sexta-feira, 7 de agosto de 2026

COMENTÁRIO TEOLÓGICO SOBRE O HINO A MARIA, MÃE E SERVA DO SENHOR.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 03 de junho de 2026

 

Disse, então, Maria: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!” (Lc 1,38)


O Hino, a Maria, Mãe e Serva do Senhor, foi composto por Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B, monge beneditino, em 02 de junho de 2026, na Arquiabadia de São Sebastião, Mosteiro de São Bento da Bahia, a pedido do seu irmão padre José Francisco dos Santos (diocesano), o qual tem grande devoção a Mãe de Deus, com o título de Serva do Senhor, por ele ter pertencido ao Instituto Missionário Servos do Senhor; Instituto formado de uma associação de vida apostólica, fundado pelo bispo diocesano Dom José Edson Santana Oliveira, primeiro bispo da diocese de Eunápolis – Bahia, em 08 de setembro do ano de 2005. O Instituto vigorou até o ano de 2022, sendo supresso precisamente no dia 12 de março do ano de 2022; porém, mesmo com a supressão do Instituto, a devoção a Nossa Senhora Mãe e Serva, continua entre alguns padres que pertenceram ao mesmo.


Antes da fundação dos Missionários Servos do Senhor, essa devoção a Maria Mãe Serva, pertencia ao Instituto das irmãs Servas do Senhor; ramo feminino fundado pelo mesmo bispo, muitos anos antes da fundação do Instituto dos Servos do Senhor, o ramo masculino.


O Instituto Missionário das Servas do Senhor, foi fundado no dia 25 de março do ano do Senhor de 1987 (em registros históricos do Instituto encontra-se também os anos 1986 ou 1989), em Feira de Santana, na Bahia. A criação foi realizada pelo então padre Dom José Edson Santana Oliveira, que posteriormente foi nomeado o primeiro bispo da Diocese de Eunápolis – Bahia. Atualmente a casa Mãe do Instituto das irmãs Servas do Senhor, se encontra na diocese de Eunápolis, Bahia – Brasil.


O padre José Francisco, por ter pertencido ao Instituto Missionário Servos do Senhor, portanto para honrar a Santa Mãe de Deus, ele faz a sua memória particular em honra a Maria Mãe e Serva, no dia 25 de março, na Solenidade da Anunciação do Senhor. No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe: "Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!" [...]. O Anjo, porém, acrescentou: "Não Temas Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e o chamarás com o nome de Jesus. (Lc 1,26-31). Maria, como humilde serva do Senhor, aceita o convite de Deus com alegria. Disse, então, Maria: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38).


Portanto, o hino a Maria Mãe e Serva do Senhor, foi composto nesse contexto da Anunciação, bem como da teologia da imagem usada pelos Institutos dos Servos e das Servas do Senhor. No hino, coloquei um engrandecimento a Virgem Santíssima como Rainha do céu, pois ela é para todos os cristãos; solicitando assim a sua poderosa proteção aqui na terra, principalmente na hora da nossa morte e uma vida feliz para sempre no paraíso.


ANÁLISE TEOLÓGICA DO HINO


O hino foi composto com um refrão e sete estrofes. Analisemos agora o seu cunho teológico.


1- Quando o Anjo desce a terra,

Por ordem do Criador;

A Virgem Maria o recebe com alegria,

Aceitando o convite de Deus Pai.


Portanto, a primeira estrofe nos mostra a Anunciação do anjo Gabriel, enviado por ordem de Deus, a Virgem Maria, a qual, recebe com alegria o grande anúncio da salvação, aceitando, ela, o convite de Deus Pai, com humildade. Dizendo, então, Maria ao anjo: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!" (Lc 1,38).


Refrão:

Maria, Mãe e Serva,

Te entregaste ao Criador, para ser a Mãe do Redentor.

Por isso, te louvamos com amor.


No refrão, vemos a total entrega da Virgem Santíssima ao seu Criador, no plano Redentor de Cristo, e, por isso, em seguida, lhes mostramos o nosso amor em louvar o nome da Santíssima Mãe de Deus.


2- Deus armou a sua tenda entre nós,

Nos dando o seu Filho Jesus;

Maria, nos aponta o seu coração,

Mostrando-nos o centro do amor.


A segunda estrofe, vemos Deus que arma sua tenda entre os homens, dando-nos Jesus Cristo seu amado Filho, o qual, Maria aponta o seu bondoso e misericordioso coração, que é o centro do amor, de toda a graça e de todo bem.


