sábado, 31 de outubro de 2026

A SIMPLICIDADE DA VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS.

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B 

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 31 de outubro de 2026

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

 

A Igreja sempre esteve ao lado de Maria a Mãe de Jesus, pedindo a sua intercessão e a sua proteção, pois ela, é quem mais conhece Jesus Cristo, o Messias, que veio salvar o mundo do julgo da escravidão do pecado. O Cristo que foi concebido em seu seio virginal pelo poder do Espírito Santo que é a cabeça da Igreja. Por isso, em toda a história do cristianismo, a Virgem Maria foi sempre invocada por todos. Já nos primeiros séculos da Igreja os cristãos recorriam a Mãe de Deus nas suas necessidades. O cristão que não tem devoção a Mãe de Deus, esse não é um verdadeiro cristão. Nossa Senhora é venerada ainda em vida. Sabemos que a primeira aparição da Mãe de Deus ocorreu no ano 40 d.C. quando ela ainda vivia e morava em Jerusalém. Ela apareceu ao Apóstolo São Tiago Maior, que estava desanimado na sua missão pois estava em grandes dificuldades em sua missão na evangelização das terras pagãs o que atualmente é a Espanha. A Virgem Santíssima lhe aparece as margens do rio Ebro envolta numa grande luz rodeada por milhares de anjos e com o menino Jesus nos seus braços sobre uma coluna de jaspe; essa aparição é chamada de Nossa Senhora do Pilar. Essa aparição é especial e única porque a Virgem Mãe de Deus ainda estava viva e morava em Jerusalém, muito distante do Apóstolo São Tiago, e sentindo as dificuldades e as orações do discípulo de seu Filho Jesus Cristo, ela foi socorrê-lo em bilocação. Por isso, ela se tornou a padroeira da Espanha com o título de Nossa Senhora do Pilar.

 

Temos um outro registro valioso de uma belíssima oração do primeiro século do cristianismo, em que a Mãe de Deus é invocada. A oração Sub tuum praesidium (a vossa proteção recorremos) em que os cristão invocam e pedem a Virgem Maria a sua proteção e o seu valimento nas necessidades da vida. Vejamos:

 

SUB TUUM PRAESIDIUM

 

Latim: Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen.

 

Tradução: À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.

 

(Essa é uma das orações mais antigas dirigidas a Santíssima Mãe de Deus).

 

Mas, por que Nossa Senhora é tão poderosa diante de Deus e de seu Filho Jesus Cristo? Primeiro, por ela ser a serva humilde do Senhor, pois foi por essa humildade que ela deu o seu Sim a Deus, na Encarnação do Verbo divino, Jesus Cristo, Redentor do gênero humano. E segundo, através do Sim, dado ao Criador, se tornou a Mãe de Deus. Por esses dois fatos históricos, e também por muitos outros de sua vida terrestre, Maria tornou-se poderosa diante de Deus, e rainha dos cristãos. Por essa causa, o Catecismo da Igreja Católica, no artigo terceiro, parágrafo primeiro e segundo, nos números 456 a 511 nos ensina a missão de Maria na encarnação do Verbo divino.

 

Assim nos diz o Catecismo da Igreja: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra...”. Ao anúncio de que conceberia “o Filho do Altíssimo”, sem conhecer homem algum, pela virtude do Espírito Santo, Maria respondeu pela “obediência da fé” (Rm 1,5), certa de que “nada é impossível a Deus”: “Eu sou serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,37-38). Assim, dando à Palavra de Deus o seu consentimento, Maria se tornou Mãe de Jesus. E abraçando de todo o coração, sem que nenhum pecado a retivesse, a vontade divina de salvação, entregou-se ela mesma totalmente à pessoa e à obra do seu Filho, para servir, na dependência dele e com Ele, pela graça de Deus, ao Mistério da redenção: “Como diz Santo Irineu, “obedecendo, se fez causa de salvação, tanto para si como para todo o gênero humano”. Donde não poucos Padres antigos afirmam, de bom grado em sua pregação: que “O nó da desobediência de Eva foi desfeito pela obediência de Maria; o que a virgem Eva ligou, pela incredulidade, a Virgem Maria desligou pela fé”; comparando Maria com Eva, chamam-na de “mãe dos viventes”; e com frequência afirmam: “Veio a morte por Eva, a vida por Maria”. (CIC n. 494).

 

Outra bela composição é a antífona da salve Rainha, dirigida a Mãe de Deus, a qual a Igreja canta na oração das completas durante todo o Tempo Comum e no final do Santo Rosário de Nossa Senhora. A Virgem Maria está sempre presente na vida da Igreja.

 

SALVE REGINA

 

Canta-se essa antífona mariana no Ofício Divino das Completas, da festa da Santíssima Trindade, até o Advento.

 

Latim: Salve, Regina, mater misericórdiae, vita, dulcedo et spes nostra, salve. Ad te clamamus éxsules filii Hevae. Ad te suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. Ó clemens, O pia, O dulcis Virgo Maria.

 

Tradução: Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida doçura, esperança nossa, Salve! A vós bradamos os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas! Eia, pois, Advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre! Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

 

A Virgem Maria socorre, protege e alegra todos aqueles que a ela recorre com fé firme e verdadeira devoção. Temos prova disso no caminhar da história da Igreja. A alegria que sentimos não é uma alegria qualquer, e nem uma ausência de sofrimentos e dificuldades na vida. É uma alegria que mora dentro de cada um dos cristãos que busca a face do seu Criador. Nós, cristãos, ainda temos dificuldades em alcançar a virtude da alegria espiritual, por diversas razões e situações diárias. Aqui poderemos citar algumas delas dentre muitas. A primeira que cito é: A falta de coerência na vida. Lendo a Regra do Patriarca dos monges do Ocidente, São Bento de Núrcia (480-547), abade, ele nos dirá: “Consideremos, pois, de que maneira cumpre estar na presença da Divindade e de seus anjos; e tal seja a nossa presença na salmodia, que a nossa mente concorde com nossa voz.” (RB 19,6). Sem a coerência a nossa vivência cristã torna-se triste e levaremos um fardo muito pesado para carregarmos na caminhada rumo a Deus.

 

Depois vemos uma falsa alegria que não transmite nada aos outros. São Bento ainda nos dirá: “Não conservar a falsidade no coração.” E “Não conceder paz simulada.” (RB 4,24.25). Sejamos sempre como somos, os mesmos, em todos os lugares, para não cairmos nessa simulação da paz. Em um mundo globalizado e digital, com tantas facilidades de entretenimentos nas redes sociais e outros meios de comunicação social, há um grande perigo de mostrarmos uma paz simulada e vivermos uma vida de falsidade. Ou de um ideal inalcançável, e uma utopia de vida que não é a nossa; exibindo algo que não nos pertence e o que não somos. Esse estilo de vida falsificada acarreta muitos problemas a pessoa que vive dessa maneira, afetando também aqueles que o rodeia e toda uma sociedade. Procurar a paz e preservá-la é necessário.

