quinta-feira, 4 de junho de 2020

DEVOÇÃO DIRIGIDA EM SOCORRO DAS ALMAS, O TERÇO E O OFÍCIO EM SUFRÁGIO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO


Rezemos sempre pelas almas dos nossos irmãos falecidos. 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 04 de junho de 2020

“Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive, e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisso?” (Jo 11, 25-26).

Às segundas-feiras é o dia dedicado as orações de sufrágios pelas almas do Purgatório. Mas, rezemos sempre por elas com frequência, pois, precisam de nossas orações porque após a morte elas nada mais poderão fazer por si.

Não farei aqui uma análise dos novíssimos da Igreja, ou seja, Céu, Inferno e Purgatório. Pois, objetivo deste texto é mostrar um pouco a importância da devoção (ajuda) e o respeito que devemos ter em relação às almas dos nossos irmãos que já nos precederam na morte. Deixo já bem claro a todos que o Santo Sacrifício Eucarístico (a Missa) é o ato por excelência para a salvação de todos aqueles que morreram pois, ele é o grande Sacrifício de Cristo nosso Senhor e Salvador. O meu intento aqui, é dar a conhecer outras pérolas retiradas do grande tesouro da Igreja, ou seja, algumas orações inspiradas pelo Espírito Santo ao longo dos séculos.

Muitos cristãos não conhecem tais orações e sua eficácia diante de Deus todo-poderoso. Outros já as conhecem, porém, muitos deles não desejam rezar pelas almas dos que faleceram, porque tem medo destas orações. Medo por causa das suas superstições em relação a morte. Já ouvi muitos dizerem que não rezam por aqueles que morreram porque tem que rezar para sempre e, se um dia deixarem de o fazer, as almas virão pedir-lhe. E por pensarem assim, nunca rezam por elas. Esse modo de pensar é totalmente errôneo. Rezar pelos que morreram é um ato nobre e um ato de caridade e de misericórdia. Devemos, sim, pedir sempre a misericórdia de Deus para os nossos irmãos falecidos. Porque eles precisam muito das nossas orações. Por isso, a Igreja em sua grande sabedoria nos ensina que existe os três níveis da Igreja, a Igreja Militante, a Igreja Padecente e a Igreja Triunfante.

A Igreja militante, somos todos nós, que aqui estamos na terra, a caminho da salvação, ainda em marcha e lutando contra os nossos pecados, para que assim, um dia, entremos na glória de Cristo, ou seja, o céu. Enquanto que, a Igreja padecente é constituída pelas almas dos nossos irmãos falecidos que já estão salvos mas, ainda não estão totalmente purificados dos seus pecados. Daí a necessidade de ajuda-los a chegarem mais rápido através das nossas orações e sacrifícios em seu favor, suplicando para eles a misericórdia de Deus. Portanto, a Igreja afirma que eles estão no Purgatório, que é um lugar de purificação das penas que não foram apagadas em suas vidas na terra e, neste lugar, purgam estas penas, purificando-se totalmente delas, para que assim, possam entrar e gozar da glória de Deus, juntando-se eles a Igreja triunfante que são aquelas as almas que já se purificaram das manchas dos pecados e entraram na glória de Deus junto a Santíssima Virgem Maria e os anjos. Isto é, a multidão dos Santos. Fiquemos certos que segundo a Igreja o Purgatório não é um lugar físico, mas, uma condição de existência.

Para aprofundar mas este assunto sobre as penas dos pecados, as indulgências e outros a temas, consultemos o Catecismo da Igreja Católica, precisamente nos números 1471-1479.

O mesmo Catecismo, bem como a Constituição Dogmática sobre a Igreja, Lumem Gentium nos ensinam que:

Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primevos da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos [...] e ‘já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados’ (2Mc 12,46), também ofereceu sufrágios em favor deles”. A nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz a sua intercessão por nós (CIC n.954). (cf. LG n.50).

No segundo livro de Macabeus capítulo 12 vemos uma passagem das mais interessantes em relação a doutrina do Purgatório, que segundo a Tradição da Igreja, é um local onde as almas esperam a salvação eterna. Neste ambiente, as pobres almas expiam os pecados que não conseguiram apagar nesta vida. Quem vai ao Purgatório já estão salvos segundo a Igreja. Como só podem entrar no céu quem está totalmente livres dos pecados, assim é necessário que expiem as penas que não conseguiram apagar aqui na terra. Por isso, elas necessitam de nossos sacrifícios e orações. Vejamos a atitude de Judas Macabeus para aqueles soldados que morreram na batalha por Jerusalém e foram encontrados ídolos pagãos escondidos em suas vestes, assim desagradando ao Senhor Deus de Israel.

No dia seguinte, sendo já urgente a tarefa, vieram encontrar Judas para recolher os corpos dos que haviam tombado, a fim de inumá-los junto com seus parentes, nos túmulos de seus pais. [...]. Todos, pois, tendo bendito o modo de proceder do Senhor, justo juiz que torna manifesta as coisas escondidas, puseram-se em oração para pedir que o pecado cometido fosse completamente cancelado. [...]. Depois, tendo organizado uma coleta enviou a Jerusalém cerca de duas mil dracmas de prata, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado: agiu assim absolutamente bem e nobremente, com o pensamento na ressurreição. De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está reservada para os que adormecem na piedade, então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis por que ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado (2Mc 12,38-45).

Judas Macabeus e outros tinham a crença na ressurreição mortos. Se não tivessem, eles não teriam oferecido um sacrifício o Templo pelo pecado dos que morreram desagradando ao Senhor Deus de Israel.

