quinta-feira, 15 de novembro de 2018

PEQUENA BIOGRAFIA DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA OU MAGNA, O.S.B (1256-1302)


 Pintura de Santa Gertrudes onde é representado Jesus morando em seu coração

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 16 de novembro de 2018

EEis, amabilíssimo Senhor, que vos ofereço meu pobre coração para que nele vos deleitais, como vos aprouver”.

(Santa Gertrudes Magna, O.S.B)


DADOS BIOGRÁFICOS

NASCIMENTO: 6 de janeiro de 1256, Eisleben, Alemanha

FALECIMENTO: 17 de novembro de 1302, Kloster Helfta, Saxônia, Alemanha, aos 46 anos.

CANONIZAÇÃO: 1677 pelo Pontífice Clemente XII



PEQUENA BIOGRAFIA DE
SANTA GERTRUDES DE HELFTA OU MAGNA, O.S.B
(1256-1302)
Sua memória é celebrada a 16 de novembro

Apresento a vocês mais uma das grandes santas da nossa Ordem Beneditina. Talvez uma das mais conhecidas, por causa das Obras que escreveu; esta é Santa Gertrudes de Helfta, OSB (1256-1302) ou Santa Gertrudes, a Grande. Foi ela uma monja beneditina, Abadessa, mística e teóloga alemã. Dizemos ser Abadessa, porque, esta, é comumente representada na arte com o báculo pastoral, devido a sua grande capacidade de dirigir almas para Deus. Portanto, saibamos que Santa Gertrudes nunca recebeu esse cargo. A Santa passou toda a sua vida na importante Abadia de Helfta, tendo como sua Abadessa, e confidente de sua alma outra grande mulher; Santa Mectildes ou Matilde de Hackeborn (1241/42-1298). Tanto Mectilde de Hackeborn como Santa Gertrudes, teve ambas grandes revelações do Sagrado Coração de Jesus.

Santa Gertrudes de Helfta, ou a Grande, OSB (1256-1302) foi uma monja beneditina, da Ordem Cisterciense, mística, pois teve uma vida muito intensa nesta forma de espiritualidade e também uma grande teóloga porque era uma grande estudiosa das Sagradas Escrituras, praticante, e amante destas letras divinas. Mulher de grande sabedoria infusa. Um dom divino do Espírito Santo. Mas, nem por isso sua vida foi isenta de sofrimentos e dores, pois o amor passa pelo vale de dores, para que, mais e mais, seja purificado esse amor e assim um maior zelo por Deus e tudo o que lhe pertence envolve a alma daquele que o busca.

Santa Gertrudes nasceu no dia 06 de janeiro do ano de 1256, não sabemos o nome de seus pais nem o local exato de seu nascimento. Ao completar cinco anos de idade, (ano 1261), seus pais a confiaram a importante Abadia de Helfta sob os cuidados de uma mulher brilhante, intelectual, de acentuada espiritualidade a grande Abadessa Gertrudes de Hackeborn (1231/32-1291/92) que teve um longo e frutuoso abaciado de 40 anos e era irmã de sangue de Santa Mectilde de Hackeborn. Por isso, são confundidas a Abadessa Gertrudes de Hackeborn com Santa Gertrudes de Helfta ou Magna.

A pequena criança foi confiada aos cuidados de Santa Mectildes para que pudesse ser instruída na espiritualidade e nas outras ciências. Assim, diz-nos nosso querido Papa emérito Bento XVI a respeito da Santa. “Em 1261 chegou ao convento uma criança de cinco anos, chamada Gertrudes: é confiada aos cuidados de Matilde, com apenas vinte anos, que a educa e guia na vida espiritual, a ponto de fazer dela não só a discípula excelente, mas também a sua confidente” (BENTO XVI. Audiência geral - 29 de setembro de 2010).

Santa Gertrudes de Helfta é bastante conhecida por causa das visões do Sagrado Coração de Jesus e por escrever um livro sobre as revelações de Jesus feitas à Santa Matilde de Hackeborn. Esta Obra chama-se: “Das graças especiais”. Obra que rendeu muitas graças para um grande número de almas. Portanto, Santa Matilde de Hackeborn fica no anonimato e Gertrudes de Helfta em evidência.

Santa Gertrudes não só escreveu o livro de Santa Mectildes mas, também escreveu as suas grandes revelações e visões do dulcíssimo Coração de Jesus uma esplêndida obra chamada: “Segredos do Coração de Jesus.

Santa Gertrudes rezava muito pelas pessoas que lhe pediam orações e pelas outra tantas necessidades que apareciam seja no Mosteiro ou no mundo. Certa vez disse Jesus a Santa: “Todas as vezes que uma pessoa se recomenda às orações de outra com a confiança de alcançar assim a graça divina, o Senhor a recompensa conforme seu desejo, mesmo que a pessoa a quem se pediu a assistência se descuide de rezar com devoção”.