 

Um outro problema muito sério, social e eclesial, se encontra na oração vazia que gera um vazio espiritual, ou seja, a acídia (preguiça espiritual) o mais perigoso dos pecados, segundo os antigos monges, e os Padres da Igreja, porque ela nos distancia de Deus.

 

Estamos vendo de forma muito acentuada, devido os meios de comunicações sociais, um exibicionismo excessivo. Não só o religioso, mas da sociedade em geral. Essa forma de exibição sem limites causa grandes problemas psicológicos e muitas doenças patológicas nas pessoas. Ainda citando os ensinamentos de São Bento, ele nos diz: “E saibamos que seremos ouvidos, não com o muito falar, mas com a pureza do coração e a compunção das lágrimas. Por isso, a oração deve ser breve e pura, a não ser que, porventura, venha a prolongar-se por um afeto de inspiração da graça divina.” (RB 20,3). Como diz um ditado popular: “O menos é sempre mais”. Para sermos ouvidos por Deus e sermos felizes não é necessário a exibição em excesso de orações e cerimônias ou objetos, riquezas ou qualquer outra coisa; devemos ser felizes porque a felicidade mora em nós independentemente das coisas. É só buscar a alegria interior e vivê-la com encanto.

 

Um bom método para não cairmos nesses embaraços espirituais ou em outros pecados é a oração constante. Falo sempre que a oração é um momento privilegiado na vida dos cristãos, pois é através dela que eles se unem com Deus. O exorcista Pe. Gabriele Amorth nos diz: “Existem momentos de oração que nos ajudam a perseverar. A oração da manhã e da tarde, ao menos o sinal da cruz nas refeições. E ainda a missa, ou ao menos uma visita à igreja. Pode também ter um momento para o Rosário ou para a adoração eucarística. Devemos nos ocupar de Deus, pois de outro modo, como faremos para O conhecer e amar? Por isso é preciso rezar durante o dia, mesmo sozinho e por várias vezes.” (AMORTH. O sinal do exorcista, 2013; p.179). Sabemos que Jesus Cristo é o nosso modelo de oração. Ele reza dia e noite e recebe do seu Pai a força para fazer sempre a sua vontade. Portanto, peçamos sempre ao nosso Mestre Jesus que nos ensine a orar. “Senhor, ensina-nos a orar”. (cf. Lc 11,1-4).

 

Falar sobre a Virgem Maria é discorrer sobre a virtude da humildade, da santidade, do amor, da paz e todas as outras virtudes. Maria é sempre modelo das virtudes para o mundo, a exemplo de seu Filho Jesus Cristo. Cito aqui uma das mais belas frases que já me deparei sobre a excelsa Senhora do céu e da terra, a qual resume de forma esplêndida a grandeza da Virgem Maria. São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) grande devoto da Virgem, assim escreveu: “Deus Pai juntou todas as águas e chamou-as de mar; juntou todas as suas graças e chamou-as de Maria. Este grande Deus tem um tesouro ou um celeiro riquíssimo, onde encerrou tudo o que tem de belo, de resplandecente, de raro e precioso, incluindo o seu próprio Filho. E este tesouro imenso não é outro a não ser Maria, a quem os santos chamam o "Tesouro do Senhor", de cuja plenitude os homens são enriquecidos”. (MONTFORT. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria. – Anápolis, 2002; n. 23, p. 28).

 

Prosseguindo, vejamos algumas frases de alguns santos que seguiram a Regra de São Bento (Beneditinos) que falaram da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, com muita devoção, zelo e encanto. Em nossa Sagrada Ordem Beneditina, por termos mais de cinco mil santos, fica quase que impossível falar de cada um deles. Por isso, cito apenas alguns dos santos no desenrolar dos séculos da história da nossa Ordem Beneditina. Uns são bastante conhecidos outros nem tanto.

 

Ó Maria, tudo espero de vós, porque podeis tudo junto de Deus!

 

ALGUNS SANTOS QUE FALARAM SOBRE A SANTÍSSIMA MÃE DE DEUS

 

SÉCULO XI

 

SÃO PEDRO DAMIÃO, O.S.B, (1007-1073)

Bispo e Doutor da Igreja  

Séc. XI

 

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Pedro Damião, eremita depois bispo.

 

Nascimento da Virgem Maria

“A Virgem Maria que foi para o mundo inteiro esperança e aurora da salvação”.

 

“Quem é essa?” Pergunta o Espírito Santo quando Maria vem ao mundo. “Quem é essa que desponta como a aurora, bela como a lua, fulgurante como o Sol”. (Ct 6,10). [...]

 

“Desponta como a aurora.” No brilho do meio-dia, o nosso primeiro pai foi feito à imagem e semelhança do seu Criador (Gn 1,26). Haverá coisa mais gloriosa para o concebido que assemelhar-se ao Criador? [...] Ele deu-lhe a imagem eterna; faltava a semelhança: era necessário que o homem se tornasse semelhante ao Seu Criador. No entanto, ele rejeitou a honra de tal privilégio [...] e entregou-se à morte nas trevas, com toda a sua descendência. As trevas cobriram toda a terra, até vir a Virgem. Não havia ninguém que escapasse dessas trevas, ninguém que as dissipasse. [...]. Mas com a Virgem desponta a aurora: Maria anuncia a verdadeira luz; pelo seu nascimento, fez brilhar a mais fulgurante das manhãs. Ela é a estrela da manhã. [...] Ela é esta aurora que segue - ou antes, da qual nasce - o Sol de justiça (Ml 3,20), o Único que a supera em esplendor. [...].

 

“Teu é o dia» em que Adão foi criado; “tua é a noite” (Sl 73,16) onde ele foi expulso da Tua luz. Foste Tu que criaste a aurora, ou seja, a Virgem Maria, e o Sol, este Sol de justiça que se ergueu do seu seio virginal. Como a aurora anuncia o fim da noite e marca o início do dia, assim a Virgem dissipou a noite sem fim. E, dia após dia, dá à terra Aquele que gerou na sua virgindade.

 

São Pedro Damião muito devoto de Nossa Senhora, lhe escreveu um ofício “Officium Beatae Virginis”.

 

SÉCULO XII

 

SANTO ANSELMO, O.S.B, (1033-1109)

Abade, Bispo e Doutor da Igreja 

Séc. XI-XII.

 

Santo Anselmo grande devoto da Virgem Maria dirá: “Ó mulher plena e mais plena de graça, toda a criatura reverdece, se regada pelo transbordamento de tua plenitude!”

 

“Tão grandes bens provieram pelo Bendito Fruto do bendito seio da bendita Virgem Maria.”

 

“Deus é Pai das coisas criadas, Maria, a Mãe das coisas recriadas.”