No século XI d.C, temos outro grande gesto de caridade pelos nossos irmãos falecidos. O Abade Geral da importante Abadia de Cluny, na França, Santo Odilon (962-1049), decreta na Congregação Cluniacense um dia de missas e Ofícios em sufrágio dos irmãos monges falecidos. O Espírito Santo sempre ilumina e inspira a Igreja em todas as épocas. O Martirológio Romano Monástico nos dar essa informação no dia 02 de novembro na memória de todos os fiéis defunto:

Comemoração de todos os Fiéis Defuntos, dia em que a Igreja intercede por seus membros adormecidos na morte e sofrem uma última purificação antes de entrarem na Glória. Esta celebração litúrgica deve sua origem a Santo Odilon, abade de Cluny, que foi o primeiro a prescreve-la para todos os mosteiros beneditinos. (Martirológio Romano-Monástico, 1997).

Assim podemos ver no Ofício Litúrgico da memória dos Santos Abades de Cluny, o qual se celebra no dia 11 de maio. Este ofício traz uma antífona muito bela sobre o Abade Santo Odilon (962-1049) que diz: “Adorável caridade do coração de Odilon revelou-se na sua compaixão pelos defuntos, pelos quais determinou sufrágios cada ano” (Liturgia das Horas – Rito Monástico). Foi este santo Abade quem primeiro instituiu a comemoração de todos os fiéis defuntos, celebração que hoje conhecemos por dia de finados. Quando este era Abade Geral da Congregação de Cluny, pediu para todos os mosteiros da mesma Congregação em número de quase mil mosteiros espalhados pela Europa, que fizesse um dia de Missas e sufrágios por todos os irmãos monges da Congregação falecidos. Daí, mais tarde, a Sé Apostólica sabendo de tão grande gesto de caridade do santo Abade Odilon de Cluny, decretou que esta memória fosse celebrada em toda a Igreja. Ou seja, a memória de todos os fiéis defuntos, que celebramos no dia 02 de novembro, ou dia de finados.

Muitos pensam que devemos rezar pelos mortos apenas no dia da sua passagem deste mundo, encomendação do corpo do defunto, na Missa de sétimo dia, bem como no dia de finados. Ao pensarem assim estão enganados ou mal informados na Doutrina da Igreja Católica. Pois ela nos ensina que devemos rezar sempre pelos nossos entes queridos e por todos aqueles que já nos precederam na morte.

Consultemos o Catecismo da Igreja, e veremos o que nos fala a Doutrina em relação às almas do Purgatório e sobre aqueles que sofrerão a separação de Deus após esta vida terrena:

O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, “o fogo eterno”. A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira (CIC n.1035).

A Igreja sempre foi inspirada pelo Espírito Santo, sendo assim, ela tem a autoridade e o poder de nos ensinar e nos ajudar no conhecimento de Deus e de nós mesmos.  Por isso, o seu Magistério nos diz: “A Igreja ensina que cada alma espiritual é diretamente criada por Deus – não é “produzida” pelos pais – e é imortal: ela não perece quando da separação do corpo na morte e se unirá novamente ao corpo na ressurreição final” (CIC n.366).  E, mais adiante, podemos ver na mesma Doutrina que somos constituídos de corpo e alma e que somos espiritual e imortal, criados unicamente por Deus. “O homem é “corpore et anima unus” (uno de corpo e alma). A doutrina da fé afirma que a alma espiritual e imortal é criada diretamente por Deus” (CIC n.382). Nisto está o grande valor do ser humano.

É bastante interessante o conceito de alma na Sagrada Escrituras onde ela está relacionada muitas vezes a vida humana e a pessoa humana inteira. Se formos a passagem do Evangelho segundo São Mateus quando Jesus chama os seus discípulos a segui-lo dando-lhes as condições para esse seguimento, podemos ver com clareza essa questão (cf. Mt 16,25-26). E igualmente no Evangelho segundo São João (cf. Jo 15,13). Saibamos que a alma humana é o mais íntimo do homem e o que existe de maior valor no homem. Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja:

Muitas vezes o termo alma designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa humana inteira. Mas designa também o que há de mais íntimo no homem e o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: “alma” significa o princípio espiritual no homem (CIC n.363).

E prossegue o mesmo Catecismo dizendo:

O corpo do homem participa da dignidade da “imagem de Deus”: ele é corpo humano precisamente porque é animado pela alma espiritual, e é a pessoa humana inteira que está destinada a tornar-se, no Corpo de Cristo, o Templo do Espírito (CIC n.364).

Outro documento do Magistério muito importante que deve ser consultado em relação ao sufrágio das almas é o Manual das Indulgências. Muitas pessoas não creem em indulgências, porém, aos que acreditam, deixo aqui as concessões do manual referentes a essa devoção.

Vemos que o Catecismo da Igreja Católica assim se manifesta sobre a doutrina das indulgências: “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório a remissão das penas temporais, conseqüências dos pecados” (CIC n.1498). Portanto, ao rezarmos pelas pias almas dos nossos entes queridos e outros irmãos que morreram, nós estamos fazendo uma das 7 obras de misericórdia espirituais que diz: “Rogar a Deus por vivos e defuntos”.  (Sétima obra de misericórdia espiritual).

Após consultarmos algumas passagens das Sagradas Escrituras e o Catecismo da Igreja, vejamos agora o Manual das Indulgências e analisemos o que ele nos ensina sobre o modo e a devoção de rezar pelas almas dos nossos irmãos falecidos, bem como o respeito que devemos ter em relação ao lugar onde depositamos os seus restos mortais, ou seja, os nossos cemitérios que são lugares sagrados tanto quanto às Igrejas. Pois aí são guardados os corpos dos nossos entes queridos onde repousam e esperam a ressurreição final na glória de Cristo Criador e Salvador do mundo (cf. Ap 5,12; 21,24).

O Manual das Indulgências, ligado a Tradição da Igreja, assim nos fala: Concede-se indulgência parcial ao fiel que devotamente recitar laudes ou vésperas do ofício dos defuntos” (Manual das Indulgências, n. 18). Ainda nos ensina o mesmo Manual que: “Ao fiel que visitar devotamente um cemitério e rezar, mesmo em espírito, pelos defuntos, concede-se indulgência aplicável somente às almas do purgatório. Esta indulgência será plenária, cada dia, 1º a 8 de novembro; nos outros dias do ano será parcial” (Manual das Indulgências, n. 13). Bem como o número 14 do mesmo Manual assim nos dá esta outra concessão: “Ao fiel que visitar devotamente um cemitério de antigos cristãos ou “catacumba”, concede-se indulgência parcial” (Manual das Indulgências, n. 14).