3- A bondade infinita de Deus,

A serva se inclina com amor.

O Espírito Santo, fecunda o seu seio,

E o Verbo, nele, se formou.


Na terceira estrofe, mostra a humildade de Maria que se inclina totalmente diante da vontade e da bondade de Deus, dando o seu Sim em prol da humanidade. Por isso, ela recebe o Espírito Santo que lhe cobre com a sua sombra, e o seu seio, logo é fecundado com Verbo Divino, que nele se formou. “O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo vai te cobrir com a sua sombra.” (Lc 1,35).


4- Ó Mãe, trazes nos teus braços Jesus Cristo,

E apontas a nós o nosso rei.

Colocai-nos diante do teu Filho Redentor,

Ó Maria, Mãe e Serva do Senhor.


A quarta estrofe, mostra Maria que traz em seus braços o seu Filho Jesus Cristo; a qual, nos aponta o nosso Rei, nos colocando diante do nosso Redentor; por isso, ela é a Mãe e a Serva do Senhor.  (cf. Lc 1,38).


5- A Virgem é a rainha do céu,

Coroada por seu Filho Jesus.

Todo o universo, canta seus louvores,

Implorando a sua intercessão.


Na quinta estrofe, por causa grande humildade da Virgem Maria, ela é coroada como a Rainha do céu, pelo seu Filho Jesus Cristo. Assim, todo o universo canta para sempre os seus louvores e implora a sua materna e poderosa intercessão junto a Jesus Cristo seu Filho. (cf. Jo 2,1-11).


6- Senhora, Mãe clemente e poderosa,

Pedimos sempre a tua proteção.

Na hora derradeira, vinde e socorrei-nos.

Estendendo sobre nós a vossa mão.


A sexta estrofe nos mostra a Virgem Maria como Mãe clemente e poderosa, a qual, com genuína confiança lhe pedimos sempre a sua proteção; principalmente na hora da nossa morte. Assim, ela venha nos socorrer nesse momento decisivo da nossa vida.


7- Levai-nos para o céu junto contigo,

E apresenta-nos, Jesus nosso Senhor.

E, juntos, viveremos na glória de Deus,

Para sempre, adorando o puro amor.


E, finalmente, na sétima estrofe, fazemos-lhe uma súplica para que ela nos leve para o céu, e nos apresente nosso Senhor Jesus Cristo, o seu amado Filho; e junto com todos os santos e anjos, adoraremos e gozaremos da glória eterna de Deus, o puro amor, por todos os séculos. Amém.


Maria, Mãe e Serva, rogai por nós que recorremos a vós!


Arquiabadia de São Sebastião da Bahia

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, Bahia - 03 de junho de 2026


LETRA

HINO A MARIA, MÃE E SERVA DO SENHOR

Memória particular no dia 25 de março

Na Solenidade da Anunciação do Senhor

Compositor: Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Salvador, Bahia – 02 de junho de 2026


Refrão:

Maria, Mãe e Serva,

Te entregaste ao Criador, para ser a Mãe do Redentor.

Por isso, te louvamos com amor.

1- Quando o Anjo desce a terra,

Por ordem do Criador;

A Virgem Maria o recebe com alegria,

Aceitando o convite de Deus Pai.

   Refrão: ...


2- Deus armou a sua tenda entre nós,

Nos dando o seu Filho Jesus;

Maria, nos aponta o seu coração,

Mostrando-nos o centro do amor.

   Refrão: ...

3- A bondade infinita de Deus,

A serva se inclina com amor.

O Espírito Santo, fecunda o seu seio,

E o Verbo, nele, se formou.

   Refrão: ...


4- Ó Mãe, trazes nos teus braços Jesus Cristo,

E apontas a nós o nosso rei.

Colocai-nos diante do teu Filho Redentor,

Ó Maria, Mãe e Serva do Senhor.

   Refrão: ...

5- A Virgem é a rainha do céu,

Coroada por seu Filho Jesus.

Todo o universo, canta seus louvores,

Implorando a sua intercessão.

   Refrão: ...


6- Senhora, Mãe clemente e poderosa,

Pedimos sempre a tua proteção.

Na hora derradeira, vinde e socorrei-nos.

Estendendo sobre nós a vossa mão.

   Refrão: ...