Jesus fez a Santa várias promessas referentes àqueles que a ela se dirigissem com fervor e fé, pedindo-lhe o auxílio divino. E o bom Senhor deu-lhe um poder tal de intercessão, que qualquer alma que lhe pedisse algo no nome de Gertrudes, receberiam a graça que lhe fora pedida. Numa ocasião Santa Gertrudes assim fala ao Senhor: “Queríeis sem dúvidas que os outros se enfeitassem com a virtude da humildade para chegar até Vós e, ainda que não tivésseis necessidade de mim para isso, aprouve a vossa infinita bondade servir-se de minha indigência, para que eu pudesse ter parte nos méritos dos que, seguindo meus conselhos, provassem o fruto da salvação [...]. Ainda me concedestes um quarto benefício dando-me a preciosa garantia de que quem se recomendasse às minhas orações com humildade e devoção certamente obteria todo o fruto que se pode esperar de uma intercessão [...], pois me dáveis parte nos méritos dos que Vos pedem essas graças por meio de vossa indigna serva” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, 2011, p. 66).

A obra de Santa Gertrudes está repleta de promessas feitas pelo Senhor a Santa. Aqui mostro mais uma entre tantas outras que o senhor lhes concedeu: “Enfim, por excesso de Vossa liberalidade, ó meu Deus, ainda fizeste esta promessa: quando após minha morte, uma alma recomendar-se a minhas indignas orações, lembrando-se da divina familiaridade com que me honrastes, Vós a atenderíeis com prazer, com tanto que, em reparação de suas próprias negligências, essa alma Vos dê graças com humilde devoção pelos cinco benefícios particulares com que me enriquecestes” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, 2011, p. 68).

Outra grande graça concedida pelo Senhor a Santa, foi a impressão das suas Santas Chagas em seu corpo também a transverberarão, isto é, o seu coração é transpassado de amor por uma lança divina. Assim nos diz como ocorreu este fato: "Eu (Gertrudes), recitava esta prece: 'Pelo vosso Coração transpassado, ó Senhor amantíssimo, dignai-vos transpassar meu coração com os dardos de vosso amor, para que nada de terrestre nele permaneça e que ele seja repleto unicamente da virtude de vossa divindade'. Tendo assim rezado, bem depressa percebi – através de uma graça interior e de um sinal externo que vi surgir sobre o crucifixo – que minha prece havia chegado ao vosso Coração. Com efeito, depois de receber o sacramento da vida, já de volta ao meu lugar, pareceu-me ver partir do lado direito do crucifixo que está impresso sobre meu livro algo como um raio de sol, cuja extremidade tinha forma de uma flecha. Este raio emanava vigorosamente em minha direção. Conteve-se por um instante, depois se lançou novamente e permaneceu fixo, atraindo toda a minha afeição".

Quando contemplamos as imagens de Santa Gertrudes, seja ela escultura ou pintura, um detalhe é de grande importância. Ela está quase sempre com um coração na mão, ou em seu coração podemos ver um lindo menino dentro. Isso nos quer mostrar que Jesus repousa no seu coração devido a uma promessa do próprio Senhor a ela. E, também por que uma grande propagadora do culto ao seu Sagrado Coração. A Abadia de Helfta teve três grandes Santas que tiveram revelações do Sagrado Coração de Jesus. São elas: Santa Mectilde ou Matilde de Hackeborn, Abadessa de Gertrudes, a própria Santa Gertrudes Magna e Santa Matilde ou Mectilde de Magdeburgo (1207-1282). Verdadeiras pérolas do Mosteiro de Helfta.

Peçamos a Santa Gertrudes que sempre interceda por nós no céu onde já goza das bem-aventuranças do Senhor. E também ao Nosso Patriarca São Bento. Amém.

Santa Gertrudes, rogai por nós!


ALGUMAS ORAÇÕES REZADAS POR
SANTA GERTRUDES DE HELFTA, O.S.B

Oração a Santa Gertrudes de Helfta 

Ó Santa Gertrudes, vós que fostes privilegiada com inúmeras graças do Senhor, e te dedicastes com amor na propagação da devoção litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, na meditação e estudos das Sagradas Escrituras. Concedei-nos, vos pedimos com fé ardente, o amor puro e sincero a Jesus e a sua Santa Igreja, para que possamos glorificar e trabalharmos com zelo para o crescimento do reino de Deus na terra. Por nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Composição:

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, 15 de novembro de 2018 


ORAÇÃO
“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, fazei-me aspirar a Vós de todo o meu coração, com desejos ardentes e alma sequiosa de respirar em Vós que sois a doçura e a suavidade por excelência. Concedei-me que todo o meu ser seja ávido de Vós, ó extrema e verdadeira Beatitude! Ó misericordioso Senhor! Gravai em meu coração vossas chagas divinas por meio de vosso precioso sangue, a fim de que nele eu veja ao mesmo tempo vossas dores e vosso amor. Que a lembrança de vossas chagas permaneça sempre no íntimo de meu coração para nele excitar uma ardente compaixão e acender o fogo de vosso amor. Fazei-me sentir o vazio das criaturas e sede a doçura de minha alma” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 20).

ORAÇÃO
“Por vosso coração transpassado, ó Senhor amorosíssimo, transpassai o coração de Gertrudes com os dados de vosso amor, para que ali nada transpareça de terreno e somente resida a força de vossa divindade” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 24).

ORAÇÃO
“Senhor, eu não sou digna da menor de vossas graças, mas, pelos méritos e desejos de todos os que estão aqui, suplico-Vos que transpasseis o meu coração com a flecha de vosso amor” (Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II, p. 24).


REFERÊNCIAS

GERTRUDES, Santa. Segredos do Coração de Jesus. Revelações de Santa Gertrudes, livro II / Santa Gertrudes; [tradução: Celso da Costa Carvalho Vidigal]. – Artpress – São Paulo, 2011.