A Igreja sempre mostrou amor e grande respeito por todos aqueles que já passaram pela morte porque ela tem a certeza da importância da alma humana. Portanto, mostremos a exemplo dela sempre o nosso amor e respeito por todos aqueles que já partiram deste mundo, sejam eles bons ou maus. Cristo morreu para todos; e o julgamento só pertence a Cristo que é justo juiz. Rezemos sempre pelos nossos irmãos que nos precederam na morte porque eles precisam bastante das nossas orações e até de nossos sacrifícios. Lembremo-nos também que um dia morreremos. Sendo assim, nós precisaremos das orações dos que aqui ficarão. Ou seja, precisamos uns dos outros. (cf. Rm 14,7; 1Cor 12,26-27) nos diz o Catecismo que: “Todos os que somos filhos de Deus e constituímos uma única família em Cristo, enquanto nos comunicamos uns com os outros em mútua caridade e um mesmo louvor à Santíssima Trindade, realizamos a vocação própria da Igreja. (CIC n.559), Sobre este assunto também a Constituição Dogmática Lumem Gentium nos ensina (cf. LG n.50).

Lembremos também a jaculatória que a Santíssima Virgem Maria Mãe de Deus, em uma das aparições na Cova da Iria em Fátima, Portugal, ensinou a três crianças, a Serva de Deus Lúcia dos Santos, São Francisco Marto e Santa Jacinta Marto, esta bela oração em nosso socorro e em favor das almas do Purgatório: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, e socorrei principalmente aquelas que mais precisarem. Esta jaculatória posteriormente foi acrescentada a oração de Santo Rosário após cada dezena.

Rezemos com fé pelos nossos irmãos falecidos, pedindo a poderosa intercessão da Virgem Maria, em seu favor, assim, o bom Deus ouvirá as nossas orações e súplicas e, socorrerá em sua grande misericórdia as pobres almas em suas necessidades e as levará para o seu Reino onde elas gozarão da sua presença, adorando o Cordeiro pelos séculos dos séculos (Ap 7,9-17).

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
Salvador, Bahia - 04 de junho de 2020 



Nenhuma forma de devoção substitui a Santa Missa que é o Sacrifício Redentor de Cristo o Cordeiro Imaculado de Deus Pai. 


TERÇO EM SUFRÁGIO DAS ALMAS DO PURGATÓRIO

Para ser rezado na segunda-feira que é dedicada ao sufrágio das almas do Purgatório.

- Credo
- Pai-Nosso
- Ave-Maria
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

Nas contas grandes do terço diz:
- Pai-Nosso

Nas contas pequenas do terço diz:
- R/. Repouso eterno dai-lhe Senhor,
- V/. Da Luz perpétua o esplendor.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo...

No final de cada mistério diz:
- Que as almas do Purgatório pela misericórdia de Deus descansem em paz. Amém.

ORAÇÃO
Ó Deus Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas de vossos servos a benigna remissão de todos os seus pecados, para conseguirem pelas pias súplicas de vossa Igreja a indulgência a que sempre aspiram. Amém.

- Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso, entre os esplenderes da Luz perpétua. Descansem em paz. Amém. 


ORAÇÃO PELOS MORTOS 


Ó Deus, que perdoais e salvais os homens, suplicamos vossa clemência, em favor de (N… e dos outros) nossos irmãos, parentes, amigos e benfeitores que partiram desta vida, para que alcancem, graças à intercessão da Virgem Maria e de todos os vossos Santos, participar da vida eterna. Por Cristo nosso Senhor.

(Diretório Litúrgico da Congregação Beneditina do Brasil)


REFERÊNCIAS

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 3ª. ed. / Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993.

CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II. Lumem Gentium – Constituição Dogmática sobre a Igreja, n. 31 / 23ª edição – 2011; 1ª reimpressão – 2012: São Paulo: Paulinas, 2012.

MANUAL DAS INDULGÊNCIAS, normas e concessões. Tradução: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Revisão Edson Gracindo, 1989.

(MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR, 1997).

Outras referências para consulta

EUGÊNIA VON DER LEYEN. Conversando com as almas do Purgatório. Prólogo de Arnold Giullet, prefácio do editor Dr. Peter Gehring. / Tradução de Alphons Gilbert. São Paulo: Ave Maria, 1994.

MÊS DAS ALMAS DO PURGATÓRIO. Mons. Dr. José Basílio Pereira; 12ª edição / Salvador Bahia: Editora Mensageiro da fé Ltda., 1955.

SIMMA, MARIA. Maria Simma e as almas do Purgatório. Editor, João Jorge Albano; Curitiba: Editora Correio da Paz, 1998. 


Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9) 






OFÍCIO DAS BENDITAS ALMAS DO PURGATÓRIO


MATINAS
1- Abrirei meus lábios
Em tristes assuntos,
Para sufragar
Aos fiéis defuntos.

2 – Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

3- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

4- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amem.

Hino
1- Deus vos salve, Cristo
Em vossa paixão,
Redentor das almas
Dos filhos de Adão.

2- Por tal benefício,
Público e notório,
Socorrei as almas
Lá do Purgatório.

3- Não entreis com elas,
Senhor, em juízo,
Para que não tenham
Total prejuízo;

4- Porque na presença
Do Crucificado,
Nenhum dos viventes
É justificado.

5- Pelo sacrifício
Da sagrada Missa,
Não useis com elas
Da vossa justiça.

6- Com as tristes almas,
Meu senhor, usai
Das misericórdias
De Deus, vosso Pai.

7- Vós sois o Cordeiro
Todo ensanguentado;
Para o bem das almas
Tão sacrificado.