7- Levai-nos para o céu junto contigo,

E apresenta-nos, Jesus nosso Senhor.

E, juntos, viveremos na glória de Deus,

Para sempre, adorando o puro am

   Refrão: ...

 


MAGNIFICAT

(Lc 1,46-55)

 

“Minha alma engrandece o Senhor,

e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador,

porque olhou para a humilhação de sua serva.

Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem-aventurada,

pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor.

Seu nome é santo

e sua misericórdia perdura de geração em geração,

para aqueles que o temem.

Agiu com a força de seu braço,

dispersou os homens de coração orgulhoso.

Depôs poderosos de seus tronos,

e humildes exaltou.

Cumulou de bens a famintos

e despediu ricos de mãos vazias.

Socorreu Israel, seu servo,

lembrando de sua misericórdia

– conforme prometera a nossos pais –

em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre!”.

 

LINKS DAS PLATAFORMAS DIGITAIS


HINO A MARIA MÃE E SERVA DO SENHOR

Lançado no dia 17 de julho de 2026

Para a maior glória de Deus, e da nossa Mãe, a Virgem Santíssima.  

Ouça agora e compartilhe os links abaixo:

Link do spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/25EQiYha6wmwtrSL3f73Fh

Link: https://open.spotify.com/intl-pt/artist/5HSqo2oYrXJHPaMEUBmB0o

Link do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=0D3ZmPTHMPw&list=RD0D3ZmPTHMPw&start_radio=1

Link spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/track/25EQiYha6wmwtrSL3f73Fh?flow_ctx=8832d6e6-b2e5-4b79-9aa2-afdcd21e0236%3A1785902045&autoplay_ok=1

Link do spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/album/1MMySyuULERZQnvVFq61qH?si=LBr-ouDjT-uO0X1597a7mA&utm_source=copy-link&nd=1&dlsi=536f52bd2c674824

Link geral da minha plataforma digital. 

Link: https://linktr.ee/domgilvan


PINTURAS DE MARIA MÃE E SERVA DO SENHOR 

Pintura de Maria, Mãe e Serva reproduzida pela IA 
(inteligência artificialem julho de 2026. 

Pintura ícone de Maria, Mãe e Serva reproduzida pela IA 
(inteligência artificial) em julho de 2026. 

REFERÊNCIAS

 

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

 

Ut in omnibus glorificetur Deus. (RB 57,9)

(Para que em tudo seja Deus glorificado)


sexta-feira, 10 de julho de 2026

 

GRIMÓRIO SAGRADO E SECRETO DE SÃO BENTO, LIVRO QUE NÃO PERTENCE A TRADIÇÃO BENEDITINA

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 10 de julho de 2026

Os anos que pertenço a Ordem de São Bento, e nas minhas muitas pesquisas sobre a vida monástica beneditina, nunca ouvi falar, nem encontrei em nenhum dos nossos Mosteiros, esse livro, nem esse termo grimório relacionado a devoção ao Patriarca São Bento (480-547), e muito menos escutei de nenhum dos monges mais idosos, bem como nada encontrei nos nossos antigos arquivos do Mosteiro da Bahia, o primeiro Mosteiro a ser fundado nas Américas no ano de 1582, nada referente ao Grimório sagrado e secreto de São Bento, livro de orações atribuído ao Patriarca São Bento de Núrcia, abade (480-547).

A própria terminologia grimório, não é usada na nossa tradição monástica cristã, pois essa nomenclatura está ligada a livros didáticos de magias e bruxarias, históricos de feitiços, rituais encantamentos, e instruções para criar objetos mágicos. Os grimórios foram livros muito usados na Idade Média, e existem alguns muito famosos, como: grimorium verum, que é conhecido por registrar rituais profundos e tradições antigas. Historicamente esses livros são coleções medievais, muitas vezes atribuídas a fontes clássicas, egípcias ou hebraicas. Se pesquisarmos sobre essa nomenclatura encontraremos vários grimórios famosos; entre eles, temos: a Chave de Salomão, o Livro de São Cipriano (capa preta) magia negra, que não foi escrito pelo santo, mas por discípulos dele, Grimorium verum (grimório da verdade), o Livro da sagrada magia de Abramelin, o mago, o Liber juratis, entre outros.

