
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 25 de agosto de 2026
Na memória de São Genésio de Roma, mártir
INTRODUÇÃO
"Que
poderei retribuir ao Senhor Deus por tudo aquilo que Ele fez em meu
favor?” (Sl 116,12). E ainda: "Que teu bom espírito
me conduza por uma terra aplanada." (Sl 143,10).
Não poderia deixar de citar estes belos versículos destes dois Salmos,
porque minha família e eu, fomos cumulados por Deus com grandes graças. A
primeira delas, foi a vida que o bom Deus nos concedeu; depois as inúmeras
alegrias e o convívio familiar, na união fraterna e no amor mútuo entre nós. Por
estas, e outras inúmeras graças recebidas, sou eternamente grato a Deus e a sua
Mãe Santíssima, por estas dádivas.
Portanto, no dia em que celebramos a memória de São Genésio de Roma, mártir, deixo aqui registrado uma pequena
biografia com algumas datas e fatos importantes sobre meu pai, o senhor Genésio
Francisco dos Santos, o qual voltou para a casa do bom Deus no dia
21 de abril de 2026. Minha mãe também é bastante citada, porque ela não pode
ser dissociada da história do meu pais. Foram duas almas que se amaram com um
amor puro e verdadeiro e praticaram obras de caridade juntos.
Meu pai foi um homem de grandes superações, pois trabalhou muito para o
sustento de sua família, a quem tanto amava. Foi um homem justo, honrado,
discreto e de uma bondade impressionante. É bastante comum se ouvir dizer na
minha região: “Quem quer ser bom, morra ou se mude.” porém essa frase
não se aplica a vida de meu pai e igualmente de minha mãe, da qual também
escrevi uma pequena biografia. Cf. (As lembranças de um
filho). Eles não precisaram morrer para serem bons; foram bons desde a sua
infância, e as suas vidas mostraram isso para aqueles que puderam conviver com
eles. Sabem bem disso os seus parentes, os amigos etc. Por isso, sempre falo
com muta convicção que, Deus me deu os pais certos, e a família certa, e sou
muito grato por eles.
O senhor Genésio Francisco, trabalhou arduamente na roça e em vários
tipos de trabalhos para sustentar seus muitos filhos; era um homem vigoroso,
alegre, bondoso e brincalhão, mas nas horas certas também era mais firme nas
suas colocações. Como deve ser toda figura paterna. Eu sempre tive uma visão
dele, de um homem com bastante equilíbrio e bondade; foi assim que ele formou
as personalidades de todos os seus filhos. Nunca o vi bater em nenhum dos seus
filhos. Às vezes nos ameaçava, mas sabíamos que ele não batia em nenhum de nós.
Mesmo assim, tínhamos muito respeito por ele, devido a sua costumeira bondade.
Era um homem impressionante. Quem conviveu com ele, e o conheceu de perto, verá
que não minto em nada do que aqui foi escrito. Muitas coisas teria a dizer
sobre o senhor Genésio Francisco, mas aqui deixo apenas algumas lembranças para
a família e os amigos.
Saudades eternas dos seus filhos, parentes e amigos
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
O meu querido Pai, senhor
Genésio Francisco dos Santos, nasceu no dia 20 de dezembro (Sábado) do ano do Senhor de 1947, às 9:00h, na residência de seus
pais em três Lagoas, Município de Limoeiro, estado de Pernambuco, na Zona da
Mata Norte pernambucana, e se casou com a senhora Dona Josefa Maria da Conceição (Conhecida
desde a sua infância pelo nome de Cecília. Todos a conhecia como dona
Cecília. Nascida no dia 20 de dezembro (Quarta-feira)
do ano do Senhor de 1950, às 13:00h, na residência de seus pais no Engenho
Primavera do Município de Limoeiro, estado de Pernambuco, Zona da Mata Norte
pernambucana.