 

SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, O.Cister, (1090-1153)

Abade e Doutor da Igreja 

Séc. XI-XII.

 

São Bernardo é bastante conhecido como o devoto da Santíssima Virgem Maria. Tem ele muitas composições sobre a Mãe de Deus. Uma das mais conhecidas e rezada pela Igreja, é essa oração composta pelo santo e muito divulgada no século XVII pelo Pe. Cláudio Bernardo.

 

ORAÇÃO

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, de que nunca se ouviu dizer que algum dos que recorreram à vossa proteção, imploraram a vossa assistência e clamaram por vosso socorro tenha sido por Vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como à Mãe recorro, de Vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não rejeiteis as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia, e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

 

Essa oração foi popularizada pelo Padre Claudio Bernardo, no século XVII. O padre Claudio acreditava que a recitação dessa oração havia sido a causa de sua cura milagrosa.

 

São Francisco de Sales rezava esta oração todos os dias, e santa Madre Teresa de Calcutá ensinava outras pessoas a rezá-la quando mais precisassem de ajuda.

 

SÉCULO XIV

 

SANTA FRANCISCA ROMANA, O.S.B, (1384-1440)

Oblata

Séc. XIV.

 

Em 15 de agosto de 1425, na festa da Assunção de Maria, ela fundou a Olivetana “Oblatas de Maria”, uma confraternidade de mulheres piedosas ligada à Igreja de Santa Maria Nova, em Roma, sem um claustro e sem votos formais, para que outros pudessem seguir seu padrão de combinar a vida de oração com as necessidades da sociedade.

 

“Eu não sou mais minha: eu sou oblata e dedicada à grande Rainha dos Anjos. Ela é a minha senhora e patrona: eu sou a serva, a súdita, a escrava sua.” (Extraída da obra biográfica Vita di S. Francesca Romana, escrita por Ludovico Ponzileoni).

 

Santa Francisca Romana tinha grande devoção a Mãe de Deus e teve muitas visões místicas da Virgem. Ela é a padroeira dos oblatos beneditinos juntamente com santo Henrique, imperador.

 

SÉCULO XIX

 

BEATO ALFREDO ILDEFONSO SCHUSTER, O.S.B, (1880-1954)

Monge beneditino e Arcebispo de Milão, Itália  

Séc. XIX-XX

 

Frequentemente referido na tradição litúrgica e monástica como Cardeal Schuster) foi um célebre monge beneditino e arcebispo de Milão. Sendo um profundo estudioso da liturgia, suas reflexões sobre a Virgem Maria conectam intensamente o mistério de Nossa Senhora com a pureza corporal e a vida interior da Igreja.

 

“A Assunção de Maria me sugere uma grave advertência aos nossos fiéis. Nosso corpo mortal também está destinado a ressuscitar e a se reunir com o espírito no céu .... Mas com uma condição: que, imitando a Virgem Imaculada, nosso corpo permaneça puro e incontaminado, como convém ao templo do Senhor.”

 

“Este Nome adorável, pronunciado primeiro pelo Anjo, e depois imposto por Maria e José ao Verbo Encarnado, também foi pronunciado por Pilatos, quando ele leu a sentença de morte contra o Salvador... e tem o Seu Nome impresso como sinal de salvação na testa dos predestinados.”

 

Fonte: (https://www.google.com/search?q=frases+do+beato+jos%C3%A9+bento+cardeal+schuster)

 

Todos os santos de Deus trazem um verdadeiro amor a Santíssima Virgem Maria. Uns de forma mais acentuada com grandes obras espirituais escritas e outros de forma mais simples. Porém, todos eles trazem um amor e devoção a soberana Senhora Rainha do céu e da terra. 

 

Portanto, encerro com a bela fórmula de consagração a Nossa Senhora do movimento da Legião de Maria (Legio Mariae), a qual pertenço desde os meus 15 anos de idade, agregado ao praesidium Virgem Singular na capela de Santo Antônio do distrito de Apoti, Pernambuco - Brasil: assim nos consagramos a Mãe de Deus e nossa: Eu sou todo vosso, ó minha Rainha e minha Mãe, e tudo quanto tenho vos pertence.” (Manual da Legião de Maria, p. 171).

 

REFERÊNCIAS

 

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

 

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. / Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.

 

ENOUT, Evangelista João. A Regra de São Bento. Latim-Português. Tradução D. João Evangelista Enout, O.S.B – Rio de Janeiro: LUMEM CHRIST, 1992.

 

MONTFORT, Grignion Maria Luís. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria. São Luís Maria Grignion de Montfort – Anápolis, 2002.

 

O SINAL DO EXORCISTA: Minha última batalha contra satanás. Gabriele Amorth e Paolo Rodari. 1ª edição – novembro de 2013 – CEDET – Eclesiae. 


Fonte da imagem: Pinterest

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Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57,9)

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O PRÓXIMO DISTANTE E O DISTANTE QUE SE TORNOU PRÓXIMO.

  

Dom Gilvan Francisco dos Santos, OSB

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 30 de setembro de 2026

"Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Ele respondeu: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. (Mt 22,36-40).

Por que esse tema, um pouco estranho, é de extrema importância atualmente? Por que o próximo se encontra tão distante? Por que o distante parece estar tão próximo de muitos? Tentaremos responder de forma rápida e direta a estas perguntas.

Deixo claro que a conotação de próximo, aqui, se refere as pessoas com quem convivemos aquelas com quem convivemos, principalmente os familiares, ou seja, o próximo no sentido estrito da palavra. Aqueles que caminham lado a lado conosco.

Para os povos e as culturas antigas, o distanciamento e as guerras se davam entre países ou culturas diferentes das suas. Eles guerreavam por conquistas de terras, por divergirem de religião ou por outros fatores de extrema importância para aquele povo ou cultura. No mais, os povos mantinham-se unidos nos seus clãs, prezando pelas suas relações familiares e amistosas do clã. Porém, neste século atual, está ocorrendo um fenômeno, o qual poderá comprometer o futuro da humanidade, ou seja, o distanciamento daqueles que vivem sobre o mesmo teto, na religião, na mesma cultura, aqueles que vivem próximos uns dos outros.