______, Santa. Mensagem do amor de Deus. Revelações de Santa Gertrudes, livro III / Santa Gertrudes; [tradução: Celso da Costa Carvalho Vidigal]. – Artpress – São Paulo, 2009.

MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.

MENSAGEM DA MISERICÓRDIA DIVINA: o arauto do amor divino; [tradução do original latino, cotejado com o texto francês e espanhol por Maria Zuleika Bezerra]. – Juiz de Fora: Ed. Subiaco, 2012.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


sábado, 6 de outubro de 2018

BIOGRAFIA DE SANTA FAUSTINA KOWALSKA (1905-1938) A SECRETÁRIA DA MISERICÓRDIA DIVNA.


Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 06 de outubro de 2018.

INTRODUÇÃO  

O nosso mundo está em convulsão quase que total, no campo da natureza e nos dos humanos. Uma grande crise de fé que adentra em todos os setores, civil e religioso. Verdadeiramente estamos em uma grande escuridão. Mas, que podemos fazer para ao menos amenizar tal situação? JESUS EU CONFIO EM VÓS! Esta jaculatória acalma qualquer alma que se encontra em situação de perigo ou desespero. Ensinada pelo próprio Jesus a Santa Maria Faustina do Santíssimo Sacramento, no ano de 1931, para nos refugiarmos em seu dulcíssimo e Sacratíssimo Coração, nas horas de sofrimentos.

Santa Faustina ingressou na vida religiosa no dia 1º de agosto de 1925, o dia mais feliz de sua vida, porque neste dia se cumpria a promessa de Cristo. Ela foi aceita na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia (Diário n. 13). Ela bateu em muitas outras portas de conventos mas não foi aceita. Tudo estava nos planos de Deus. Deus a queria justamente nessa Congregação.

Este texto foi extraído do FILME: Documentário sobre a vida de Santa Faustina e a Divina Misericórdia. Comentado por Helen Hayes. Documentário excelente! Bem como do seu diário onde também fiz alguns comentários de cunho pessoal, com os quais desejo mostrar aos meus leitores a grande importância da vida santa de Santa Faustina e a sua grande Missão em relação a insondável Misericórdia de Deus, que é o seu maior atributo.

Que a exemplo de Santa Faustina possamos ser fiéis a Deus na nossa caminhada neste terrestre, para que, assim, alcancemos, no final de nossa vida, a salvação de nossas almas e o convívio eterno no reino de Cristo.

Boa leitura!



VIDA DE SANTA FAUSTINA KOWALSKA

(Helena Kowalska)
* 25 de agosto de 1905
+ 05 de outubro de 1938

Irmã Maria Faustina do Santíssimo Sacramento

                              Vilna, 28 de julho de 1934

Ó grande Sacramento Divino 
Que ocultas o meu Deus, 
Jesus, ficai comigo em todos os momentos.
E o temor não dominará o meu coração. 
                                                   (Diário, n. 4)


SANTA MARIA FAUSTINA DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO, ou seja, Santa Faustina Kowalska, nasceu na Polônia no dia 25 de agosto do ano de 1905, e faleceu com grande fama de santidade ainda muito jovem no dia 05 de outubro de 1938. O seu nome civil era HELENA KOWALSKA.

Helena praticamente nada conhecia da Santa Teologia. Apenas algumas vidas de santos missionários e monges. Era o que seus pais a ensinara. Estes ensinamentos lhe valeu muito, posteriormente, na sua vida no convento. Deus quando deseja revelar ao mundo a sua Mensagem, Ele quase sempre escolhe pessoas bastante simples para assim confundir os sábios deste mundo. Assim nos fala Jesus nas Escrituras: “Eu te louvo, ó pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e doutores e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25). Por isso, escolheu esta freira comum dentre tantas outras, para que ela revelasse ao mundo inteiro a sua Mensagem de Misericórdia. Que é seu maior atributo! Vemos Santo Agostinho (354-430) dizer: “O Vosso Cristo ó Deus, é a Vossa misericórdia”. Tanto Santo Agostinho como São Tomás de Aquino (1225-1274) chamaram a Misericórdia “o maior atributo de Deus” Santa Faustina diz o mesmo. E assim, podemos também ver que do livro do Gênesis ao livro do Apocalipse, falar da Misericórdia de Deus; e, isso, teve bastante influência na literatura do mundo.

Santa Faustina não teve instrução teológica. Ela nem tinha tempo de ler estes autores como Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino. No entanto, os seus escritos mudaram muitas vidas para sempre.

O seu DIÁRIO, que é uma obra prima de grande espiritualidade mística, parece ser um relato simples de uma jornada espiritual de uma mulher, a semelhança de muitas outras que escreveram; bem como: Santa Teresa d’Ávila (1515-1582), Santa Catarina de Sena (1347-1380), ou Santa Teresinha (1873-1897).  Mas, o que influi para o conforto que ele trouxe para milhares de pessoas durante a Segunda Guerra mundial, e o que influi para rápida aceitação dessa Mensagem e da devoção que ele inspirou? E, no entanto, em 1958 tudo isso foi banido pelo Vaticano. Sabemos bem que todas as coisas que vale apena devem ser provadas. Essa provação durou vinte anos. A questão essencial era a credibilidade da autora. Essa credibilidade foi atestada após dez anos de intensa investigação. Iniciada pelo Cardeal Karol Jozef Wojtyla (1920-2005), nosso querido São João Paulo II.