Sua união matrimonial, no religioso, ocorreu no dia 1º de dezembro do
ano de 1991, às 15:00h na Capela de Santo Antônio da cf. Vila de Apoti – Paróquia
Nossa Senhora da Glória, Diocese de Nazaré da Mata – Pernambuco, o
casamento foi realizado perante o Rev.mo. Pe. Manuel Messias
Laurindo dos Santos, na presença das testemunhas senhor José
Reis Nogueira Filho e José Francisco dos Santos.
O senhor
Genésio é filho do senhor Severino Francisco dos Santos
(infelizmente não possuímos documentação
alguma desse meu avô), apenas sabemos que ele faleceu na sua residência,
numa madrugada do ano de 1973; e de Dona Maria Severina da Conceição (Dona Maria Chaga, como era conhecida por
todos). Dona Maria Chaga nasceu no dia 19 de março (Sexta-feira) do ano do Senhor de 1901, porém por ela não possuir
nenhum documento civil, até o ano de sua aposentadoria, ou seja, e já bastante
idosa, quando a sua documentação foi feita, foi colocado na sua identidade o
ano de seu nascimento como sendo 1909, um erro grave na sua documentação. Ela
nasceu na residência de seus pais no Sítio Tiúma, estado de Pernambuco. E
sempre nos contava que seu nascimento, ocorreu no ano de 1901. Ela nos dizia,
já em idade avançada: “Eu nasci em um (1)
no início do mundo. No princípio de tudo”. E nos dizia isso em voz baixa,
quase sussurrando. Achávamos engraçado na época, porque não entendíamos o que
ela queria nos dizer; éramos crianças. Nunca esqueço essa frase que ela nos
dizia.
Não
entendíamos na época o que ela nos queria dizer, por sermos ainda muito jovem e
eu uma criança. Porém, mais tarde, entendemos que ela queria nos dizer, que,
nasceu no início do século XX. E assim, nos contava muitas outras histórias da
sua vida, suas grandes dificuldades familiares, suas doenças, bem como as suas
conquistas; e muitas coisas engraçadas também, etc. Ela nos dizia que amava
todos os seus netos. Ela era muito carinhosa, uma virtude que meu pai herdou
dela.
Lembro-me
bem da sua pequena casinha de taipa no sítio, ao lado da casa de sua filha
Maria do Carmo (Tia Carminha) Era uma alegria quando chegávamos lá para
dá notícias do meu pai e saber como ela estava. Ela ficava muito feliz com a
nossa visita. Eu e meu irmão Francisco era quem mais a visitava. Visitávamos
também os outros nossos tios e alguns amigos.
Da união
dos meus avós paternos, nasceram muitos filhos. São eles:
1º- Judite
Severina da Conceição (*21/12/1935 +14/09/2009).
2º- João
Francisco dos Santos (João Chaga) (*15/06/1937 +17/01/2002).
3º- Manuel
Francisco dos Santos (Neco) (*10/08/1939 +06/01/2015).
4º- Alaíde
Maria da Conceição (*07/09/1942).
5º- Maria
do Carmo da Silva (Carminha) (*07/03/1944 +10/02/2016).
6º- Otávio
Francisco dos Santos. (*21/12/1944 +03/06/1973).
7º- Margarida
Maria dos Santos Oliveira (Guida) (*15/09/1945).
8º- Genésio Francisco dos Santos
(*20/12/1947
+21/04/2026). (Meu pai).
9º- José
Francisco dos Santos (Bizuza) (*30/12/1948 +06/10/2025).
10º- Severino
Francisco dos Santos (Biu Chaga) (*10/01/1952).
Minha avó
Maria
Severina da Conceição (Dona Maria
Chaga), faleceu aos 90 anos de idade segundo a data dos seus documentos
civis, pois sabemos que ela nasceu em 1901, como expliquei acima. O dia do seu
falecimento foi em 23 de maio do ano de 1999, na sua residência, no Sítio
Araquã / Fazenda Bagé, Município de Bom Jardim, Pernambuco, às 22:00h. Seu
sepultamento foi feito no cemitério público do Povoado de Lagoa Comprida - Pernambuco.