Nos inícios do século XX já davam sinais desse distanciamento uns dos outros, mas, esse fenômeno foi percebido acentuadamente com a pandemia da covid 2019, diante do lockdown ocorrido em todo o mundo, o qual obrigou as pessoas a ficarem nas suas residências, durante dias e meses, e isso acarretou sérios problemas familiares e sociais. Muitos não conseguiram conviver lado a lado, havendo brigas, homicídios, e muitos problemas psicológicos; e para muitos, a convivência diária, com seu próximo, tornou-se algo insuportável. É bastante claro vermos em todos os ambientes, nos setores de trabalho, nos consultórios, nos salões de beleza, nas igrejas, nos hospitais, nos postos de saúde, etc., as pessoas distantes uma das outras. Elas chegam, se sentam em um local, e mesmo lado a lado, pegam das suas bolsas ou dos seus bolsos os seus celulares e ali se tornam indiferentes a todos os que estão a volta. Nesses ambientes é difícil vermos uma comunicação verbal, como outrora víamos, isso está se tornando algo raro na sociedade atual. Cada um ingressam no seu mundo digital, resolvendo apenas os seus problemas. Outros brigando nos seus celulares, outros brincando no entretenimento com suas redes sociais, outros ainda trabalhando, e assim por diante. E a comunicação pessoa a pessoa fica comprometida cada um em seu mundo. Com a observação desses atos sociais, nasceu esse tema sobre o próximo que se tornou distante e aqueles que estão distante, tornou-se próximo pelas redes sociais e outros meios de comunicação social. De certa forma, percebemos, que nisso, há uma fuga das responsabilidades com o outro que está ao seu lado diariamente; uma fuga dos problemas, mas que cria outros bem maiores. Pois, com aquele que se encontra distante de certa forma não há um compromisso tão sério, quanto aquele que está ao nosso lado.

Na virada do século XX para o XXI, sabemos que houve uma mudança brusca no convívio familiar e fraterno social. Ainda no contexto do século XX, as coisas eram bem mais lenta em relação às mudanças sociais, bem como nas relações amistosas e em outros âmbitos de convívio pessoa a pessoa. A conversa em família, a tradição oral, tinha extrema importância na educação e desenvolvimento da pessoa, do grupo, etc., mas, com o passar dos anos, com o avanço das tecnologias digitais, da Tv e outros avanços sociais, as relações humanas foram tomando direções diversas, sem dúvidas proveitosas, mas também desastrosas, no tocante a sobrevivência humana. Com isso, houve o relaxamento nas amizades, o desprezo familiar em forma de abandono, e outros problemas sociais graves. Diante disso, aconteceu o distanciamento daqueles que se encontram a nossa volta, ou seja, se tornaram distantes de nós. Também isso acarretou muitos, a busca de um preenchimento do vazio pessoal interno, e aqueles que fugiram do seu próximo, fez o caminho oposto, ou seja, os que estão distantes do nós, se tornaram próximo a nós. Isso é um fenômeno que a cada dia toma uma forma e uma força assustadora na sociedade atual.

O mundo aos poucos está se transformando com uma rapidez que impressiona a todos. Aquela vida de proximidade familiar, de conversas, de respeito mútuo entre parentes e amigos, numa comunidade instituída, estão desaparecendo a cada ano que passa. Está acontecendo entre os membros familiar e as pessoas próximas, o distanciamento um dos outros. Não dizemos que outrora não houvesse isso. O que assusta é a rapidez e a escala crescente dos problemas que isso acarreta numa família e na sociedade mundial. Dos anos 90 em diante, com o advento da internet, esse problema acelerou de um modo assustador. A era digital tem as suas vantagens, mas também seus grandes perigos e desvantagens. Um dos grandes perigos é, que a grande maioria das pessoas não sabem mais conviver com o seu próximo, pois aqueles que estão ao seu lado, com os meios digitais, e outros meios de comunicação social, o próximo tornou-se distante, e aqueles que estão distantes, aos quais nos comunicamos por uma tela de celular, do computador ou de TV, achamos ser o nosso próximo; e com isso, muitas vezes, caímos em uma cilada perigosa; pois por, causa do vazio, muitas pessoas adquirem doenças mentais, psicossomáticas, espirituais, e vário distúrbios psicológicos.

Se voltarmos as décadas anteriores a 1990, poderemos perceber que havia mais união entre as famílias, os amigos, os vizinhos, entre as comunidades eclesiais, nos setores de trabalhos, e na sociedade em geral. Quase todos, senão todos, sabiam conviver uns com os outros, mesmo com as suas diferenças, num elo de amor e amizade entre si; isso era que tornava a sociedade mais justa, mais elegante e boa para se viver; o que atualmente é muito difícil esse tipo de convívio. A má educação levou grande parte para um isolamento familiar e social, e outro problemas sérios, colocando-os à beira de um precipício. Portanto, a correção fraterna tornou-se uma ameaça para muitos, que ver num conselho fraterno, dado diante de uma situação perigosa, algo sem nenhum valor algum.

Sabemos bem, que, o aqueles se encontram distante de nós, tem sim o seu valor na amizade, e merece todo o nosso respeito, mas, o que se encontra do nosso lado, jamais deveria estar distante. Atualmente nos isolamos daqueles que habitam conosco, e nos aproximamos das pessoas que se encontram distantes como se tivessem do nosso lado. Isso é um erro humano absurdo. E, o que é bem pior, fazemos da máquina tecnológica, a IA (inteligência artificial) o nosso mais íntimo amigo.

Atualmente aquele que está próximo fisicamente geralmente tornou-se um estorvo, um perigo, um incômodo, uma pedra no caminho. E o distante que se tem como próximo torna-se o amigo fiel, o salvador, etc. Pensemos bem nisso! 

Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57,9)

terça-feira, 25 de agosto de 2026

PEQUENA BIOGRAFIA DO MEU QUERIDO PAI SENHOR GENÉSIO FRANCISCO DOS SANTOS (*20 de dezembro de 1947 +21 de abril de 2026)

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 25 de agosto de 2026

Na memória de São Genésio de Roma, mártir

 INTRODUÇÃO 

"Que poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que Ele fez em meu favor?” (Sl 116,12). E ainda: "Que teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada." (Sl 143,10). 

Não poderia deixar de citar estes belos versículos destes dois Salmos, porque minha família e eu, fomos cumulados por Deus com grandes graças. A primeira delas, foi a vida que o bom Deus nos concedeu; depois as inúmeras alegrias e o convívio familiar, na união fraterna e no amor mútuo entre nós. Por estas, e outras inúmeras graças recebidas, sou eternamente grato a Deus e a sua Mãe Santíssima, por estas dádivas. 

Portanto, no dia em que celebramos a memória de São Genésio de Roma, mártir, deixo aqui registrado uma pequena biografia com algumas datas e fatos importantes sobre meu pai, o senhor Genésio Francisco dos Santos, o qual voltou para a casa do bom Deus no dia 21 de abril de 2026. Minha mãe também é bastante citada, porque ela não pode ser dissociada da história do meu pais. Foram duas almas que se amaram com um amor puro e verdadeiro e praticaram obras de caridade juntos. 

Meu pai foi um homem de grandes superações, pois trabalhou muito para o sustento de sua família, a quem tanto amava. Foi um homem justo, honrado, discreto e de uma bondade impressionante. É bastante comum se ouvir dizer na minha região: “Quem quer ser bom, morra ou se mude.” porém essa frase não se aplica a vida de meu pai e igualmente de minha mãe, da qual também escrevi uma pequena biografia. Cf. (As lembranças de um filho). Eles não precisaram morrer para serem bons; foram bons desde a sua infância, e as suas vidas mostraram isso para aqueles que puderam conviver com eles. Sabem bem disso os seus parentes, os amigos etc. Por isso, sempre falo com muta convicção que, Deus me deu os pais certos, e a família certa, e sou muito grato por eles.