Portanto, o livro grimório sagrado e secreto de São Bento, que a alguns anos circula nas redes sociais, em alguns sites e aplicativos, ou seja, na Amazon, Mercado Livre, Shopee etc.; em nada tem ligação com a nossa Tradição Beneditina, por isso, como monge da Sagrada Ordem de São Bento, alerto aos devotos do santo Patriarca, que esse material não é totalmente confiável. Os Mosteiros e a Ordem Beneditina não conhecem esse material divulgado como sendo da nossa Tradição. Certamente esse conteúdo foi criado por alguém com a ajuda da IA, (inteligência artificial) e no mercado ele está custando na faixa de R$ 50,00 a R$ 60,00 reais, bem como circula em PDF, o livro completo, gratuito, pelo WhatsApp.

Essa obra traz orações com promessas de poderosos milagres, para sanar dívidas, curas milagrosas etc.; numa linha da teologia da prosperidade, o que é totalmente incompatível com a nossa Tradição Beneditina, pois a Ordem de São Bento zela, e vive da Oração e do Trabalho. Os quais, ambos devem estar em completa harmonia. Os conhecedores da vida monástica beneditina, sabem muito bem como muitas culturas foram formadas com muitos trabalhos e orações do monges beneditinos. Por isso, o Patriarca São Bento recebeu o título de Pai dos monges do Ocidente e Pai da Europa.

Sendo assim, quando tiverem contatos com orações com grandes promessas milagrosas, ou seja, com efeitos quase mágicos, desconfiem. O engano está sempre ligado a grandes promessas e mudanças repentinas, o que não prega a espiritualidade cristã. Principalmente nos dias atuais em que vivemos em um mundo de grandes catástrofes, guerras, doenças corporais e espirituais de todos os tipos, não é de se admirar que surjam da parte de muitos, coisas enganosas, diante das tantas necessidades e sofrimentos humanos. E, nesse contexto digital em que estamos vivendo, esses problemas sociais e eclesiais, se tornam mais avultados, frequentes e mais elaborados no decorrer dos anos; sendo assim difícil enxergarmos com nitidez esses males sociais e eclesiais. Nesse contexto, devemos ficar sempre atentos, pois do ano de 2026 em diante, será bastante difícil enxergarmos a verdade de um modo geral, por conta das muitas Fakes News, o que vem a ser no código penal, um crime. Por isso, estejamos sempre atentos às notícias que escutamos e o que repassamos para os outros. Um erro bem comentado, e muito divulgado, torna-se uma verdade para a maioria, senão para todos; coisa muito perigosa para o homem.

Portanto, alerto aos devotos de nosso Patriarca São Bento, e aos cristãos em geral, que usem aquilo que a Tradição da Igreja Católica e Apostólica, já possui no seu grande e riquíssimo tesouro da espiritualidade cristã, que a séculos ela vem guardando com tanto zelo para nos ajudar nos nossos encontros pessoais com Deus. Os cristãos devem necessariamente procurar conhecer a Tradição da Igreja Católica, para não se perderem no caminho rumo ao Paraíso, que doravante tornar-se-á mais perigoso e obscuro. Diante das dúvidas de muitos fiéis, como monge beneditino, deixo aqui esse alerta para todos que buscaram uma resposta junto aos nossos Mosteiros sobre a obra, Grimório sagrado e secreto de São Bento. Como já mencionei, essa obra em nada está ligada à nossa Tradição Beneditina.


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REFERÊNCIAS

Nevill Drury. Dicionário de Magia E Esoterismo. Editora Pensamento; ISBN 978-85-315-1361-9. p. 157.

Thesaurus Magicus, coleção de grimórios publicados em Português pela Clavis Magicae Ediciones.

Cf. Link: acessado em 06.07.2026 - O que é um grimório? https://www.google.com/search?o+que é+um+grimorio

Cf. Link: acessado em 06.07.2026 - Grimórios famosos: https://pt.wikipedia.org/wiki/Grim%C3%B3rio

Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57, 9)

segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

APOFTEGMA SOBRE O CÃO E A LEBRE

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 29 de junho de 2026

Lendo, certo dia, um livro, me deparei com esse relato, e importante conselho para a nossa vida espiritual. Anotei em um lugar a parte, mas, por descuido meu, não anotei o nome do livro que li e nem seu autor. Um grande erro de minha parte. Por isso, não lembro do livro que foi lido, nem do autor desse belo conselho espiritual. Devido a sua grande importância para a nossa caminhada cristã, desejei partilhar essa história; um apoftegma que nos ajudará a ter foco no ponto almejado por nós, e nas nossas experiências íntimas cristãs. Portanto, o autor narra um apoftegma sobre um cão e uma lebre; ele fala também para nós da sua experiencia intima cristã, e assim nos ensina a ter sempre o foco em Jesus Cristo: vejamos o seu relato:

“Importa dar às pessoas a ocasião de experiências íntimas de encontros com Cristo. Sem um coração a coração, é ilusório pensar que os homens sempre seguirão o Filho de Deus.