8- Supra vosso Sangue,
Precioso e santo,
O dever das almas
Que padecem tanto.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz
Para os que dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos méritos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces, para que livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

PRIMA
1- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

2- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

3- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, excelso
Senhor, compassivo,
Das almas que penam
Entre o fogo vivo.

2-Segundo batismo
Lhe dai, Senhor,
Batismo de fogo
Purificador.

3- Como em Babilônia
Os três inocentes,
Só de vós se lembram
Nas chamas ardentes.

4- Só a vossa clemência
As pode remir
Do fogo que arde
Sem as consumir.

5- Fogo que formastes
Com tais predicados
Para expiação
Dos nossos pecados.

6- Muito mais ativo
Que o calor do sol,
Pior que uma frágua,
Que um vivo crisol.

7- Supra o vosso Sangue
Que é tão meritório
O dever das almas
Lá do Purgatório.

8- Aplacai as chamas
Também o calor,
Daquele tremendo
Fogo expiador.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz,
Para os que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelos quais fazemos estas preces, para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

TERCIA
1- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

2- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

3- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, Pai
De misericórdia,
Onde resplandece
A paz e a concórdia.

2- Por tal excelência
Que em vós adoramos,
Socorrei as almas,
Por quem suplicamos.

3- Tão aferrolhadas,
Como Manassés,
Mover não podem
Suas mãos nem os pés.

4- Privadas de verem
Ao grande Adonai,
Seu eterno Rei,
Seu divino Pai.

5- Mais penalizadas
Do que Absalão,
Por já não gozarem
De Deus a visão.

6- Como o Santo Job,
Tão amargamente
Lágrimas derramam
Para Deus somente.

7- Qual o Rei Profeta
Seus olhos aflitos
Estão já enfermos
Por falta de espírito.

8- Médico divino
Só vossa virtude
Pode dar às almas
Eterna Saúde.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz,
Para os que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos méritos infinitos do vosso Unigênito Filho e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelos quais fazemos estas preces, para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

SEXTA
1- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

2- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

3- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, nosso
Divino Mecenas,
Protetor das almas
Que estão entre penas.

2- Vós sois nosso Irmão
Pela humanidade,
Nosso advogado
Com a Divindade.

3- Derramai mil graças
Dessas vossas mãos,
Sobre aquelas almas
Dos nossos irmãos.

4- Obrai, pois, com elas,
Já com brevidade,
Um rasgo estupendo
Da vossa bondade.

5- Apressai as horas,
Chegai o momento
De finalizarem
Seus grandes tormentos.

6- Não vos recordeis
Dos tempos passados,
Quando cometeram
Seus grandes pecados.

7- Supra Vosso Sangue,
Tão satisfatório,
O dever das almas
Lá no Purgatório.

8- Acabai as vossas
Correções fraternas,
Para que já gozem
Delícias eternas.

9- Peçamos a Deus
A terna luz,
Para as que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos méritos infinitos do vosso Unigênito Filho e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelos quais fazemos estas preces, para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

NOA
1- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do logo profundo.

2- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

3- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, Cristo,
Pastor piedoso
Das almas benditas
Do lago penoso.

2- Libertai as almas
Pastor sempiterno,
Daquele lugar
Junto do inferno.

3- Qualquer dessas almas,
Que pena terá!
Porque no inferno
Quem vos louvará?

4- Nesta tristes almas,
Senhor, acabai
Os justos castigos
De Deus, vosso Pai.

5- Supra vosso Sangue,
Tão satisfatório,
O dever das almas
Lá no Purgatório.

6- Quebrai, meu Jesus,
Poderoso e forte,
Aquelas prisões
Dos laços da morte.

7- Seja o vosso braço
O libertador
Das almas que penam
Em tanto rigor.

8- Por vós finalize,
Jesus soberano,
Nessas tristes almas
A pena do dano.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz,
Para os que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria…

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos merecimentos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelas quais fazemos estas preces, para que livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

VÉSPERAS
1- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

2- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

3- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, Filho
Do Onipotente,
Com as tristes almas
Sempre tão clemente.

2- Tende compaixão
Dessas tristes almas,
Que estão padecendo
Rigorosas calmas.

3- Bem como as securas
Do rico avarento,
Padecem as almas
Outro igual tormento.

4- Assim como os servos
Dos vales e montes
Quando sequiosos
Procuram as fontes.

5- Assim mesmo as almas,
Querem excessivas
Só a vós, meu Deus,
Fonte d'aguas viva.

6- Mandai-lhes, propício,
As águas da graça,
Para melhorarem
Daquela desgraça.

7- O perdão das almas,
Senhor, alcançai,
Das misericórdias
De Deus, vosso Pai.

8- Vosso Sangue seja
Propiciatório
De Deus, para as almas
Lá do Purgatório.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz,
Para os que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos méritos infinitos do vosso Unigênito Filho e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelos quais fazemos estas preces, para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

COMPLETAS
1- Converta-nos Deus
A nós todos juntos,
Para sufragarmos
Aos fiéis defuntos.

2- Sede em meu favor,
Salvador do mundo,
E das almas santas
Do lago profundo.

3- Nós vos pedimos
Pronta salvação,
Preferindo aquelas
Da nossa intenção.

4- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Elas já descansem
Para sempre. Amém.

HINO
1- Deus vos salve, esposo
Das almas fiéis,
Que estão padecendo
Tormentos cruéis.

2- Olhai compassivo
Para as fadigas
Dessas que não são
Vossas inimigas,

3- Mesmo assim vos amam
Em tal padecer,
Sem aqueles toques
Do doce prazer.

4- Como as virgens loucas
Foram imprudentes,
Perdoai as suas
Ações negligentes.

5- Celebrai depressa
As núpcias eternas,
Com aquelas almas
Humildes e ternas.

6- Conduzí-as logo
A feliz herança
Da vossa suprema
Bem-aventurança.

7- Transportai-as já,
Sem mais dilação,
Para os tabernáculos
Da Santa Sião.

