segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

APOFTEGMA SOBRE O CÃO E A LEBRE

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B

(Monge Beneditino)

Salvador, Bahia – 29 de junho de 2026

Lendo, certo dia, um livro, me deparei com esse relato, e importante conselho para a nossa vida espiritual. Anotei em um lugar a parte, mas, por descuido meu, não anotei o nome do livro que li e nem seu autor. Um grande erro de minha parte. Por isso, não lembro do livro que foi lido, nem do autor desse belo conselho espiritual. Devido a sua grande importância para a nossa caminhada cristã, desejei partilhar essa história; um apoftegma que nos ajudará a ter foco no ponto almejado por nós, e nas nossas experiências íntimas cristãs. Portanto, o autor narra um apoftegma sobre um cão e uma lebre; ele fala também para nós da sua experiencia intima cristã, e assim nos ensina a ter sempre o foco em Jesus Cristo: vejamos o seu relato:

“Importa dar às pessoas a ocasião de experiências íntimas de encontros com Cristo. Sem um coração a coração, é ilusório pensar que os homens sempre seguirão o Filho de Deus.

A importância dessa experiência pessoal remete à minha memória um apoftegma dos Padres do deserto que profundamente marcou meus estudos bíblicos em Jerusalém.

Traduzido do copta, exprime a importância da vida interior indispensável a toda existência cristã:

Assim era o Apoftegma: "Um monge encontra outro e lhe pergunta: “Por que tantos abandonam a vida monástica? Por quê? E o outro monge respondeu: "A vida monástica é como um cão que percebe uma lebre. Ele corre atrás da lebre latindo; muitos outros cães, ouvindo seu latido o alcançam e correm todos juntos atrás da lebre. Mas no fim de algum tempo, todos os cães que correm sem ver a lebre dizem: mas aonde é que nós vamos? Por que corremos? Eles se cansam, se perdem e param de correr, um depois do outro. Somente os cães que veem a lebre continuam a persegui-la até o fim, até que eles a apanhem”.

E a história conclui: apenas aqueles que têm os olhos fixados na pessoa de Cristo na Cruz perseveram até o fim...

Muitas circunstâncias e motivos profundos, ou nossos companheiros, podem nos ter animado ao seguimento de Jesus. Em seguida, vem o momento da maturidade, em que só a experiência pessoal de Cristo nos guia. Esse encontro pessoal é decisivo para o resto de nossa vida. São Paulo conheceu esse momento na estrada de Damasco, assim como Santo Agostinho sob uma figueira em Cassiciacum. Assim, o primeiro podia dizer: “Para mim, viver é Cristo." (Fl 1,21). Acrescentava: "Vivo, mas não sou mais eu, é Cristo que vive em mim. Pois a minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.” (Gl 2,20).”


APOFTEGMA SOBRE A CELA

Apoftegma: Abade Poimém

“Em certa ocasião Paésio, o irmão do Abade Poimém, tinha colóquios com alguém fora da cela. O Abade Poimém não queria isto; levantou-se, pois e fugiu para junto do Abade Amonas, dizendo a este: “Paésio, meu irmão, tem colóquios com alguém e, em consequência, eu não sossego”. Perguntou-lhe o Abade Amonas: “Poimém, ainda vives? Vai, senta-te em tua cela e coloca em teu coração a ideia de que já há um ano que jazes no sepulcro”.

(Informativo: Abadia da Ressurreição / fevereiro - 2013)

Postado no Blogger Dimensão da Escrita em 1º de maio de 2026 - O significado da cela monástica.


Apoftegma: Abade Antão

Ao Abade Amonas profetizou o Abade Antão, dizendo: “Hás de fazer progresso no amor de Deus”. E, levando-o para fora da cela, mostrou-lhe uma pedra e mandou-lhe: “Dize injúria a esta pedra e bate-a”. Ele assim fez. Perguntou-lhe então o Abade Antão: “Por acaso a pedra falou?” Respondeu: “Não”. Acrescentou o Abade Antão: “Assim também tu hás de chegar a esta medida”. De fato, isto aconteceu:  o Abade Amonas fez tantos progressos que, de tanta bondade, não mais conhecia a maldade.

(Informativo: Abadia da Ressurreição / dezembro - 2012)

Postado no Blogger Dimensão da Escrita em 1º de maio de 2026 - O significado da cela monástica.  


REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

Ut In Omnibus Glorificetur Deus. (RB 57, 9)

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