O senhor Genésio Francisco, trabalhou arduamente na roça e em vários tipos de trabalhos para sustentar seus muitos filhos; era um homem vigoroso, alegre, bondoso e brincalhão, mas nas horas certas também era mais firme nas suas colocações. Como deve ser toda figura paterna. Eu sempre tive uma visão dele, de um homem com bastante equilíbrio e bondade; foi assim que ele formou as personalidades de todos os seus filhos. Nunca o vi bater em nenhum dos seus filhos. Às vezes nos ameaçava, mas sabíamos que ele não batia em nenhum de nós. Mesmo assim, tínhamos muito respeito por ele, devido a sua costumeira bondade. Era um homem impressionante. Quem conviveu com ele, e o conheceu de perto, verá que não minto em nada do que aqui foi escrito. Muitas coisas teria a dizer sobre o senhor Genésio Francisco, mas aqui deixo apenas algumas lembranças para a família e os amigos.

Saudades eternas dos seus filhos, parentes e amigos

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B


O meu querido Pai, senhor Genésio Francisco dos Santos, nasceu no dia 20 de dezembro (Sábado) do ano do Senhor de 1947, às 9:00h, na residência de seus pais em três Lagoas, Município de Limoeiro, estado de Pernambuco, na Zona da Mata Norte pernambucana, e se casou com a senhora Dona Josefa Maria da Conceição  (Conhecida desde a sua infância pelo nome de Cecília. Todos a conhecia como dona Cecília. Nascida no dia 20 de dezembro (Quarta-feira) do ano do Senhor de 1950, às 13:00h, na residência de seus pais no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, estado de Pernambuco, Zona da Mata Norte pernambucana.

Sua união matrimonial, no religioso, ocorreu no dia 1º de dezembro do ano de 1991, às 15:00h na Capela de Santo Antônio da cf.  Vila de Apoti – Paróquia Nossa Senhora da Glória, Diocese de Nazaré da Mata – Pernambuco, o casamento foi realizado perante o Rev.mo. Pe. Manuel Messias Laurindo dos Santos, na presença das testemunhas senhor José Reis Nogueira Filho e José Francisco dos Santos. 

O senhor Genésio é filho do senhor Severino Francisco dos Santos (infelizmente não possuímos documentação alguma desse meu avô), apenas sabemos que ele faleceu na sua residência, numa madrugada do ano de 1973; e de Dona Maria Severina da Conceição (Dona Maria Chaga, como era conhecida por todos). Dona Maria Chaga nasceu no dia 19 de março (Sexta-feira) do ano do Senhor de 1901, porém por ela não possuir nenhum documento civil, até o ano de sua aposentadoria, ou seja, e já bastante idosa, quando a sua documentação foi feita, foi colocado na sua identidade o ano de seu nascimento como sendo 1909, um erro grave na sua documentação. Ela nasceu na residência de seus pais no Sítio Tiúma, estado de Pernambuco. E sempre nos contava que seu nascimento, ocorreu no ano de 1901. Ela nos dizia, já em idade avançada: “Eu nasci em um (1) no início do mundo. No princípio de tudo”. E nos dizia isso em voz baixa, quase sussurrando. Achávamos engraçado na época, porque não entendíamos o que ela queria nos dizer; éramos crianças. Nunca esqueço essa frase que ela nos dizia.

Não entendíamos na época o que ela nos queria dizer, por sermos ainda muito jovem e eu uma criança. Porém, mais tarde, entendemos que ela queria nos dizer, que, nasceu no início do século XX. E assim, nos contava muitas outras histórias da sua vida, suas grandes dificuldades familiares, suas doenças, bem como as suas conquistas; e muitas coisas engraçadas também, etc. Ela nos dizia que amava todos os seus netos. Ela era muito carinhosa, uma virtude que meu pai herdou dela.

Lembro-me bem da sua pequena casinha de taipa no sítio, ao lado da casa de sua filha Maria do Carmo (Tia Carminha) Era uma alegria quando chegávamos lá para dá notícias do meu pai e saber como ela estava. Ela ficava muito feliz com a nossa visita. Eu e meu irmão Francisco era quem mais a visitava. Visitávamos também os outros nossos tios e alguns amigos.

Da união dos meus avós paternos, nasceram muitos filhos. São eles:

1º- Judite Severina da Conceição (*21/12/1935 +14/09/2009).

2º- João Francisco dos Santos (João Chaga) (*15/06/1937 +17/01/2002).

3º- Manuel Francisco dos Santos (Neco) (*10/08/1939 +06/01/2015).

4º- Alaíde Maria da Conceição (*07/09/1942).

5º- Maria do Carmo da Silva (Carminha) (*07/03/1944 +10/02/2016).

6º- Otávio Francisco dos Santos. (*21/12/1944 +03/06/1973).

7º- Margarida Maria dos Santos Oliveira (Guida) (*15/09/1945).

8º- Genésio Francisco dos Santos (*20/12/1947 +21/04/2026). (Meu pai).

9º- José Francisco dos Santos (Bizuza) (*30/12/1948 +06/10/2025).

10º- Severino Francisco dos Santos (Biu Chaga) (*10/01/1952).

Minha avó Maria Severina da Conceição (Dona Maria Chaga), faleceu aos 90 anos de idade segundo a data dos seus documentos civis, pois sabemos que ela nasceu em 1901, como expliquei acima. O dia do seu falecimento foi em 23 de maio do ano de 1999, na sua residência, no Sítio Araquã / Fazenda Bagé, Município de Bom Jardim, Pernambuco, às 22:00h. Seu sepultamento foi feito no cemitério público do Povoado de Lagoa Comprida - Pernambuco. Certidão de óbito n. --- às fls 13 do livro nº C- 02. Foi o declarante: Manuel Francisco dos Santos (Tio Neco). Assinada por: Maria Roseane de Lima da Silva – Oficial. Povoado de Bizarra, 24 de maio de 1999.