Certidão de óbito n. --- às fls 13 do livro nº C- 02. Foi o declarante: Manuel Francisco dos Santos (Tio
Neco). Assinada por: Maria Roseane
de Lima da Silva – Oficial. Povoado de Bizarra, 24 de maio de 1999.
Eu conversava bastante com meu pai. Sempre o admirei muito
pelo seu caráter bondoso, amável, e o seu vigor nos trabalhos e em tudo que
fazia por nós e para os outros. Quando eu nasci meu pai tinha 31 anos de idade
e minha mãe tinha 28 anos. Interessante que por obra de Deus eles nasceram no
mesmo dia, em 20 de dezembro, mas em anos diferentes. Meu pai nasceu no ano de
1947 e minha mãe em 1950. Um certo dia eu perguntei ao meu pai como fora o dia do meu
nascimento. E ele, assim me contou com sua costumeira simplicidade como
aconteceu aquele dia de 1979. Disse: “Foi de noite. Fiquei preocupado porque
tinha que buscar a parteira e era muito longe. Eu saí sozinho naquela hora
noite, por lugares esquisitos com muitas matas, canaviais, bananais, laranjais
etc.; numa grande escuridão. tive muito medo, mas tinha que ir, porque você
estava nascendo.” E acrescentou: “Saí
com um medo danado por causa da hora da noite, que era tarde, e estava muito
escuro, e porque eu estava sozinho, os outros meninos era pequenos e não podiam
me acompanhar; também tinha muitas matas; mato de um lado e de outro. Mas tinha
que ir, pois o menino estava nascendo e eu tinha que chamar a parteira.” E
eu ficava pensando, quantos sacrifícios e amor por mim e por todos os outros
meus irmãos, fizeram os nossos pais! Agradeço sempre ao bom Deus pelos
maravilhosos pais que ele nos concedeu.
Naqueles tempos
era comum na minha região chamar as parteiras na ocasião dos nascimentos das
crianças. Não existia maternidades e hospitais como atualmente. Por isso, a
maioria dos partos eram conduzidos por parteiras. Existiam também outras
parteiras que faziam os partos em nossa casa, conforme o lugar da nossa
moradia. A parteira que fazia o nosso parto, os nossos pais chamavam-nas de
comadres, e nós a chamávamos de madrinha. Na época a maioria das mulheres davam
à luz em casa com a ajuda das parteiras as quais eram muito simples, mas com
grandes conhecimentos nesse assunto. No entanto, no dia do meu nascimento, meu
pai não encontrou a parteira mais próxima e teve que ir mais longe, a casa de outra.
que pôde vir com ele, para fazer o parto, nessa hora tão avançada da noite. (Memórias dos meus pais).
E assim
conversando com ele, para mais se inteirar das histórias de minha família, eu
fazia mais perguntas a respeito daquela noite, em que eu nasci, ele contou a
sua experiência, dizendo-me: “Lembro-me
que Cecília me disse que o menino já ia nascer, e me mandou sair logo e chamar
a parteira. Saí às pressas com um medo danado porque eu estava sozinho e ainda
era altas horas da noite, pois morávamos num lugar muito solitário e esquisito,
com muitas bananeiras, muitas matas e um escuro danado a noite. Fui à casa de
duas parteiras e nenhuma pode vir comigo, assim me indicaram Dona Nega que
morava bem mais longe e fui lá. Foi ela que veio fazer o seu parto. Mas, quando
eu cheguei em casa com ela, você já tinha nascido. E Cecilia estava deitada na camarinha com você do lado.” (memórias do meu
pai). Assim se deu com o nascimento de outros meus irmãos que nasceram a
noite. Porém, apenas eu nasci rápido, e sem que minha mãe sofresse muito; ela
mesma me contou a mesma história e dizia a todos que foi muito rápido o meu
nascimento.