A importância dessa experiência pessoal remete à minha memória um apoftegma dos Padres do deserto que profundamente marcou meus estudos bíblicos em Jerusalém.

Traduzido do copta, exprime a importância da vida interior indispensável a toda existência cristã:

Assim era o Apoftegma: "Um monge encontra outro e lhe pergunta: “Por que tantos abandonam a vida monástica? Por quê? E o outro monge respondeu: "A vida monástica é como um cão que percebe uma lebre. Ele corre atrás da lebre latindo; muitos outros cães, ouvindo seu latido o alcançam e correm todos juntos atrás da lebre. Mas no fim de algum tempo, todos os cães que correm sem ver a lebre dizem: mas aonde é que nós vamos? Por que corremos? Eles se cansam, se perdem e param de correr, um depois do outro. Somente os cães que veem a lebre continuam a persegui-la até o fim, até que eles a apanhem”.

E a história conclui: apenas aqueles que têm os olhos fixados na pessoa de Cristo na Cruz perseveram até o fim...

Muitas circunstâncias e motivos profundos, ou nossos companheiros, podem nos ter animado ao seguimento de Jesus. Em seguida, vem o momento da maturidade, em que só a experiência pessoal de Cristo nos guia. Esse encontro pessoal é decisivo para o resto de nossa vida. São Paulo conheceu esse momento na estrada de Damasco, assim como Santo Agostinho sob uma figueira em Cassiciacum. Assim, o primeiro podia dizer: “Para mim, viver é Cristo." (Fl 1,21). Acrescentava: "Vivo, mas não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. Pois a minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2,20).”


APOFTEGMA SOBRE A CELA

Apoftegma: Abade Poimém

“Em certa ocasião Paésio, o irmão do Abade Poimém, tinha colóquios com alguém fora da cela. O Abade Poimém não queria isto; levantou-se, pois e fugiu para junto do Abade Amonas, dizendo a este: “Paésio, meu irmão, tem colóquios com alguém e, em consequência, eu não sossego”. Perguntou-lhe o Abade Amonas: “Poimém, ainda vives? Vai, senta-te em tua cela e coloca em teu coração a ideia de que já há um ano que jazes no sepulcro”.

(Informativo: Abadia da Ressurreição / fevereiro - 2013)

Postado no Blogger Dimensão da Escrita em 1º de maio de 2026 - O significado da cela monástica.


Apoftegma: Abade Antão

Ao Abade Amonas profetizou o Abade Antão, dizendo: “Hás de fazer progresso no amor de Deus”. E, levando-o para fora da cela, mostrou-lhe uma pedra e mandou-lhe: “Dize injúria a esta pedra e bate-a”. Ele assim fez. Perguntou-lhe então o Abade Antão: “Por acaso a pedra falou?” Respondeu: “Não”. Acrescentou o Abade Antão: “Assim também tu hás de chegar a esta medida”. De fato, isto aconteceu:  o Abade Amonas fez tantos progressos que, de tanta bondade, não mais conhecia a maldade.

(Informativo: Abadia da Ressurreição / dezembro - 2012)

Postado no Blogger Dimensão da Escrita em 1º de maio de 2026 - O significado da cela monástica.  


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REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57, 9)

quinta-feira, 21 de maio de 2026

TRIGÉSIMO DIA DO FALECIMENTO DO MEU PAI SENHOR GENÉSIO FRANCISCO DOS SANTOS - Dia do falecimento – 21.04.2026 Trigésimo dia – 21.05.2026.