Em 1978 seus esforços frutificaram, a proibição foi suspensa e a Mensagem da Misericórdia Divina começou a espalhar-se com vigor ainda maior que o de antes. Seis meses mais tarde esse Cardeal foi eleito Papa.

Qual é a mensagem que essa jovem mulher oferece para o mundo? E o que ela pode significar para você e para mim?

Faustina veio de uma família muito pobre e, apenas ela tivesse apenas 3 anos de educação formal, Faustina teve uma rica formação espiritual. Quando ela era muito pequena seu pai ensinou a ler a Bíblia e uma coleção de livros sobre missionários e monges. Aqui, podemos perceber a importância da educação religiosa na vida da criança. Desde pequena, Faustina gastava grande parte do seu tempo em devoções e rezas.

Bem no começo de seu Diário, Helena lembra vivamente que quando ela tinha 7 anos, ouviu a voz de Deus chamando-a para a vida sobre a qual havia lido nos livros sobre missionários e monges.

A primeira Guerra Mundial libertou a Polônia da opressão política e religiosa da Rússia Czarista. Helena já tinha trabalhado alguns anos como empregada doméstica quando veio a Lodz. Repetidas vezes, seus pais, descartaram seus insistentes pedidos para entrar num convento (Diário, n. 8). Por isso, ela continuou trabalhando como empregada doméstica do interior nas melhores casas da cidade.

Porém, mais tarde, Jesus a repreende dizendo: “Por quanto tempo vou te aturar e por quanto vás te afastar de mim? (Diário n. 9). E Faustina pergunta ao Senhor: “Jesus, tende a bondade de dizer-me o que devo fazer a seguir! E, Ele lhe responde: “Vai logo a Varsóvia, aí vais entrar num convento” (Diário, n. 10).

Helena não conhecia ninguém em Varsóvia. Mas, a sua fé levava de convento em convento, até que finalmente no dia 1º de agosto de 1925 ela foi aceita na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia (Diário, n. 13).

Faustina se tornou uma bênção especial para seus superiores; devido a sua natureza disponível e afável, eles, podiam envia-la para onde quisessem todas as vezes que surgiam uma necessidade imprevista. Por muito tempo os superiores não tiveram conhecimento da sua tuberculose crônica que se agravou pelas suas pesadas tarefas. Com o passar dos anos sua condição se agravou ainda mais.

No convento de Plok foi quando verdadeiramente começou a sua missão – Pinta uma imagem de acordo com o desenho que estás vendo, com a legenda: JESUS, EU CONFIO EM VÓS. Desejo que essa imagem seja venerada principalmente na capela das irmãs e depois no mundo inteiro (Diário, n. 47-48).

No seu Santuário em Czestochowa, Maria, a Mãe de Jesus, que é a Misericórdia mostrou a Santa Faustina o que ela se preocupa com a nossa geração. Dizia: “Nada temas, minha filha fiel! Fala corajosamente às pessoas sobre misericórdia de Deus porque eu dei o Salvador ao mundo. Quanto a ti deves falar ao mundo a respeito da sua grande misericórdia. E preparar o mundo para a sua segunda vinda” (Diário).  

Ela não tinha a consciência de ter passado naquele dia mais de cinco horas em oração diante da imagem milagrosa de nossa Senhora de Czestochowa. Ela quase perdeu seu trem. Estava viajando para assumir uma nova função como jardineira no convento em Wilna. Lá, ela encontrou o Pe. Miguel Sopocko (1888-1975), o sacerdote que Cristo havia prometido enviar-lhe. Ele foi seu auxiliar, diretor espiritual e amigo. Amigo a quem ela entregou sua Missão e sua vida. Uma vida escolhida por Deus para divulgar a Mensagem da misericórdia divina através do mundo.

No começo o Pe. Sopocko tratou Faustina com cautela e grande reserva. Ele, exigiu uma avaliação da sua estabilidade psicológica. A Doutora Maria Maseliewska, psiquiatra, atestou que não encontrou prova de nenhuma anormalidade no sistema nervoso ou quaisquer desvios mentais em Faustina. Com a permissão de Madre Irene Krzyzanwska o Pe. Sopocko, pôs, Faustina em contato com o artista Eugênio Kazimierowski, (1873-1939) que pintou a imagem que Cristo havia exigido dela na visão. A santa se queixa da tela do pintor por não achar que estava parecida com a sua visão. E, em particular se queixa ao Senhor Jesus. “[...] quando eu estava na casa daquele pintor [...] e quando vi que não era tão bela como Jesus – fiquei muito triste com isso o que no entanto escondi no fundo do coração” (Diário, n. 313). Vemos que “o valor da imagem não está na beleza da tinta”, diz Jesus a Faustina.

Tudo isso, Faustina confiava ao seu diretor. Ele estava muito surpreso pela profunda compreensão que ela tinha das verdades divinas. A sua capacidade de discuti-las com a perícia de um teólogo, fê-lo perceber que ela era realmente uma pessoa extraordinária. No entanto, visto que ela tomava tanto do seu tempo Pe. Sopocko instruiu Faustina para começar um diário detalhado.