O senhor Genésio trabalhou arduamente para criar juntamente com minha
querida mãe dona Cecilia os seus numerosos filhos, pois tiveram quinze filhos. Dos quais, cinco
deles morreram ainda crianças. Meus pais sempre nos contavam suas histórias de
duros trabalhos; eles passaram muitas necessidades, principalmente nos
primeiros anos de noivado. Por isso, nunca aprenderam a ler nem escrever, pois
não tiveram a oportunidade de estudar, devido aos muitos trabalhos para o
sustento dos seus filhos. Por causa disso, eles queriam que todos nós
estudássemos para não termos a vida sacrificada como a deles; eles nos diziam
sempre isso.
Meus pais foram maravilhosos para todos nós. Vejo muitos casais com um
alto grau de estudos, e intelectuais, mas não tem a experiência de serem bons
pais de família. Eles
foram abençoados por Deus com uma família numerosa, assim como os Patriarcas do
Antigo Testamento. Portanto, tiveram um matrimônio fecundo. O Catecismo da
Igreja Católica nos ensina: “A
fecundidade é um dom, um fim do matrimônio, porque o amor conjugal tende
naturalmente a ser fecundo. O filho não vem de fora acrescentar-se ao amor
mútuo dos esposos; surge no próprio âmago dessa doação mútua, da qual é fruto e
realização.” (CIC 2366). E continua: “Chamados
a dar a vida, os esposos participam do poder do criador e da paternidade de
Deus. “Os cônjuges sabem que, no ofício de transmitir a vida e de educar – o
qual deve ser considerado como missão própria deles –, são cooperadores do amor
de Deus criador e como que seus intérpretes. Por isso desempenharão seu múnus
com responsabilidade cristã e humana.” (CIC 2367). E, graças ao bom Deus,
dessa bela e santa união, nasceram meus queridos irmãos, quinze no total; (O 14º- foi um aborto espontâneo – Devido ao
esforço de muitos trabalhos no campo). Vejamos sua cronologia:
1º- Manuel Francisco dos Santos – Nascido no ano de
1969, às 13:00h, na sua residência, no Engenho Primavera do Município de
Limoeiro, Pernambuco.
2º- Arlindo Francisco dos
Santos
– Nascido no ano de 1970, na sua residência no Engenho Primavera. (Faleceu quando criança).
3º- Severino Francisco dos Santos – Nascido no ano de
1971, às 10:00h, na sua
residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.
4º- José Francisco dos Santos – Nascido no ano de
1972, na sua residência. (Faleceu quando
criança).
5º- José Francisco dos Santos – Nascido no do ano de
1972, às 2:00h, na sua
residência, no Sítio Pindoba do Município de Limoeiro, Pernambuco.
(Nota: Nossa Mãe tinha o
costume de colocar o nome do falecido na criança que nascia em seguida. Por
isso, temos repetições de nomes).
6º- Maria Francisca da Conceição – Nascida no ano de
1974, às 16h:00m, na sua
residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.
7º- Gilberto Francisco dos Santos – Nascido no ano de
1977, às 13h:00m, na sua
residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.
8º- Joselita Josefa da Conceição – Nascida no ano de
1978, às 11h:00m, na sua
residência, no Engenho Primavera do Município de Limoeiro, Pernambuco.
9º- Gilvan Francisco dos Santos – Nascido no do ano de
1979, (Quinta-feira), às 23h:00m, na sua residência, no Engenho Primavera
do Município de Limoeiro, Pernambuco.
10º- Joselma Maria dos Santos – Nascida no dia 10 de
dezembro do ano de 1980, na sua residência, no Engenho Primavera do Município
de Limoeiro, Pernambuco. (Faleceu quando
criança com um ano de idade, em 1981, no Povoado de Lagoa Comprida
do Município de Bom Jardim, Pernambuco). Foi sepultada no cemitério do Povoado de
Lagoa Comprida.