8- Por vós, gozem elas,
Sem maior detença,
Os doces efeitos
Da vossa presença.

9- Peçamos a Deus
A eterna luz
Para os que já dormem
Em Cristo Jesus.

10- Ouvi, meu bom Deus,
O deprecatório
Em favor das almas
Lá do Purgatório.

Pai Nosso e Ave Maria...

Oremos
Onipotente e misericordioso Deus e Senhor nosso, supremo dominador dos vivos e dos mortos, pelos méritos infinitos do vosso Unigênito Filho, e também pelos grandes merecimentos da sempre Virgem Maria, sua Mãe, e por todos os merecimentos dos bem-aventurados, concedei propício o perdão das penas que merecem as almas dos fiéis defuntos, pelos quais fazemos estas preces, para que, livres do Purgatório, vão gozar da eterna glória, por todos os séculos dos séculos. Amém.

OFERECIMENTO
1- Nós vos oferecemos,
Ó bom Deus propício,
Pelas tristes almas
Este breve ofício.

2- Vós, que sabeis tudo
Quanto nós pensamos,
Bem sabeis que almas
Hoje sufragamos.

3- Participem todas,
Por vossa bondade,
Conforme a justiça
E a caridade.

4- Para que por vós,
Jesus, sumo Bem,
Em paz já descansem
Para sempre. Amém.

                           Fim

- Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso a todas as almas, entre os esplenderes da Luz Perpétua. Descansem em paz. Amém. 



quinta-feira, 7 de maio de 2020

COVID-19 UM CONVITE A OLHARMOS PARA DENTRO DE NÓS

Após a pandemia do covid-19 o mundo não será mais o mesmo. 

Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 06 de maio de 2020

Aquele que durante ou após a pandemia do covid-19 não se solidarizar diante de tantas perdas e sofrimentos do seu semelhante, continuando na sua vida de antes e não mudar de pensamento tornando-se insensível, este pode ser qualquer coisa, menos um ser humano. Creio que após todo esse mal, o mundo será outro, e muitas coisas serão renovadas e vistas com mais clareza do que antes. Portanto, não deixemos passar essa oportunidade. (Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B)

Diante dessa situação difícil que o mundo está passando nestes meses de pandemia do covid-19 (coronavírus), ouço muitos dizerem que esse mal é um castigo de Deus. Não é, e jamais seria! Porque o bom Deus não castiga os seus filhos desse modo matando-os em massa como um Deus vingador, irado contra o seu povo. Deus é puro amor e misericórdia! Assim nos mostra São João em seu Evangelho “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; quem não crê já está julgado, porque não creu no nome do Filho único de Deus” (Jo 3,16-18). No entanto, ele pode permitir certos acontecimentos na nossa vida e na natureza para nos ensinar certas coisas que não percebemos de imediato devido a nossa deficiência em entender a sua vontade, semelhante aos nossos pais em relação à nossa educação. É bem comum que na hora da correção, devido a nossa fraqueza e medo, que não percebamos o grande bem futuro que receberemos se agirmos conforme a vontade de quem nos corrige. Por isso, nestes dias de pandemia e de muitos sofrimentos, precisamos mais urgentemente pararmos e pensarmos com mais nitidez em nossa vida e na do próximo, tentando ajudá-lo conforme as nossas forças e possibilidades. Seja essa ajuda espiritual ou material. Nestes dias as pessoas estão precisando mais que nunca de conselhos, por ficarem recolhidas em suas residências, o que era muito difícil de acontecer em momentos aparentemente calmos, antes desse terrível mal nos atingir e por esta razão, estão se encontrando consigo mesmos, sendo que muitos não estão sabendo lhe dar com essa situação, ou seja, do encontrar-se consigo mesmo. Estão desenvolvendo vários e grandes problemas psicológicos, talvez por não terem dado tanta importância a esse viés tão necessário da vida humana e trabalhado esse lado do “só consigo mesmo”, como sempre nos ensinaram os antigos. Esse “só consigo mesmo” de imediato parece coisa não necessária à vida ou até egoísmo, mas isso é extremamente necessário para nos conhecermos e ajudarmos o próximo. Porque se eu não me conheço ou não me aceito, como posso conhecer e aceitar o outro! Daí a necessidade do entrar em si para descobrir novas formas de ajuda. Um dos males hodierno da humanidade é o não parar um pouco para descansar e se reabastecer. Quem muito corre, logo cansa.

Sim, tenho a plena nitidez dos grandes problemas sociais que todos nós enfrentamos no nosso país. O descaso com a saúde pública e bem pior, a crise política e democrática que está bem à nossa frente. O que é mais triste é sabermos que nem todos têm o direito de se proteger no isolamento domiciliar solicitado pelos líderes políticos e religiosos, devido à grande pobreza, não tendo estes um lugar digno para habitarem. Pensemos naqueles que vivem morando nas ruas praticamente abandonados ao seu próprio destino. Os que vivem amontoados em lugares minúsculos, sobrevivendo em cubículos insalubre, indignos dum ser humano nas periferias das cidades ou mesmo em seus centros, sem as mínimas condições de autoproteção e sem saneamento básico. Vivemos numa complexidade enorme diante dessa quarentena. Sabemos que estes problemas são uma cadeia de acontecimentos que estão em vertigem no nosso país, bem como em outros países, a saber: as crises social, sanitária e ambiental. Se não houver um engajamento emergencial mais perene nestes setores, viveremos eternamente nesse caos. A vida deve ser promovida porque ela é o grande dom de Deus para nós.

Porém, muitos enganam-se em querer ajudar nesses problemas citados, pensando que a crítica resolve coisas. A primeira coisa a qual devemos pensar é que não precisamos viver nos atacando, criticando instituições e setores, pois isso é tolice e pura arrogância; o que devemos fazer é procurar meios de ajudar no que pudermos fazer. Se cada um fizesse a sua parte o nosso mundo seria bem melhor. Devemos fazer um esforço coletivo de solidariedade para com todos. Com isso, sim, salvaremos muitas vidas e o mundo terá um novo rosto.