A perspectiva de traduzir as conversas íntimas com Jesus em palavras duras no papel a assustava. Afinal, ela não havia escrito nada no caderno, desde aqueles três invernos de escola que teve. Havia muitos anos. Jesus, assim a instrui: “Escreve sobre a Minha misericórdia. Escrever sobre o maior mistério é encorajar as almas a confiar em mim. É agora a tarefa da tua vida inteira” (Diário, n. 400. 570. 965. 1147. 1693).

O Diário mostra que Santa Faustina tinha uma compreensão tão profunda dos mistérios divinos que a sua exatidão teológica e a precisão da linguagem que ela usou merece a nossa atenção especial.

O que Deus realmente quer que saibamos, através de Faustina, é a verdade de que Ele é misericórdia. E, a maior coisa para nós é sermos misericordiosos. A mentalidade de hoje parece opor-se a um Deus de misericórdia.

Muito importante e bela é o que nos diz Helen Hayes, ao comentar a vida de Santa Faustina. “A misericórdia, na verdade, é o amor em ação para os que não merece e para os que merecem. É justiça”. E, depois: “Em todo ser humano, em toda a sua personalidade, está a presença de Deus. Esperando para ser redimida e desenvolvida”.

Do começo ao fim do seu Diário Santa Faustina escreveu, equivalente a 600 páginas impressas. Ela escreveu decidida e objetivamente com poucas correções ou erros. Este foi um trabalho de fé. Santa Faustina sabia que mesmo a fé mais intensa seria inútil se não fosse colocada em prática.

Como sempre acontece na vida dos santo, entre os pobres espalhou-se a notícia de que deveriam ir a Faustina se quisessem experimentar bondade e dignidade. Assim, diz ela em seu Diário: “Jesus veio hoje à portaria na figura de um jovem pobre. Esse miserável jovem, com as vestes terrivelmente rasgadas, descalço e com a cabeça descoberta, estava com muito frio, porque o dia era chuvoso e frio. Pediu algo de quente para comer... (Diário, n. 1312-1313). Pois assim nos diz a Escritura, “Em verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes (Mt 25, 40).

Santa Faustina escreveu seis cadernos que damos o nome de Diário. Alguns trazendo um tema. Vejamos a sua estrutura:

1º- Caderno – Misericórdia Divina na minha alma. O nome Diário e a assinatura.

2º- Caderno - Cantarei a Misericórdia do Senhor pelos séculos. Misericórdia Divina na minha alma. O nome Diário e a assinatura.

3º- Caderno – Cantarei a Misericórdia do Senhor; Assinatura e o nome da Congregação.

4º- Caderno – Sem título e sem a assinatura.

5º- Caderno – Sem título, com a assinatura e o nome da Congregação.

6º- Caderno – Pelos séculos glorificarei a Misericórdia de Deus. Com a assinatura e o nome da Congregação.

Também de extrema importância na vida de Santa Faustina foi o Terço da Misericórdia, ensinado por Jesus. (Diário, n. 474. 476. 482. 483. 811. 1791).

Coisa muito curiosa que ocorreu na vida de alguns santos, Santa Faustina também possuía. Que era o dom da bilocação, ou seja, a pessoa pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Isso, parece impossível a nós, porém, para Deus, não. Vejamos em seu Diário como narrou a Santa um desses fatos: “Imediatamente me encontrei num lugar nebuloso, cheio de fogo e reparei que dentro das chamas havia uma enorme multidão de almas sofredoras. Essas almas rezavam com muito fervor, mas sem nada conseguirem; apenas nós as podemos ajudar. (...) O maior tormento que padeciam era o do ardente desejo de Deus. Vi a Mãe de Deus, que visitava as almas no Purgatório. Almas estas que chamam a Maria “Estrela do Mar.” Ela leva-lhes refrigério” (Diário, n. 20. 777. 1797-1798).

Santa Faustina foi uma verdadeira mística. Isso significa que ela se entregou de boa vontade para se identificar completamente com Cristo. Quanto mais o Espírito Santo transformava Faustina pelo que ela sofria, tanto mais Deus podia agir através dela.

Ela predisse a sua morte e também a Segunda Guerra Mundial. Seis meses mais tarde os aviões ingressam a fronteira polonesa. Diversas vezes os nazistas vieram ao convento de Cracóvia para expulsar as irmãs. Todas as vezes as irmãs iam ao túmulo de Santa Faustina para pedir a sua intercessão. Como ela havia predito, as ameaças dos invasores nunca se realizaram. No decorre da Guerra a Mensagem de Santa Faustina espalhou-se e tornou-se uma crescente fonte de energia especialmente para aqueles que estavam nos campos de concentração nazista. 

Desejo encerrar este texto com aquela importante e bela frase de Santa Faustina em que ela nos mostra todo seu amor por Jesus e por nós. Sinto bem que a minha missão não termina com a morte, mas começará com ela. Ó almas vacilantes, eu vos descortinarei o véu do céu para vos convencer da bondade de Deus, para que não machuqueis mais com a dúvida o Dulcíssimo Coração de Jesus. Deus é amor e Misericórdia (Diário, n. 281).

Que Santa Faustina interceda por todos nós junto a Deus e a Virgem Santíssima. Amém.