 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, OSB

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 21 de maio de 2026

Hoje, dia 21 de maio, completou-se um mês (trigésimo dia) que meu querido Pai o senhor Genésio Francisco dos Santos (1947 - 2026), deixou esse mundo, e voltou para a casa de Deus. Ele sempre nos dizia que não temia a morte, o que temia era os sofrimentos da morte, e assim sempre pedia a Deus e a Nossa Senhora, que naquele momento decisivo, não sofresse tanto, e que eles, os socorresse sem demora. E assim aconteceu. Com a minha mãe não foi diferente. Ambos eram amantes da oração, da caridade e da verdade. Pois, as duas últimas virtudes é o lema de nossa Família. Meus pais eram muitos devotos de Nossa Senhora, dos anjos, e dos santos, por isso, conseguiram o que tanto pediam, ou seja, uma morte rápida, tranquila e santa. Assim, diz as Escrituras: "Acima de tudo, cultivai, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor (caridade) cobre uma multidão de pecados." (1Pd 4,8).

Quanto a esse primeiro ciclo do luto em que a minha família se encontra, ou seja, o trigésimo dia da morte do nosso querido pai, vejamos um pouco esse assunto de suma importância para todos nós.

O Santo Sacrifício Eucarístico (a Missa) é o ato por excelência para a salvação de todos aqueles que morreram, pois, ele é o grande Sacrifício de Cristo nosso Senhor e Salvador. Nenhuma forma de devoção substitui a Santa Missa, que é o Sacrifício Redentor de Cristo, o Cordeiro Imaculado de Deus Pai. Portanto, quando celebramos a missa de sétimo dia, e do trigésimo dia, ou seja, missa de um mês, como é mais conhecida, estamos cumprindo uma antiga tradição religiosa e cultural católica, a qual tem o objetivo de dirigir sufrágios pela alma do fiel falecido pedindo a Deus sua salvação eterna.

Por essa celebração, também se oferece o conforto aos seus familiares, marcando assim o primeiro ciclo de luto e ausência do falecido. O cristão que fez a sua passagem desta vida para a outra, não tem mais necessidade das coisas deste mundo, exceto das nossas orações pelo seu eterno descanso, porque nós cremos na ressurreição dos mortos e na vida eterna junto de Deus. Jesus nos ensinou: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11,25-26). Por isso, pedimos a Deus a sua luz perpétua para os nossos irmãos que nos precederam na morte.

Essa prática vem das antigas tradições espirituais. Por causa do primeiro mês ser um dos períodos mais difíceis para os enlutados, a Santa Missa de sétimo, trigésimo dia, ou outras, sufraga em favor dos falecidos e pela sua salvação eterna no céu. A celebração eucarística tem também o objetivo de encontro, de apoio, ajudando, assim, os familiares a transformarem as suas dores em saudades, dando, com isso, início a uma aceitação da morte do seu ente querido.

Por essa razão, a missa de sétimo dia ou do trigésimo dia, pelo falecido, tem a finalidade de sufrágios pela sua alma, buscando o seu descanso eterno, e também proporciona a ajuda divina para a família do falecido que aqui ficaram. Portanto, tem eficácia e dá alívio para ambos os lados. Após o trigésimo dia, (um mês), são celebradas as missas de um ano, e assim sucessivamente, em memória do ente querido. E qualquer outra celebração ou homenagem feita ao falecido, sempre deve colocar a inscrição: in memoriam. Uma expressão latina que significa: “em memória”, “em lembrança”.

Em outra conotação social, tanto a Missa, como outras celebrações dirigida aos falecidos, elas tem o objetivo de reunir as pessoas, principalmente os familiares e os amigos, os quais, não puderam comparecer ao funeral ou ao sepultamento, devido às distâncias ou outros impedimentos; portanto, essas despedidas, ou seja, missa de sétimo dia, ou trigésimo dia da morte, tem a finalidade de uma homenagem mais ampla.

Requiescat in pace


ORAÇÃO PELOS MORTOS

Ó Deus, que perdoais e salvais os homens, suplicamos vossa clemência, em favor de (N… e dos outros) nossos irmãos, parentes, amigos e benfeitores que partiram desta vida, para que alcancem, graças à intercessão da Virgem Maria e de todos os vossos Santos, participar da vida eterna. Por Cristo nosso Senhor.

(Diretório Litúrgico da Congregação Beneditina do Brasil)


- Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso a todas as almas, entre os esplenderes da luz perpétua. Que elas descansem em paz. Amém. 

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Brasões e Bandeiras da Família
Desenhos e montagem de Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

Momentos de alegrias

Com seus seus filhos e um sobrinho

Eu só tenho o que agradecer a Deus o pai que me concedeu. 
Amo demais

REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57,9)