de um estado físico e moral
defeituoso, é de ficar “alegre” no sentido cristão da palavra, alegre para a
vida, para os outros e para mim mesma, tanto quanto puder. Meu Deus ajudai-me,
e “venha a nós o vosso reino.”
-
"Não quero mais
"arrastar" minhas numerosas enfermidades, mas "carregá-las"
com a alma alegre, unindo-as à cruz do doce Salvador."
-
“O mundo não compreende
a dor, não conhece a piedade e ignora a consolação. Como penetraria ele o
infinito do sofrimento quando não põe infinito no amor e na alegria?”
-
"Amar por aqueles que
odeiam, sofrer por aqueles que gozam, dar-se por aqueles que se poupam."
-
"Sejamos como a vela,
que consome sua própria substância para dar luz e calor aos que as cercam."
-
“As agitações,
amarguras, tudo o que vem de fora ou de nosso ser sensível, acalmam-se logo,
quando fazemos um pouco de silêncio em nós mesmos e retomamos fôlego junto de
Deus.”
-
"Quem procura a verdade
achará Deus."
-
“Aceitar e procurar os
sofrimentos e penitências em segredo sem nada fazer que possa atrair a atenção,
redobrando, ao contrário, de amabilidade e doçura.”
-
"O sofrimento aceito e
oferecido constitui a oração por excelência."
-
"As bases de toda a
vida cristã: Penitência, humildade. A forma de toda vida cristã: Contemplação,
seguida por ação no sacrifício."
-
"Ser cristã: plena,
razoável, sobrenaturalmente cristã. Orar, agir, trabalhar, amar."
-
"Parece-me que o que
mais falta a esta geração é o recolhimento."
-
"Receber de bom grado a
provação pequena ou grande aceitá-la, oferecê-la."
- "O silêncio é guarda seguro da humanidade."
- Uma
resolução que tomei com energia e comecei a pôr em prática apesar de um estado
físico e moral defeituoso, é de ficar “alegre” no sentido cristão da palavra,
alegre para a vida, para os outros e para mim mesma, tanto quanto puder. Meu
Deus ajudai-me, e “venha a nós o vosso reino.”
REFERÊNCIA
-
DOM GILVAN FRANCISCO DOS SANTOS, O.S.B. O ESPÍRITO DE SACRIFÍCIO SEGUNDO A SERVA
DE DEUS ELISABETH LESEUR. Trabalho monográfico apresentado ao Curso
de Teologia, da Faculdade São Bento da Bahia, como requisito para obtenção do
título de bacharel em Teologia. Orientador: Prof. Me. Jairo de Jesus Menezes – Salvador,
2015.
ALGUMAS FOTOS E FRASES DA
SERVA DE DEUS
Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)