11º- Ivan Francisco dos Santos – Nascido no do ano de
1983, às 2h:00min, na sua
residência, no Povoado de Lagoa Cumprida do Município de Bom Jardim,
Pernambuco.
12º- Joselma Francisca dos Santos – Nascida no ano de
1984, às 15h:00m, na
Maternidade de Limoeiro, Pernambuco.
13º- Josimeri Josefa dos Santos – Nascida no ano de
1987, às 18h:00m, na
Maternidade da Vila de Pirituba, Vitória de Santo Antão, Pernambuco.
14º- Aborto espontâneo – Devido ao esforço de
muitos trabalhos numa casa de farinha e no campo (Roça).
15º- Josuel Francisco dos
Santos
– Nascido no dia 23 de setembro do ano de 1991, na Maternidade da Vila de
Pirituba, Vitória de Santo Antão, Pernambuco. O qual faleceu no ano de 1992, e
está sepultado no cemitério da Vila de Apoti, Pernambuco.
Meu pai
foi um homem guerreiro e de fé. Um homem muito justo, alegre, honesto e
bondoso. As mesmas vitudes possuía a minha mãe, pois sempre pensei que um foi
criado para o outro. Por isso, sempre agradeço a Deus pelos pais maravilhosos
que ele nos deu. Eles cuidaram de nós com todo amor e dedicação e nos educou
muito bem, mesmo com suas grandes dificuldades financeiras, nos deram o
necessário. Eles nunca permitiu que passássemos fome. Imagino os grandes
sacrifícios que fizeram por nós. Principalmente naqueles inícios de sua união
conjugal. Eles sempre nos falavam que passaram muitas dificuldades financeiras
e fome; trabalharam muito em diárias, para poderem comer e criar os seus
filhos.
Por
questões de necessidades, meu pai fez muitas mudanças de casas. Morou em vários
lugares dos quais lembro de alguns. Do Engenho Primavera, nos mudamos para o
povoado chamado Lagoa Cumprida, do
mesmo Município de Bom Jardim, Pernambuco. Nossa mudança ocorreu no mês de
junho do ano de 1981. Eu, ainda era bebê e, nesse povoado, minha família
permaneceu, até o dia 29 de abril de 1985. A nossa casa era situada na Rua Antônio Ferreira, atualmente chamada
de Avenida Santo Antônio à qual pertence a cidade de Limoeiro. No entanto,
entre os anos de 1981-1985 teve um período que nos mudamos para um sítio
próximo ao povoado de Lagoa Comprida o qual chamávamos de “sítio de seu Carro”
provavelmente o nome era Carlos”, próximo a Fazenda Bagé. Neste sítio também
não passamos muito tempo retornando ao Povoado de Lagoa Comprida.
Quando no
dia 29 de abril de 1985, nos mudamos para uma bela região chamada Vila de Apoti – 1º Distrito da
cidade de Glória do Goitá, na Região da Zona da Mata Norte Pernambucana. Nesta
ocasião, eu contava com meus 5 anos de idade. Lembro-me bem desse dia em que na
alegria e curiosidade de criança eu queria conhecer a nova casa e o lugar em
que iríamos morar. Um caminhão logo cedo se postou em frente de nossa casa em
lagoa Comprida para arrumarmos a mudança e, meus irmãos e eu estávamos muito
alegres por causa disso. Tudo para nós era novo. O caminhão pertencia ao senhor
José João que morava no sítio Gameleira, próximo a Vila de Apoti. Dos meus três
aos cinco anos de idade lembro-me de muitas coisas do Povoado de Lagoa
Comprida. Lembro muito das brincadeiras à noite em frente da nossa casa, das
visitas a casa de minha avó paterna Maria Chaga, e dos nossos tios, também
quando íamos levar a comida do nosso pai, em seu trabalho da roça, etc.