Página do Diário de Santa Faustina

Cadernos que compõe o Diário de Santa Faustina 



REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

KOWALSKA, Faustina Santa. Diário: A misericórdia divina na minha alma. 40ª Edição. [tradução: Prof. Mariano Kawka]. – Curitiba, Editora Mãe da Misericórdia, 2012.

REFERÊNCIAS AUDIOVISUAIS:

FILME: Documentário sobre a vida de Santa Faustina e a Divina Misericórdia.

(idealizador…,) [Documentário-vídeo], editora…, ano…, minutos…, DVD… [Comentado por Helen Hayes].

FILME: Santa Faustina Apóstola da Divina Misericórdia. [Produção: Telewizja Polska S.A 2009]. [Dirigido por: Jerzy Lukaszewicz]. Direitos autorais: Instituto Alberione – SP: Paulinas, 2013. 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9) 


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

BIOGRAFIA DE SANTA LÍOBA, O.S.B, ABADESSA (700-779)



Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 28 de novembro de 2018


INTRODUÇÃO 

A santa vida de Líoba foi bastante intensa, pois, ao sair de sua terra natal, a Inglaterra, a pedido do grande Bispo São Bonifácio, ela foi responsável pela vida monástica feminina na Alemanha, juntamente com as suas caras Irmãs da Abadia de Wimborne.

Ela nasceu em Wessex, sua mãe chamava-se Ebba, e era parenta de São Bonifácio. Desde a infância, Santa Líoba, foi entregue no Mosteiro de Wimborne, Dorsetshire sobre os cuidados da santa Abadessa Tetta, que era uma mulher de grande erudição e de uma vida espiritual intensa. A entrega foi feita devido uma promessa feita por seus pais a Deus, porque, eles, já chegando a uma idade avançada não tinham tido nenhum filho.

Quando consultamos o Martirológio Romano-Monástico, assim está escrito sobre Santa Líoba: “Em Schornsheim, perto de Mongúncia, aproximadamente em 782, a volta para Deus de Santa Líoba, Virgem. Parenta de São Bonifácio, deixou a Inglaterra, seu país natal, para fundar mosteiros na Germânia”. Quanto a data de sua passagem para Deus, temos o ano de 782 segundo o Martirológio Romano Monástico. Mabillon nos deixou o ano de 772 como a data de sua morte. No entanto, outras biografias nos dá o ano de 779.

Que a Santa Líoba seja para nós um exemplo de entrega total a Deus, mesmo diante de tantos anos que ela habitou na terra, trabalhando incansavelmente para o crescimento do Reino de Deus; pois, já se passaram mais de mil anos de seu nascimento, contudo, os seus feitos sempre estarão atuais em nossa sociedade que está tão sedenta de Deus e de virtudes. Portanto, peçamos sempre a ela sua intercessão. Amém.

Boa leitura!


A SANTA VIDA DE LÍOBA, O.S.B, ABADESSA (700-779)

Sua memória é celebrada em 28 de setembro.

Santa Líoba não é uma santa que ouvimos falar com frequência, por aí, pois, pela antiguidade do seu nascimento e por ser monja beneditina, faz dela, pelo menos em nosso Brasil, um tanto desconhecida.

Líoba é mais uma daquelas mulheres importantes e fortes anglo-saxônicas do século VIII. Se nos voltarmos para a Inglaterra deste século, veremos claramente mulheres embebidas no verdadeiro espírito do cristianismo, se apresentando com alegria para cooperar na grande obra de evangelização. Isso acontecia em todas as classes da sociedade. “Senhoras de nobre linhagem faziam especialmente notar pelo número e pelo zelo, que as levava a afrontar os perigos inerentes a uma tal empresa”. Muitas delas deixavam sua Pátria para levar o esplendor da Santa Cruz de Cristo às regiões ainda envolta nas trevas do paganismo. Mulheres fortes e incansáveis nos trabalhos civis e eclesiásticos.

Santa Líoba nasceu no ano 700 em Wessex, Inglaterra. Sua mãe chamava-se Ebba, a qual era parenta do Abade Beneditino São Bonifácio, O.S.B, (672-754), bispo e mártir. Este santo bispo sofreu o martírio em 05 de junho do ano de 754/55 em pleno trabalho de evangelização na Frísia. Seu corpo foi enterrado na Abadia Beneditina de Fulda, Mosteiro fundado por ele em 744. São Bonifácio é o mais famoso missionário, o qual goza, com justiça, do título de Apóstolo da Alemanha, pois, com zelo infatigável, pregou o Evangelho e abriu caminho à civilização e à cultura. São Bonifácio era monge beneditino inglês e foi enviado em Missão pelo Papa São Gregório Magno (540-604) para evangelizar a Alemanha. Lá, ele organizou a Igreja criando novos bispados e fundando Mosteiros.

Líoba, impressionada com a vida do Santo Bispo Bonifácio, tem o desejo de seguir mais de perto o Cristo. Nesse seu desejo, ela envia uma carta para São Bonifácio, pedindo-lhe que se lembre dela diante da evangelização a que foi designado. Assim, ela escreve: Ao Reverendíssimo Senhor Bispo Bonifácio”. Líoba, a última das servas de Cristo, saúda Bonifácio, seu muito amado em Cristo, que se acha revestido da maior dignidade do Senhor, a quem está ligada pelos laços de parentesco. [...]. Sou sua única filha e desejaria que me fosse permitido, embora indigna, considerar-vos como um irmão, no qual confio mais do que em qualquer outro de meus parentes. Envio-vos este pequeno presente, não que seja digno de vosso agrado, mas afim de que vos lembreis de minha humilde pessoa e que a distância não me apague completamente de vossa memória. Desejo também muito que esse presente estreite entre nós o laço de sincero afeto, para que perdure sempre (VIDA DE SANTA LÍOBA, 1914, p. 11). Nesta bela carta, vemos claramente o grande desejo da santa em trabalhar para o crescimento do Reino de Deus. Das correspondências entre os dois santos, apenas esta carta foi conservada.