Para aqueles que tem fé em Deus, estes tem os olhos na esperança mesmo diante das perdas, da pobreza, diante desse mal que afeta o mundo todo, e dos muitos outros sofrimentos que suportamos. Saibamos todos que após o maior sofrimento vem também a maior alegria pela vitória. Quem experimenta a dor torna-se um forte guerreiro como nos ensina São Tiago na sua Epístola: “Bem-aventurado o homem que suporta com paciência a provação! Porque uma vez provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1,12). E ainda o mesmo Apóstolo nos encoraja a suplicar a confiança dizendo: “Se alguém dentre vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a concede generosamente a todos, sem recriminações, e ela ser-lhe-á dada, contanto que peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é semelhante às ondas do mar, impelidas e agitadas pelo vento. Não pense tal pessoa que receberá alguma coisa do Senhor, dúbio e inconstante como é em tudo que faz” (Tg 1,5). A fé, a esperança, a confiança e a perseverança nos bons atos salvarão o mundo. Cito aqui também um pensamento da serva de Deus Elisabeth Leseur, que nos diz: “Por conseguinte “nada” é indiferente a nossa vida moral; o mais pequeno dever descuidado tem consequências que não suspeitamos” (LESEUR, 1958). Ou seja, devemos está sempre alerta em relação a nossa ação, seja ela moral ou espiritual. Ela prossegue no seu ensinamento: “Por isso é preciso dispor a nossa vida de tal forma, que nem um dever, grande ou pequeno, seja sacrificado; e, sem desprezar o fim almejado, pôr logo mãos à obra para atingi-lo. E continua: “O importante não é conseguir imediatamente, mas começar e continuar” (LESEUR, Elisabeth. A vida espiritual – Pequenos  tratados de vida interior, 1958, p. 176-177).

Sabemos que na história da humanidade em tempos antigos e modernos epidemias ceifaram muitas vidas deixando um rastro de destruição na vida de muitos e no meio ambiente. Não desistamos da esperança! O desespero só nos leva à irracionalidade e à desordem. Pensemos bem que um pouco de silêncio e recolhimento fará muito bem a todos. “As agitações, amarguras, tudo o que vem de fora ou de nosso ser sensível, acalmam-se logo, quando fazemos um pouco de silêncio em nós mesmos e retomamos fôlego junto de Deus” (LESEUR, Elisabeth. Jornal e pensamentos de cada dia. RJ, 1954, p. 242).

Em relação à pandemia que estamos passando, sejamos muito cautelosos no que lemos, ouvimos e partilhamos em nossas redes sociais, bem como devemos nos portar diante de tão grande mal. E que a insensibilidade não encontre lugar algum em nosso coração. Sejamos solidários. Não poderia deixar de citar aqui esta bela exortação da Epístola de São Tiago que nos esclarece de forma iluminada pelo Espírito Santo, palavras acertadas para o presente momento de dor e muito medo que a humanidade atravessa. Cuidemos de ajudar as pessoas e não espalhar mais medo e pânico. Apoiemo-nos nas palavras inspiradas do Apóstolo São Tiago que nos ensina contra a intemperança da língua pela qual podemos fazer grandes coisas, boas e más. Escutemos o Apóstolo: “Irmãos, não queirais todos ser mestres, pois sabeis que estamos sujeitos a mais severo julgamento, porque todos tropeçamos frequentemente. Aquele que não peca no falar é realmente um homem perfeito, capaz de refrear todo o corpo. Quando pomos freio na boca dos cavalos, a fim de que nos obedeçam, conseguimos dirigir todo o seu corpo. Notai que também os navios, por maiores que sejam, e impelidos por ventos impetuosos, são, entretanto, conduzidos por um pequeno leme para onde quer que a vontade do timoneiro os dirija. Assim também a língua, embora seja pequeno membro do corpo, se jacta de grandes feitos! Notai como pequeno fogo incendeia a floresta imensa. Ora, também a língua é fogo. Como o mundo do mal, a língua é posta entre os nossos membros maculando o corpo inteiro e pondo em chamas o ciclo da criação, inflamada como é pela geena. Com efeito, toda espécie de feras, de aves, de répteis e de animais marinhos é domada e tem sido domada pela espécie humana. Mas a língua, ninguém consegue domá-la: é mal irrequieto e está cheia de veneno mortífero. Com ela bendizemos ao Senhor, nosso Pai, e com ela maldizemos os homens feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca provêm bênção e maldição. Ora, tal não deve acontecer, meus irmãos. Porventura uma fonte jorra, pelo mesmo olheiro, água doce e água salobra? Porventura, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira produzir figos? Assim, a fonte de água salgada não pode produzir água doce” (Tg 3, 1-12).

Pois bem, deixo a todos esta pequena reflexão diante dos grandes acontecimentos em nosso mundo tão sofrido por guerras e outros tantos meios de destruição. Aqueles que não podem ajudar materialmente, ajudem com suas orações. Todos movendo-se para a paz, ela virá sem dúvida! Para cada um peço a proteção de Deus, da Santíssima Virgem Maria dos Anjos e Santos. Tenhamos força e coragem e o mundo se renovará. 


INTERCESSÃO A NOSSA SENHORA DA GRAÇA CONTRA O CORONAVÍRUS

  Ó Santíssima Virgem da Graça, prostrado diante de ti imploro pelos vossos méritos e pelo grande poder que possuis diante de Deus – Todo Poderoso, por teres trazido no vosso sagrado seio o seu Filho Jesus Cristo, que é a Graça, a proteção para nós e a cura daqueles que foram atingidos pelo mal do coronavírus e outros males. Livrai o nosso Estado da Bahia de tão grande mal, o nosso país e toda a humanidade. Assim vos peço com fé. Por Cristo Senhor Nosso. Amém. 


Composição
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B 
Salvador, 17 de março de 2020. 