No
entanto, desde criança em nossa casa já começávamos a trabalhar muito pequenos.
Nossos pais já nos preparava para a vida e nos dizia sempre: “não quero
ninguém preguiçoso em casa.” Tínhamos que fazer alguma coisa para não nos
criarmos preguiçosos. Porém, tínhamos também o tempo de brincarmos. O nosso
tempo era bem aproveitado. Nossos pais dizia: “Ainda não pode pegar na
enxada para limpar o mato, mas podem segurar uma cambuquinha e ir plantando os
grãos de feijão, milho, etc.”. E continuava: “Os filhos têm que ajudar
os seus pais em casa para aprenderem a fazer as coisas. Pois nem sempre terão
os seus pais.” E, nada disso era estranho para nós. Era a época! A
finalidade de uma família numerosa era ajudar os seus pais em seus trabalhos.
Hoje, recordando estes episódios, sinto-me feliz e agraciado por tudo que
passei e pela família que tenho.
Na Vila Apoti, meu pai comprou uma
casa de taipa sem eletricidade, a qual fomos reformando com o tempo. Esta casa
está situada na Rua São
Pedro, de nº 15 da qual nos mudamos em 1996 para a propriedade do Sr. José Reis
Nogueira Filho, na mesma Vila, precisamente no mês de fevereiro do ano de 1996.
A nossa nova casa localizava-se na grande propriedade do Sr. José Reis N.
Filho, o qual residia na principal rua da vila, chamada Rua Santo Antônio –
casa nº 17 ao lado da Capela de Santo Antônio de Pádua. Era um lugar calmo e
bom de se viver. Aí plantávamos de tudo. Flores, legumes, hortaliças, verduras
e frutas. Parte do terreno era cercado por muros de tijolos. Um lugar bastante
seguro e calmo. Criávamos cabras, uns gados, um burrinho, galinhas e outros
animais.
Até a década de 1990, não possuíamos eletricidade em nossa casa, e por
isso graças ao bom Deus, não tendo televisão em casa, para nos entreter,
ficávamos brincando em redor de nossa casa, e muitas vezes sentados a
frente de nossa casa, ou na nossa sala, escutando as histórias dos nossos pais,
que contavam para suas visitas, parentes e amigos, e também para nós, para
ficarmos cientes de como era a vida deles, e para nos prepararmos também para a
vida. Nós, muitas vezes apenas os escutavam conversando com os outros que iam a
nossa casa, pois, como éramos crianças, não podíamos entrar nas conversas dos
adultos. Isso jamais poderia acontecer na nossa família! Meus pais não permitiam
isso. Mas também nos contava em outras ocasiões suas histórias de vida. Mesmo
sem entendê-las, às vezes, eu achava belas e a minha imaginação ia longe nos
pensamentos, querendo entender o contexto histórico apresentado. Porém, como
éramos crianças, não entendíamos bem a seriedade que traziam as histórias de
suas vidas. Com um tempo é que começamos a perceber a importância de todas
elas, principalmente após as suas partidas deste mundo para Deus.
Meu pai
teve uma vida feliz com seus irmãos dos quais era muito unido; com sua esposa e
seus filhos. Foi sempre um homem de superação e de fé. Eu, desde criança sempre
o via rezando em certas horas do dia, principalmente pela manhã e à noite às
18:00h, mesmo sem ter uma vida eclesial ativa, pois só começou a frequentar a
igreja para as missas, terços, confissões e outras celebrações, a partir do ano
de 1991, após o seu casamento no religioso. Assim a cada dia ele ia se
fortalecendo mais na fé, e isso era muito importante para nós.
O senhor
Genésio era um homem muito vigoroso, era muito alegre, e todos gostavam de
conversar com ele; e era muito respeitado por todos. Aonde chegávamos e
dizíamos que era o filho de seu Genésio, as portas se abriam sem dificuldades,
fossem casas comerciais ou residências. Todos sabiam e conheciam a sua boa
índole e justiça.