Para a alegria de Líoba, São Bonifácio solicita a sua Abadessa Tetta, no ano 748 desejando envio de monjas para fundar um Mosteiro na Germânia e Líoba não podia ficar de fora dessa fundação. Pois, ele conhecia muito bem suas virtudes e erudição para tal empresa. Não era o desejo de Tetta, tirar do seu Mosteiro uma alma de grandes virtudes. Porém, atendeu ao pedido do Bispo. A grande preocupação da Abadessa Tetta era as   dificuldades que passariam suas filhas num país que ainda estava sendo evangelizado, bem como as dificuldades da longa viagem de navio que elas enfrentariam. Nesta viagem, foram também duas importantes santas da Ordem Beneditina; Santa Walburga, O.S.B (710-779), filha de São Ricardo rei da Inglaterra e Santa Tecla, O.S.B (+790) eram parenta de Líoba. A primeira, depois de passar dois anos sob o governo de Líoba, no Mosteiro de Bischofsheim (casa de bispo), esta foi enviada a dirigir o Mosteiro de Heidenheim fundado por seus dois irmãos, São Willibald e São Winibald. A segunda, depois de algum tempo foi enviada por São Bonifácio para o governo da Abadia de Kitzingen, no Main. “Seu nome não se acha na lista das Abadessas desta casa, mas supõe-se que ela seja a Abadessa designada pelo nome de “Heilga” ou a Santa (VIDA DE SANTA LÍOBA, 1914, p. 14).

Que alegria para Líoba, aquela viagem, a muito tempo desejada. E, mais ainda por ser enviada com aquelas que tinha grande afeto. Percebemos claramente que na vida dos santos existe uma ligação divina, porque a santidade é cativante.

Bastante interessante foi um sonho que Líoba teve em relação a sua vida. Sabemos que Deus, sempre mostra aos seus, a sua santa vontade em visões, sonhos, etc. Se formos a Sagrada Escritura, veremos bem este modo de agir de Deus, tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo. Muitos não dão nenhuma importância aos sonhos, mas, neles, muitas e muitas vezes, Deus se revela. Vejamos alguns exemplos de sonhos enviados por Deus, nas Escrituras Sagrada.

No Antigo Testamento, vemos José revelando sonhos no Egito; o sonho do Faraó (Gn 41, 1-7), o sonho do copeiro e do padeiro do Faraó (Gn 40, 5-22), o sonho do próprio José (Gn 37, 5-11), o sonho de Jacó (Gn 28, 10-16), o de sonho Daniel (Dn 7, 1-28), o sonho do Rei Baltazar (Dn 4, 16-34) e tantos outros como: Gn 20, 3; 28, 10-16; 31, 10-13; 31, 24; 37, 5-11; 37, 19-20; 40, 5-23; 41, 1-7; 42, 9; 46, 2. Estes são apenas alguns sonhos que o Livro do Gênesis nos mostra entre tantos outros em toda a Escritura.

No Novo Testamento, podemos dar como exemplo, a visão de São José que é avisado em sonho pelo Anjo do Senhor, que Jesus foi gerado no ventre de Maria Santíssima pela força do Espírito Santo (Mt 1, 20-22) e, também outra passagem do mesmo Evangelho em que São José é avisado para fugir para a terra do Egito, livrando assim o menino Jesus que se encontrava em perigo de morte (Mt 2, 13-15). Igualmente é avisado em sonho no retorno do Egito para se estabelecer em Nazaré (Mt 2, 19-23). Os magos que são avisados em sonho que não retornem à presença do rei iníquo, Herodes, que desejava matar o menino Jesus (Mt 2, 12). Vejamos também a visão de São Pedro nos Atos dos Apóstolos ao ter aquela maravilhosa visão dos alimentos (At 10, 11). Igualmente em (At 12, 3-11), em que São Pedro é libertado da prisão por um Anjo enviado por Deus, etc. 

Pois bem! Os pais de Líoba eram muito religiosos e levavam uma vida santa e temente a Deus. Passados muitos anos sem ter filhos, pediam a Deus que lhe enviasse um filho para perpetuar sua descendência e, assim, mesmo na velhice, o bom Deus lhes presenteia com uma linda criança a futura santa. Tinne e Ebba, seus caros pais, nunca se cansaram de rezar e pedir a Deus o cumprimento de um desejo que a muitos anos lhes eram tão caro.

