Dom Gilvan Francisco dos Santos, OSB
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 21 de maio de 2026
Hoje, dia 21 de maio, completou-se um mês (trigésimo dia) que meu querido Pai o senhor Genésio Francisco dos Santos (1947 - 2026), deixou esse mundo, e voltou para a casa de Deus. Ele sempre nos dizia que não temia a morte, o que temia era os sofrimentos da morte, e assim sempre pedia a Deus e a Nossa Senhora, que naquele momento decisivo, não sofresse tanto, e que eles, os socorresse sem demora. E assim aconteceu. Com a minha mãe não foi diferente. Ambos eram amantes da oração, da caridade e da verdade. Pois, as duas últimas virtudes é o lema de nossa Família. Meus pais eram muitos devotos de Nossa Senhora, dos anjos, e dos santos, por isso, conseguiram o que tanto pediam, ou seja, uma morte rápida, tranquila e santa. Assim, diz as Escrituras: "Acima de tudo, cultivai, com todo o ardor, o amor mútuo, porque o amor (caridade) cobre uma multidão de pecados." (1Pd 4,8).
Quanto a esse primeiro ciclo do luto em que a minha família se encontra, ou seja, o trigésimo dia da morte do nosso querido pai, vejamos um pouco esse assunto de suma importância para todos nós.
O Santo Sacrifício Eucarístico (a Missa) é o ato por excelência para a salvação de todos aqueles que morreram, pois, ele é o grande Sacrifício de Cristo nosso Senhor e Salvador. Nenhuma forma de devoção substitui a Santa Missa, que é o Sacrifício Redentor de Cristo, o Cordeiro Imaculado de Deus Pai. Portanto, quando celebramos a missa de sétimo dia, e do trigésimo dia, ou seja, missa de um mês, como é mais conhecida, estamos cumprindo uma antiga tradição religiosa e cultural católica, a qual tem o objetivo de dirigir sufrágios pela alma do fiel falecido pedindo a Deus sua salvação eterna.
Por essa celebração, também se oferece o conforto aos seus familiares, marcando assim o primeiro ciclo de luto e ausência do falecido. O cristão que fez a sua passagem desta vida para a outra, não tem mais necessidade das coisas deste mundo, exceto das nossas orações pelo seu eterno descanso, porque nós cremos na ressurreição dos mortos e na vida eterna junto de Deus. Jesus nos ensinou: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11,25-26). Por isso, pedimos a Deus a sua luz perpétua para os nossos irmãos que nos precederam na morte.
Essa prática vem das antigas tradições espirituais. Por causa do primeiro mês ser um dos períodos mais difíceis para os enlutados, a Santa Missa de sétimo, trigésimo dia, ou outras, sufraga em favor dos falecidos e pela sua salvação eterna no céu. A celebração eucarística tem também o objetivo de encontro, de apoio, ajudando, assim, os familiares a transformarem as suas dores em saudades, dando, com isso, início a uma aceitação da morte do seu ente querido.
Por essa razão, a missa de sétimo dia ou do trigésimo dia, pelo falecido, tem a finalidade de sufrágios pela sua alma, buscando o seu descanso eterno, e também proporciona a ajuda divina para a família do falecido que aqui ficaram. Portanto, tem eficácia e dá alívio para ambos os lados. Após o trigésimo dia, (um mês), são celebradas as missas de um ano, e assim sucessivamente, em memória do ente querido. E qualquer outra celebração ou homenagem feita ao falecido, sempre deve colocar a inscrição: in memoriam. Uma expressão latina que significa: “em memória”, “em lembrança”.
Em outra conotação social, tanto a Missa, como outras celebrações dirigida aos falecidos, elas tem o objetivo de reunir as pessoas, principalmente os familiares e os amigos, os quais, não puderam comparecer ao funeral ou ao sepultamento, devido às distâncias ou outros impedimentos; portanto, essas despedidas, ou seja, missa de sétimo dia, ou trigésimo dia da morte, tem a finalidade de uma homenagem mais ampla.
Requiescat in pace
ORAÇÃO PELOS MORTOS
Ó Deus, que perdoais e salvais os homens, suplicamos vossa clemência, em favor de (N… e dos outros) nossos irmãos, parentes, amigos e benfeitores que partiram desta vida, para que alcancem, graças à intercessão da Virgem Maria e de todos os vossos Santos, participar da vida eterna. Por Cristo nosso Senhor.
(Diretório Litúrgico da Congregação Beneditina do Brasil)
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Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso a todas as almas, entre os esplenderes da luz perpétua. Que elas descansem em paz. Amém.
REFERÊNCIAS
BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
Ut In Omnibus
Glorificetur Deus. (RB 57,9)



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