INTERNAMENTOS HOSPITALARES
Em 2025,
nós, já o percebíamos com menos vigor e com o passar do tempo ele foi se
debilitando mais, até que chegou a uma primeira internação no Hospital Regional José
Fernandes Salsa em Limoeiro, Pernambuco com problemas respiratórios, devido a uma gripe
mal curada, a qual gerou uma pneumonia. Essa internação ocorreu no dia cinco (domingo)
de outubro de 2025, recebendo alta no dia 11 (sábado) de outubro de
2025.
Daí
começou um tratamento médico, mensal, ficando com a saúde estável. Porém, veio
uma segunda crise respiratória e outra internação no mesmo hospital em Limoeiro,
no mês novembro; passando 13 dias internado. Recebendo alta voltou para casa
tendo uma terceira internação no mesmo hospital de Limoeiro, com as mesmas
crises respiratórias, às 21:00h do dia 16 (quinta-feira) de abril de
2026, recebendo alta às 14:00h do mesmo dia. No entanto, pela madrugada da
mesma noite, já do dia 17 (sexta-feira) de abril de 2026, retornou ao Hospital
João Murilo de Oliveira em Vitória de Santo Antão – PE, e o seu quadro de
internação foi se complicando cada vez mais. Portanto, no dia 20 foi chamado o
sacerdote, o Rev.mo Padre Joab Domingos de França, Vigário da
Matriz de Santo Antão, Vitória de Santo Antão – PE, para ministrar-lhe a unção
dos enfermos. E no dia 21 (terça-feira) de abril de 2026, às 14h:02min,
aos 78 anos de idade, o senhor Genésio Francisco dos Santos fez a sua Páscoa,
voltando para casa do pai, morrendo com os sacramentos da Igreja. Tendo uma
morte tranquila e santa.
Na sua
certidão de óbito podemos ler o seguinte enunciado: Genésio Francisco
dos Santos – dia 21 de abril de 2026 (Terça-feira), às
14h:02min, aos 78 anos de idade. Foi declarante Josimeri Josefa dos
Santos e o óbito foi atestado pelo Doutor João Lucena,
número do documento – nº ___ /PE tendo sido a causa da morte, parada
cardíaca, infecção respiratória aguda, pneumonia, diabetes mellitus,
hipertensão arterial sistêmica. O seu sepultamento foi feito no
cemitério do Distrito de Apoti, Glória do Goitá – Pernambuco, às 17:00h do dia
22 de abril. Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais Sede de Glória do
Goitá, PE. Oficial registrador: Emanuelle Cavalcanti da Costa, 22
de abril de 2026. Assinado por Emanuelle C. Costa, Oficial titular – RCPN
Glória do Goitá – Pernambuco.
Em 29 de maio desse ano de 2026, completou-se 21 anos do falecimento da
nossa querida mãe Cecília, ocorrido em 2005. Cf. (As lembranças de um
filho). E, nesse dia de 21 de abril, mais um dia triste de saudades pela
partida do nosso querido pai Genésio Francisco. E assim ficamos órfãos.
No seu velório para a encomendação do seu corpo, alguns dos filhos não
puderam comparecer, devido a distância e outros impedimentos, inclusive eu, que
estava em viagem. Porém, acompanhei tudo de longe; das suas internações até o
seu sepultamento. O pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, o Rev.mo
Padre Romário ao se certificar do seu falecimento, fez a encomendação
do seu corpo, (exéquias) às 15:00h e nessa mesma celebração, já deixou
marcado aos presentes, o dia da celebração da missa de sétimo dia em sufrágio
pela alma do falecido, a qual foi celebrada pelo mesmo sacerdote no dia 27 de
abril às 18:00h, na Capela de Santo Antônio, da Vila de Apoti, Pernambuco.