Portanto, numa noite, sua mãe teve um sonho em relação ao nascimento da filha Líoba. Assim foi o seu sonho revelador: “Sonhara que trazia em seu seio um sino de igreja e no momento em que estendia a mão para tomá-lo, o sino emitia doces e melodiosos sons. Ebba chamou sua fiel ama e narrou-lhe o sonho; a velha escrava, tomada de espírito profético, disse-lhe: “Dareis a luz a uma filha, que deveis consagrar ao serviço de Deus (VIDA DE SANTA LÍOBA, 1914, p. 5). Assim, Ebba prometeu que faria o sacrifício de entregar a filha e, algum tempo depois nasce-lhe uma filhinha a qual foi batizada e colocado o nome de Truthgeba, porém, sempre foi chamada de Leobgytha ou Líoba, que significa “bem-amada”, porque era a predileta de Deus. Uma dádiva. Por profetizar tão grande presente, após o cumprimento da promessa, a ama recebeu sua liberdade em recompensa.

Ainda muito pequena, Líoba é entregue por seus pais, na Abadia de Winborne sob os cuidados da Abadessa Tetta para que fosse instruída na vida espiritual e bem educada, por ser os Mosteiros lugares de grande cultura e vida espiritual intensa.

Interessante também foi o sonho que teve a própria Santa Líoba. Sonho, este, que resumia toda a sua santa vida. Assim, foi o seu sonho: “Parecia-lhe que um fio cor de fogo saia de sua boca; quanto mais se esforçava por tirá-lo, tanto mais e mais se prolongava, como se saísse do íntimo do seu coração. Tendo a mão cheia deste rico fio de seda, começou a enrola-lo em forma de um novelo, que se tornava cada vez maior, até que cansada de enrolar, adormeceu, vencida pela fadiga e a ansiedade (VIDA DE SANTA LÍOBA, 1914, p. 8).

Este sonho ficara tão vivo em sua memória, pois sabia que Deus queria dizer-lhe algo através dele. E, realmente, neste, resumia sua vida inteira. Que bondade, essa de Deus, para sua amada serva! Vemos o salmista cantar: “Eis que o olho de Iahweh está sobre os que o temem, sobre aqueles que esperam seu amor, para da morte libertar a sua vida e no tempo da fome fazê-los viver”. (Sl 33, 18-19).

Ao chegar a Alemanha, Líoba, logo é designada para ficar à frente da nova fundação em Bischofsheim. Pouco tempo após sua chegada, aparecem numerosas jovens a procura da vida monástica, devido a sua grande bondade, ficando sob os seus cuidados maternais e auxiliadas pelas suas companheiras que a seguiram da Abadia de Wimborne na Inglaterra. Com isso, conseguiram pôr em prática a observância da Regra de São Bento. Assim, no ardor e trabalhando incansavelmente, Santa Líoba faz a sua Páscoa (passagem / morte) com grande fama de santidade no dia 28 de setembro do ano de 779. Esta Santa fez muitos milagres em vida e bem mais após a sua morte.

Peçamos sempre a Santa Líoba a graça de amarmos verdadeiramente a Deus e nunca nos afastarmos de sua presença, trabalhando incansavelmente para o crescimento do seu Reino como ela mesmo viveu em toda a sua existência terrestre.

Rogai por nós Santa Líoba, para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.


CARTA DE SANTA LÍOBA, O.S.B, 
A SÃO BONIFÁCIO, O.S.B, 
BISPO E MÁRTIR.

Esta carta da santa é a única que foi conservada

"Ao Reverendíssimo Senhor Bispo Bonifácio”.

Líoba, a última das servas de Cristo, saúda Bonifácio, seu muito amado em Cristo, que se acha revestido da maior dignidade do Senhor, a quem está ligada pelos laços de parentesco.

Rogo que vos digneis lembrar-vos de vossa amizade para com meu pai Tinne, habitante de Wessex, falecido a oito anos e para a alma de quem peço vossa intercessão junto a Deus. Recomendo-vos também minha Mãe Ebba que, como sabeis, vos está ligada pelos laços de parentesco. Sua vida passou-se no sofrimento; durante muito tempo prostrou-a o peso das enfermidades corporais. Sou sua única filha e desejaria que me fosse permitido, embora indigna, considerar-vos como um irmão, no qual confio mais do que em qualquer outro de meus parentes. Envio-vos este pequeno presente, não que seja digno de vosso agrado, mas afim de que vos lembreis de minha humilde pessoa e que a distância não me apague completamente de vossa memória. Desejo também muito que esse presente estreite entre nós o laço de sincero afeto, para que perdure sempre.

Suplico-vos, irmão bem-amado, ajudar-me com o escudo de vossas orações contra os assaltos de meu inimigo invisível. Peço-vos também que vos digneis corrigir esta carta tão mal redigida e não recuseis enviar-me algumas palavras, pelas quais ardentemente suspiro como prova de vosso fervor.

Procurei compor os seguintes versos, segundo as regras da metrificação poética, embora tenha pouca confiança em meu talento e somente deseje exercitar minha veia poética, ainda muito fraca, o que prova que nisto também preciso de vossa direção. Aprendi esta arte com Eadburga, que nunca cessa de meditar sobre a santa Lei de Deus.

Adeus! Vivei por muito tempo, sede feliz e rezai sempre por mim”.

(Seguem-se quatro linhas de versos em latim)

“Arbiter omnipotens, solus qui cuncta creavit,
In regno Patris semper qui lumine fulget,
Qua jugiter flagrans sic regnat gloria Christi,
Ilaesum servet semper te jure perenni.”







REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.

VIDA DE SANTA LÍOBA. Traduzido do inglês e publicado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Maria em São Paulo. – São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 1914.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)