CONSCIENTIZAÇÃO CONTRA O COVID-19 
(coronavírus) 
Arquiabadia de São Sebastião da Bahia 
Dom Arquiabade Emanuel d'Áble do Amaral, O.S.B  
Abade do Mosteiro de São Bento da Bahia - Salvador, Bahia - Brasil 
Dia 25 de março de 2020


Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)


terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

BIOGRAFIA DE SANTA WALBURGA, O.S.B, (710-779), ABADESSA




Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
(Monge Beneditino)
Salvador, Bahia – 25 de fevereiro de 2020

DADOS BIOGRÁFICOS:

- NASCIMENTO: Em Devon, Reino Unido, Inglaterra, no castelo de Dorsertshire. 

- PAIS: Rei São Ricardo de Pilgrim, Wiana ou Wuna de Wessex.

- IRMÃOS: São Willibaldo (701-781), bispo, morreu aos 80 anos.
São Winibaldo (704-761), Abade.

- FALECIMENTO: No ano de 779 em Heidenheim, Alemanha.


VIDA DE SANTA WALBURGA, O.S.B, (710-779), ABADESSA

No martirológio romano sua memória é celebrada no dia 25 de fevereiro
No martirológio Galicano sua memória é celebrada no dia 02 de maio

SANTA WALBURGA, O.S.B, (710-779) foi uma grande Abadessa beneditina que viveu no século VIII e não é uma santa popularmente conhecida pelo menos em nosso Brasil. Vemos o seu nome ainda invocado em nossos mosteiros da Ordem de São Bento no nosso país. No entanto, na Europa ela é muito conhecida e venerada por causa dos seus importantes trabalhos missionários e seus muitos milagres que realizou ainda quando vivia e bem mais após a sua santa morte, ocorrida no ano de 779. A sua vida está intimamente ligada à de outra grande Abadessa também beneditina a sua prima Santa Líoba, OSB, (700-779), outra mulher extraordinária na evangelização da Germânia. Santa Líoba também era prima de São Bonifácio, O.S.B (672-754), bispo e mártir. Santa Walburga e Santa Líoba possuíam o mesmo intuito missionário e por isso rumaram para a Germânia no desejo de levar a Deus a outros povos. Santa Walburga é mais popularmente conhecida em relação a Santa Líoba.

Ao consultarmos o Martirológio Romano-Monástico, assim está escrito sobre Santa Walburga: Em Heidenheim, no século VIII, Santa Walburga, abadessa. Filha de São Ricardo, rei da Inglaterra, foi enviada para a Germânia a pedido de São Bonifácio, para dirigir um mosteiro fundado por seus próprios irmãos. É padroeira de várias cidades da Bélgica, notadamente Bruges e Ypres. (M). (Martirológio Romano-Monástico).

Santa Walburga nasceu em Devon, Reino Unido, Inglaterra, no castelo de Dorsertshire. Seu nome em grego “Eucheria” significa “graciosa”. Seu irmão São Winibaldo (704) pelo amor que possuía lhe ensinava o caminha da perfeição ajudando-a a entregar inteiramente o seu doce coração a Deus e a estimar e cumprir a santa vontade do Senhor.

A jovem princesa Walburga carregava no seu coração o desejo de se entregar a Deus. E, tendo ela comunicando esse desejo ao seu pai, o piedoso rei Ricardo, o qual ciente da alegria da filhinha, imediatamente conduz a menina para ser entregue aos cuidados da Abadessa Santa Cuthberga, no mosteiro de Wimbourne. Cuthberga era a esposa do rei Alfredo, que tinha se tornado monja no mosteiro em Barking e depois esta foi a primeira Abadessa da Abadia de Wimbourne fundada por seu irmão o rei Ina. Santa Cuthberga deixando tudo e com a licença do seu marido o rei Alfredo tinha ingressado no mosteiro de Barking onde “viveu alguns anos em completa sujeição, verdadeiro modelo para todos na regularidade e disciplina”. Certamente o rei ficou feliz por ver sua filha consagrar-se a Deus, mas também triste por não mais ter nenhum contato com ela. Nesse período do monasticismo era muito rigorosa as regras nos mosteiros. “A austeridade da disciplina primitiva existia em pleno vigor. Os padres eram obrigados a sair da igreja imediatamente depois da celebração da Santa Missa, os próprios bispos não podiam entrar no mosteiro e a Abadessa, para comunicar-se com o mundo exterior, e dar ordem aos seus súditos temporais ou espirituais, somente o fazia através de uma pequena grade de ferro” (A vida de Santa Walburga, p. 10).

Podemos ver na sua biografia que: “Foi a tão formidável lugar que o Rei Ricardo conduziu a sua filhinha e, depois de abraçar e contemplar com ternura, pela última vez, o meigo e puro semblante da pequenina, entregou-a ao cuidado da Abadessa e partiu para jamais voltar. Fecharam-se as portas da clausura sobre Walburga e por vinte e seis anos não devia ela transpô-la” (A vida de Santa Walburga, p. 10).

No claustro do mosteiro ela foi muito bem educada pela grande Abadessa Cuthberga. “A nova vida da princesa inglesa deve, indubitavelmente, ter-lhe parecido estranha depois da plena liberdade que gozava em casa com o pai e irmão. Era porém inteligente e entregou-se aos estudo, sendo seus talentos bem aproveitados pela cuidadosa Abadessa, que velava para que recebesse sólida instrução e se aperfeiçoasse nas prendas condignas à sua posição” (A vida de santa Walburga, p. 10). E, esse cuidado da Abadessa não era somente sobre Walburga, mas também em relação ao sua comunidade, pois sabemos que nesse período o mosteiro de Wimbourne era bastante conhecido pelos seus trabalhos intelectuais. São Bonifácio, Santo Aldelmo e outros se dirigiam a elas pedindo tarefas. Pois as monjas “escreviam fluentemente o latim e o grego e a facilidade com que citavam os clássicos, prova que lhes eram familiares. Era notáveis, também, as suas iluminuras elaboradas e as transcrições de Missas, Breviários e da Sagrada Escritura [...]. Primavam ainda numa espécie de bordado, chamado trabalho inglês, tecido com fio de ouro e prata e encrustado com pedras preciosas” (A vida de santa Walburga, p. 10-11). Portanto, as monjas, viviam no trabalho, na oração, bem como no estudo. Coisas prescritas pela Regra beneditina.