Eu conversava bastante com meu pai. Sempre o admirei muito pelo seu caráter bondoso, amável, e o seu vigor nos trabalhos e em tudo que fazia por nós e para os outros. Quando eu nasci meu pai tinha 31 anos de idade e minha mãe tinha 28 anos. Interessante que por obra de Deus eles nasceram no mesmo dia, em 20 de dezembro, mas em anos diferentes. Meu pai nasceu no ano de 1947 e minha mãe em 1950. Um certo dia eu perguntei ao meu pai como fora o dia do meu nascimento. E ele, assim me contou com sua costumeira simplicidade como aconteceu aquele dia de 1979. Disse: “Foi de noite. Fiquei preocupado porque tinha que buscar a parteira e era muito longe. Eu saí sozinho naquela hora noite, por lugares esquisitos com muitas matas, canaviais, bananais, laranjais etc.; numa grande escuridão. tive muito medo, mas tinha que ir, porque você estava nascendo.” E acrescentou: “Saí com um medo danado por causa da hora da noite, que era tarde, e estava muito escuro, e porque eu estava sozinho, os outros meninos era pequenos e não podiam me acompanhar; também tinha muitas matas; mato de um lado e de outro. Mas tinha que ir, pois o menino estava nascendo e eu tinha que chamar a parteira.” E eu ficava pensando, quantos sacrifícios e amor por mim e por todos os outros meus irmãos, fizeram os nossos pais! Agradeço sempre ao bom Deus pelos maravilhosos pais que ele nos concedeu.

Naqueles tempos era comum na minha região chamar as parteiras na ocasião dos nascimentos das crianças. Não existia maternidades e hospitais como atualmente. Por isso, a maioria dos partos eram conduzidos por parteiras. Existiam também outras parteiras que faziam os partos em nossa casa, conforme o lugar da nossa moradia. A parteira que fazia o nosso parto, os nossos pais chamavam-nas de comadres, e nós a chamávamos de madrinha. Na época a maioria das mulheres davam à luz em casa com a ajuda das parteiras as quais eram muito simples, mas com grandes conhecimentos nesse assunto. No entanto, no dia do meu nascimento, meu pai não encontrou a parteira mais próxima e teve que ir mais longe, a casa de outra. que pôde vir com ele, para fazer o parto, nessa hora tão avançada da noite. (Memórias dos meus pais).

E assim conversando com ele, para mais se inteirar das histórias de minha família, eu fazia mais perguntas a respeito daquela noite, em que eu nasci, ele contou a sua experiência, dizendo-me: “Lembro-me que Cecília me disse que o menino já ia nascer, e me mandou sair logo e chamar a parteira. Saí às pressas com um medo danado porque eu estava sozinho e ainda era altas horas da noite, pois morávamos num lugar muito solitário e esquisito, com muitas bananeiras, muitas matas e um escuro danado a noite. Fui à casa de duas parteiras e nenhuma pode vir comigo, assim me indicaram Dona Nega que morava bem mais longe e fui lá. Foi ela que veio fazer o seu parto. Mas, quando eu cheguei em casa com ela, você já tinha nascido. E Cecilia  estava deitada na camarinha com você do lado.” (memórias do meu pai). Assim se deu com o nascimento de outros meus irmãos que nasceram a noite. Porém, apenas eu nasci rápido, e sem que minha mãe sofresse muito; ela mesma me contou a mesma história e dizia a todos que foi muito rápido o meu nascimento.

O senhor Genésio trabalhou arduamente para criar juntamente com minha querida mãe dona Cecilia os seus numerosos filhos, pois tiveram quinze filhos. Dos quais, cinco deles morreram ainda crianças. Meus pais sempre nos contavam suas histórias de duros trabalhos; eles passaram muitas necessidades, principalmente nos primeiros anos de noivado. Por isso, nunca aprenderam a ler nem escrever, pois não tiveram a oportunidade de estudar, devido aos muitos trabalhos para o sustento dos seus filhos. Por causa disso, eles queriam que todos nós estudássemos para não termos a vida sacrificada como a deles; eles nos diziam sempre isso.

Meus pais foram maravilhosos para todos nós. Vejo muitos casais com um alto grau de estudos, e intelectuais, mas não tem a experiência de serem bons pais de família. Eles foram abençoados por Deus com uma família numerosa, assim como os Patriarcas do Antigo Testamento. Portanto, tiveram um matrimônio fecundo. O Catecismo da Igreja Católica nos ensina: “A fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora acrescentar-se ao amor mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e realização.” (CIC 2366). E continua: “Chamados a dar a vida, os esposos participam do poder do criador e da paternidade de Deus. “Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e de educar – o qual deve ser considerado como missão própria deles –, são cooperadores do amor de Deus criador e como que seus intérpretes. Por isso desempenharão seu múnus com responsabilidade cristã e humana.” (CIC 2367). E, graças ao bom Deus, dessa bela e santa união, nasceram meus queridos irmãos, quinze no total; (O 14º- foi um aborto espontâneo – Devido ao esforço de muitos trabalhos no campo). Vejamos sua cronologia:

1º- Manuel Francisco dos Santos – Nascido no ano de 1969, às 13:00h, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

2º- Arlindo Francisco dos Santos – Nascido no ano de 1970, na sua residência no Engenho Primavera. (Faleceu quando criança).

3º- Severino Francisco dos Santos – Nascido no ano de 1971, às 10:00h, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

4º- José Francisco dos Santos – Nascido no ano de 1972, na sua residência. (Faleceu quando criança).

5º- José Francisco dos Santos – Nascido no do ano de 1972, às 2:00h, na sua residência, no Sítio Pindoba do Município de Limoeiro, Pernambuco.

(Nota: Nossa Mãe tinha o costume de colocar o nome do falecido na criança que nascia em seguida. Por isso, temos repetições de nomes).

6º- Maria Francisca da Conceição – Nascida no ano de 1974, às 16h:00m, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

7º- Gilberto Francisco dos Santos – Nascido no ano de 1977, às 13h:00m, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

8º- Joselita Josefa da Conceição – Nascida no ano de 1978, às 11h:00m, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

9º- Gilvan Francisco dos Santos – Nascido no do ano de 1979, (Quinta-feira), às 23h:00m, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.

10º- Joselma Maria dos Santos – Nascida no dia 10 de dezembro do ano de 1980, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco. (Faleceu quando criança com um ano de idade, em 1981, no Povoado de Lagoa Comprida do Município de Bom Jardim, Pernambuco). Foi sepultada no cemitério do Povoado de Lagoa Comprida.

11º- Ivan Francisco dos Santos – Nascido no do ano de 1983, às 2h:00min, na sua residência, no Povoado de Lagoa Cumprida do Município de Bom Jardim, Pernambuco.

12º- Joselma Francisca dos Santos – Nascida no ano de 1984, às 15h:00m, na Maternidade de Limoeiro, Pernambuco.

13º- Josimeri Josefa dos Santos – Nascida no ano de 1987, às 18h:00m, na Maternidade da Vila de Pirituba, Vitória de Santo Antão, Pernambuco.

14º- Aborto espontâneo – Devido ao esforço de muitos trabalhos numa casa de farinha e no campo (Roça).

15º- Josuel Francisco dos Santos – Nascido no dia 23 de setembro do ano de 1991, na Maternidade da Vila de Pirituba, Vitória de Santo Antão, Pernambuco. O qual faleceu no ano de 1992, e está sepultado no cemitério da Vila de Apoti, Pernambuco.