Posso dizer com muita convicção, que três momentos causaram um grande
impacto em minha vida. São eles: o dia em que deixei a casa paterna para
ingressar no Mosteiro de São Bento de Garanhuns, no mês de dezembro do ano
2000, precisamente na manhã do dia 28; outro momento, foi o dia do falecimento
de minha venerada mãe Josefa Maria da Conceição (dona Cecília), e o dia
21 de abril que foi o dia falecimento do nosso querido pai Genésio Francisco
dos Santos.
Todos que tiveram contato e conheceram meu pai, mais de perto, pode bem
dizer que era um homem de grande coração, alegre, bondoso e de uma moral
ilibada, incapaz de fazer o mal a quem quer que seja, e gostava muito de fazer
caridade a quem precisasse de ajuda. Tinha uma alma justa, e era muito sincero
e direto nas suas colocações, apesar de algumas vezes se calar para não criar
conflitos. Detestava mentiras, falsidades, roubos; pois presava muito pela sua
conduta moral e de sua família. Nós, seus filhos, herdamos muitas das suas
virtudes.
Meu pai tinha grande bondade, como já mencionei, era muito discreto. Com
um senso de retidão extraordinário. Foi bom esposo, excelente pai, bom irmão,
bom amigo, etc. sempre foi muito preocupado com o seu próximo. Por isso, foi
muito amado por todos. Onde nós, os seus filhos, nos identificávamos como filho
de seu Genésio, as pessoas abriam as suas portas, por saberem que ele era um
homem correto e justo, ou seja, uma família honesta. E, claro, isso nos deixava
muito orgulhosos e felizes.
Sempre que ele sabia ou ouvia dizer que alguém estava passando
necessidades, ele fazia o possível para socorrê-los. Quando não podia ajudar a
quem estava precisando, ficava triste por não poder dar a ajuda necessária à
pessoa, no entanto, fazia o possível para arranjar o que pudesse, para dar ao
menos um alívio ao seu próximo que estava necessitado. O mesmo fazia a minha
mãe. Eu, ainda muito pequeno, não conseguia entender estas suas atitudes. Só
mais tarde, quando adquiri mais anos de vida, é que fui percebendo esses seus
pequenos, mas grandes gestos de amor ao próximo. Depois soube e compreendi que
isso era a verdadeira Caridade cristã. Portanto, hoje, eu, como monge e
conhecedor da Teologia cristã, falo com muita convicção que meu pai foi
uma verdadeiro cristão, e viveu santamente, fazendo a vontade de Deus a sua
maneira. Portanto teve também uma santa morte. Em janeiro de 2026 quando
nas minhas férias estive com ele, falou-me algumas vezes que pedia sempre a
Jesus que se lembrasse dele e não deixasse sofrer tanto; e em pouco tempo Jesus
o atendeu, não permitindo que ficasse debilitado por meses, ou até anos,
sofrendo preso a uma cama, como vemos muitas pessoas. Como o salmista ele
invocou o senhor e foi atendido. “Por teu nome, Iahweh, tu me conservas,
por tua justiça tira-me da angústia, [...], porque eu sou servo teu!”
(Sl 143,11-12). E Jesus no disse: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em
mim, ainda que morra, viverá. E quem vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês
nisso?” (Jo 11,25-26).
Por tudo que eu recebi, todos os dias, agradeço sempre ao meu bom Deus,
pelos meus pais, irmãos e a família que me concedeu. Amo a todos!
OREMOS
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de
vossos servos a benigna remissão de todos os seus pecados, para conseguirem
pelas pias súplicas de vossa Igreja a indulgência a que sempre aspiram. Amém.
+ Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplenderes da Luz
perpétua. Descansem em paz. Amém.
FOTOGRAFIAS
Ut in omnibus
glorificetur Deus (RB
57,9)
(Para que em tudo seja Deus glorificado)