Meu pai foi um homem guerreiro e de fé. Um homem muito justo, alegre, honesto e bondoso. As mesmas vitudes possuía a minha mãe, pois sempre pensei que um foi criado para o outro. Por isso, sempre agradeço a Deus pelos pais maravilhosos que ele nos deu. Eles cuidaram de nós com todo amor e dedicação e nos educou muito bem, mesmo com suas grandes dificuldades financeiras, nos deram o necessário. Eles nunca permitiu que passássemos fome. Imagino os grandes sacrifícios que fizeram por nós. Principalmente naqueles inícios de sua união conjugal. Eles sempre nos falavam que passaram muitas dificuldades financeiras e fome; trabalharam muito em diárias, para poderem comer e criar os seus filhos.

Por questões de necessidades, meu pai fez muitas mudanças de casas. Morou em vários lugares dos quais lembro de alguns. Do Engenho Primavera, nos mudamos para o povoado chamado Lagoa Cumprida, do mesmo Município de Bom Jardim, Pernambuco. Nossa mudança ocorreu no mês de junho do ano de 1981. Eu, ainda era bebê e, nesse povoado, minha família permaneceu, até o dia 29 de abril de 1985. A nossa casa era situada na Rua Antônio Ferreira, atualmente chamada de Avenida Santo Antônio à qual pertence a cidade de Limoeiro. No entanto, entre os anos de 1981-1985 teve um período que nos mudamos para um sítio próximo ao povoado de Lagoa Comprida o qual chamávamos de “sítio de seu Carro” provavelmente o nome era Carlos”, próximo a Fazenda Bagé. Neste sítio também não passamos muito tempo retornando ao Povoado de Lagoa Comprida.

Quando no dia 29 de abril de 1985, nos mudamos para uma bela região chamada Vila de Apoti  – 1º Distrito da cidade de Glória do Goitá, na Região da Zona da Mata Norte Pernambucana. Nesta ocasião, eu contava com meus 5 anos de idade. Lembro-me bem desse dia em que na alegria e curiosidade de criança eu queria conhecer a nova casa e o lugar em que iríamos morar. Um caminhão logo cedo se postou em frente de nossa casa em lagoa Comprida para arrumarmos a mudança e, meus irmãos e eu estávamos muito alegres por causa disso. Tudo para nós era novo. O caminhão pertencia ao senhor José João que morava no sítio Gameleira, próximo a Vila de Apoti. Dos meus três aos cinco anos de idade lembro-me de muitas coisas do Povoado de Lagoa Comprida. Lembro muito das brincadeiras à noite em frente da nossa casa, das visitas a casa de minha avó paterna Maria Chaga, e dos nossos tios, também quando íamos levar a comida do nosso pai, em seu trabalho da roça, etc.

No entanto, desde criança em nossa casa já começávamos a trabalhar muito pequenos. Nossos pais já nos preparava para a vida e nos dizia sempre: “não quero ninguém preguiçoso em casa.” Tínhamos que fazer alguma coisa para não nos criarmos preguiçosos. Porém, tínhamos também o tempo de brincarmos. O nosso tempo era bem aproveitado. Nossos pais dizia: “Ainda não pode pegar na enxada para limpar o mato, mas podem segurar uma cambuquinha e ir plantando os grãos de feijão, milho, etc.”. E continuava: “Os filhos têm que ajudar os seus pais em casa para aprenderem a fazer as coisas. Pois nem sempre terão os seus pais.” E, nada disso era estranho para nós. Era a época! A finalidade de uma família numerosa era ajudar os seus pais em seus trabalhos. Hoje, recordando estes episódios, sinto-me feliz e agraciado por tudo que passei e pela família que tenho.

Na Vila Apoti,  meu pai comprou uma casa de taipa sem eletricidade, a qual fomos reformando com o tempo. Esta casa está situada na Rua São Pedro, de nº 15 da qual nos mudamos em 1996 para a propriedade do Sr. José Reis Nogueira Filho, na mesma Vila, precisamente no mês de fevereiro do ano de 1996. A nossa nova casa localizava-se na grande propriedade do Sr. José Reis N. Filho, o qual residia na principal rua da vila, chamada Rua Santo Antônio – casa nº 17 ao lado da Capela de Santo Antônio de Pádua. Era um lugar calmo e bom de se viver. Aí plantávamos de tudo. Flores, legumes, hortaliças, verduras e frutas. Parte do terreno era cercado por muros de tijolos. Um lugar bastante seguro e calmo. Criávamos cabras, uns gados, um burrinho, galinhas e outros animais.

Até a década de 1990, não possuíamos eletricidade em nossa casa, e por isso graças ao bom Deus, não tendo televisão em casa, para nos entreter, ficávamos brincando em redor de nossa casa, e muitas vezes sentados a frente de nossa casa, ou na nossa sala, escutando as histórias dos nossos pais, que contavam para suas visitas, parentes e amigos, e também para nós, para ficarmos cientes de como era a vida deles, e para nos prepararmos também para a vida. Nós, muitas vezes apenas os escutavam conversando com os outros que iam a nossa casa, pois, como éramos crianças, não podíamos entrar nas conversas dos adultos. Isso jamais poderia acontecer na nossa família! Meus pais não permitiam isso. Mas também nos contava em outras ocasiões suas histórias de vida. Mesmo sem entendê-las, às vezes, eu achava belas e a minha imaginação ia longe nos pensamentos, querendo entender o contexto histórico apresentado. Porém, como éramos crianças, não entendíamos bem a seriedade que traziam as histórias de suas vidas. Com um tempo é que começamos a perceber a importância de todas elas, principalmente após as suas partidas deste mundo para Deus.

Meu pai teve uma vida feliz com seus irmãos dos quais era muito unido; com sua esposa e seus filhos. Foi sempre um homem de superação e de fé. Eu, desde criança sempre o via rezando em certas horas do dia, principalmente pela manhã e à noite às 18:00h, mesmo sem ter uma vida eclesial ativa, pois só começou a frequentar a igreja para as missas, terços, confissões e outras celebrações, a partir do ano de 1991, após o seu casamento no religioso. Assim a cada dia ele ia se fortalecendo mais na fé, e isso era muito importante para nós.

O senhor Genésio era um homem muito vigoroso, era muito alegre, e todos gostavam de conversar com ele; e era muito respeitado por todos. Aonde chegávamos e dizíamos que era o filho de seu Genésio, as portas se abriam sem dificuldades, fossem casas comerciais ou residências. Todos sabiam e conheciam a sua boa índole e justiça.

INTERNAMENTOS HOSPITALARES

Em 2025, nós, já o percebíamos com menos vigor e com o passar do tempo ele foi se debilitando mais, até que chegou a uma primeira internação no Hospital Regional José Fernandes Salsa em Limoeiro, Pernambuco com problemas respiratórios, devido a uma gripe mal curada, a qual gerou uma pneumonia. Essa internação ocorreu no dia cinco (domingo) de outubro de 2025, recebendo alta no dia 11 (sábado) de outubro de 2025.

Daí começou um tratamento médico, mensal, ficando com a saúde estável. Porém, veio uma segunda crise respiratória e outra internação no mesmo hospital em Limoeiro, no mês novembro; passando 13 dias internado. Recebendo alta voltou para casa tendo uma terceira internação no mesmo hospital de Limoeiro, com as mesmas crises respiratórias, às 21:00h do dia 16 (quinta-feira) de abril de 2026, recebendo alta às 14:00h do mesmo dia. No entanto, pela madrugada da mesma noite, já do dia 17 (sexta-feira) de abril de 2026, retornou ao Hospital João Murilo de Oliveira em Vitória de Santo Antão – PE, e o seu quadro de internação foi se complicando cada vez mais. Portanto, no dia 20 foi chamado o sacerdote, o Rev.mo Padre Joab Domingos de França, Vigário da Matriz de Santo Antão, Vitória de Santo Antão – PE, para ministrar-lhe a unção dos enfermos. E no dia 21 (terça-feira) de abril de 2026, às 14h:02min, aos 78 anos de idade, o senhor Genésio Francisco dos Santos fez a sua Páscoa, voltando para casa do pai, morrendo com os sacramentos da Igreja. Tendo uma morte tranquila e santa. 

Na sua certidão de óbito podemos ler o seguinte enunciado: Genésio Francisco dos Santos – dia 21 de abril de 2026 (Terça-feira), às 14h:02min, aos 78 anos de idade. Foi declarante Josimeri Josefa dos Santos e o óbito foi atestado pelo Doutor João Lucena, número do documento – nº ___ /PE tendo sido a causa da morte, parada cardíaca, infecção respiratória aguda, pneumonia, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica. O seu sepultamento foi feito no cemitério do Distrito de Apoti, Glória do Goitá – Pernambuco, às 17:00h do dia 22 de abril. Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais Sede de Glória do Goitá, PE. Oficial registrador: Emanuelle Cavalcanti da Costa, 22 de abril de 2026. Assinado por Emanuelle C. Costa, Oficial titular – RCPN Glória do Goitá – Pernambuco.

Em 29 de maio desse ano de 2026, completou-se 21 anos do falecimento da nossa querida mãe Cecília, ocorrido em 2005. Cf. (As lembranças de um filho). E, nesse dia de 21 de abril, mais um dia triste de saudades pela partida do nosso querido pai Genésio Francisco. E assim ficamos órfãos.

No seu velório para a encomendação do seu corpo, alguns dos filhos não puderam comparecer, devido a distância e outros impedimentos, inclusive eu, que estava em viagem. Porém, acompanhei tudo de longe; das suas internações até o seu sepultamento. O pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, o Rev.mo Padre Romário ao se certificar do seu falecimento, fez a encomendação do seu corpo, (exéquias) às 15:00h e nessa mesma celebração, já deixou marcado aos presentes, o dia da celebração da missa de sétimo dia em sufrágio pela alma do falecido, a qual foi celebrada pelo mesmo sacerdote no dia 27 de abril às 18:00h, na Capela de Santo Antônio, da Vila de Apoti, Pernambuco.

Posso dizer com muita convicção, que três momentos causaram um grande impacto em minha vida. São eles: o dia em que deixei a casa paterna para ingressar no Mosteiro de São Bento de Garanhuns, no mês de dezembro do ano 2000, precisamente na manhã do dia 28; outro momento, foi o dia do falecimento de minha venerada mãe Josefa Maria da Conceição (dona Cecília), e o dia 21 de abril que foi o dia falecimento do nosso querido pai Genésio Francisco dos Santos.

Todos que tiveram contato e conheceram meu pai, mais de perto, pode bem dizer que era um homem de grande coração, alegre, bondoso e de uma moral ilibada, incapaz de fazer o mal a quem quer que seja, e gostava muito de fazer caridade a quem precisasse de ajuda. Tinha uma alma justa, e era muito sincero e direto nas suas colocações, apesar de algumas vezes se calar para não criar conflitos. Detestava mentiras, falsidades, roubos; pois presava muito pela sua conduta moral e de sua família. Nós, seus filhos, herdamos muitas das suas virtudes.

Meu pai tinha grande bondade, como já mencionei, era muito discreto. Com um senso de retidão extraordinário. Foi bom esposo, excelente pai, bom irmão, bom amigo, etc. sempre foi muito preocupado com o seu próximo. Por isso, foi muito amado por todos. Onde nós, os seus filhos, nos identificávamos como filho de seu Genésio, as pessoas abriam as suas portas, por saberem que ele era um homem correto e justo, ou seja, uma família honesta. E, claro, isso nos deixava muito orgulhosos e felizes.

Sempre que ele sabia ou ouvia dizer que alguém estava passando necessidades, ele fazia o possível para socorrê-los. Quando não podia ajudar a quem estava precisando, ficava triste por não poder dar a ajuda necessária à pessoa, no entanto, fazia o possível para arranjar o que pudesse, para dar ao menos um alívio ao seu próximo que estava necessitado. O mesmo fazia a minha mãe. Eu, ainda muito pequeno, não conseguia entender estas suas atitudes. Só mais tarde, quando adquiri mais anos de vida, é que fui percebendo esses seus pequenos, mas grandes gestos de amor ao próximo. Depois soube e compreendi que isso era a verdadeira Caridade cristã. Portanto, hoje, eu, como monge e conhecedor da Teologia cristã, falo com muita convicção que meu pai foi uma verdadeiro cristão, e viveu santamente, fazendo a vontade de Deus a sua maneira. Portanto teve também uma santa morte. Em janeiro de 2026 quando nas minhas férias estive com ele, falou-me algumas vezes que pedia sempre a Jesus que se lembrasse dele e não deixasse sofrer tanto; e em pouco tempo Jesus o atendeu, não permitindo que ficasse debilitado por meses, ou até anos, sofrendo preso a uma cama, como vemos muitas pessoas. Como o salmista ele invocou o senhor e foi atendido. “Por teu nome, Iahweh, tu me conservas, por tua justiça tira-me da angústia, [...], porque eu sou servo teu!” (Sl 143,11-12). E Jesus no disse: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11,25-26).

Por tudo que eu recebi, todos os dias, agradeço sempre ao meu bom Deus, pelos meus pais, irmãos e a família que me concedeu. Amo a todos!


OREMOS

Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de vossos servos a benigna remissão de todos os seus pecados, para conseguirem pelas pias súplicas de vossa Igreja a indulgência a que sempre aspiram. Amém.

+ Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplenderes da Luz perpétua. Descansem em paz. Amém. 

FOTOGRAFIAS
















Ut in omnibus glorificetur Deus (RB 57,9)

(Para que em tudo seja Deus glorificado)