O mosteiro de Wimbourne era muito próspero nesse período, em vocações, e por causa disso, Santa Walburga deve ter sofrido bastante por ser ela no seu castelo filha única com seus próprios mimos e agora vendo-se entre oitocentas monjas de todas as classes sociais. Aí não teria mais as regalias e os mimos do pai, dos irmãos, amas etc. Mas, “a sua natural meiguice, porém, de muito lhe serviu e aprendeu a suportar com paciência s fraquezas do próximo e a não somente seguir o que julgava proveitoso para si” (A vida de Santa Walburga, p. 12).

A quase um ano que Santa Walburga estava no mosteiro, chega-lhe a notícia da morte do seu querido e piedoso pai, o rei Ricardo, o qual foi sepultado na igreja de Lucca, Itália, ao lado do corpo de São Frigidiano. “e seu corpo ficou sendo veneradíssimo naquela cidade, pelos favores miraculosos obtidos por sua intercessão” (A vida de Santa Walburga, p. 12).

Passados vinte e seis anos na Abadia de Wimbourne e trinta de idade, Santa Walburga é convidada juntamente com sua prima Santa Líoba pelo bispo São Bonifácio para fundar um mosteiro em sua diocese na Germânia para mostrar às mulheres daquela nação o exemplo das virgens cristãs.

Na viagem da Inglaterra a Germânia houve um milagre pela intercessão da santa: “A viagem corria bem, o vento e o tempo favoráveis, mas de repente se levanta tremenda tempestade e o navio acha-se em perigo iminente. Os marinheiros atiram precipitadamente a carga ao mar, e, tudo que amorosas mãos haviam preparado para as monjas, lá se vai servir de alimento aos peixes, o que porém, era preferível a serem sepultadas no mar. A marinhagem estavam deveras atemorizada e as monjas participaram do alarme geral. Somente Walburga permanecia tranquila, à vista disso as irmãs pedem-lhe que ore pelo seu salvamento, Walburga ajoelha-se no tombadilho e implora a Deus com os braços em cruz que lhe atenda a súplica; em seguida levantando-se implora ao vento e às ondas e sobrevêm repentina calma, a grande admiração de todo. As monjas desembarcaram sãs e salvas em Antuérpia, onde os marinheiros espalharam por toda parte o milagre operado no mar, de sorte que Walburga era considerada maravilhosa e tanto ela como suas companheiras foram mui hospitaleiramente recebidas pelo povo da cidade” (A vida de Santa Walburga, p. 15).

Ao chegar Santa Walburga e suas companheiras a Germânia, depois de uma longa e perigosa viagem, encontraram à sua espera São Bonifácio, bispo e São Willibaldo, bispo, seu querido irmão. É de imaginar a grande alegria desse encontro entre eles. Também a expectativa da evangelização das almas que esperavam salvar nesse país.

 Em Heidenheim (morada dos pagãos) onde seria o construído o seu mosteiro, este ainda não estava pronto e, por isso, foram enviadas para outro convento em Turíngia à espera do termino da construção em Heidenheim. Ficando esse tempo sob o governo do seu irmão São Winibaldo, Abade que ali já havia se instalado com seus monges e dirigia as obras do futuro mosteiro. No ano de 752 estando o mosteiro bem adiantado em obra, São Winibaldo veio à Turíngia buscar a sua irmã Walburga e as outras monjas que lhe deviam ajudar nas primeiras dificuldades da nova fundação. “A providência de Deus, mais uma vez, unia o irmão e a irmã, e por dez anos Walburga devia fruir o auxílio de sua sábia e forte direção. [...] Vivera até aí na submissão e dependência, e sem Winibaldo, talvez não tivesse suportado o peso do governo. Deus todavia em Sua bondade, deixou-lhe o auxílio do irmão até que, pela experiência adquirida, pudesse ficar só; ...” (A vida de S. Walburga, p. 17).

Santa Walburga foi uma grande Abadessa e mulher de muitas virtudes. Uma verdadeira mãe para sua comunidade. Ouçamos as palavras do Breviário ao seu respeito: “Foi superiora do novo mosteiro de Heidenheim, onde praticou tão sublimes virtudes que todas viam nela o que podiam justamente admirar e com proveito imitar. Aliava a máxima doçura e prudência de maneiras, aos outros dotes que possuía por natureza e graça” (A vida de S. Walburga, p. 17). Possuía esta serva de Cristo o dom do conselho, da caridade, da mansidão para com todos sem nunca procurar suas próprias comodidades. Sempre estava a serviço da sua comunidade e de todos aqueles que iam ao mosteiro para se encher da sua sabedoria. Mortificava-se sempre com jejuns muito severos. Vivia em contínua oração e imersa na contemplação das coisas divinas e sem distrair-se nas coisas do seu governo abacial, cumpria suas tarefas com muito zelo e sincera devoção diante de Deus. Era um verdadeiro poço de virtudes. “Tornou-se verdadeiro exemplo das virtudes maternais e paternais, pois primava em todos os dotes de virgem prudente” (A vida de S. Walburga, p. 17).

Heidenheim tornou-se célebre e hospitaleira pelas suas virtudes e as de seu irmão Winibaldo. Em volta da Abadia os campos tornaram-se férteis pelos trabalhos dos monges e das monjas dando assim suporte a população necessitada. Eram eles verdadeiros administradores de Deus. “Enquanto os monges serviam aos homens, Walburga e sua monjas abriam as portas e os corações às pobres mulheres meio civilizadas, cujas almas eram ainda mais miseráveis do que os corpos” (A vida de S. Walburga, p. 18).

Os pobres e hóspedes eram servidos pessoalmente pela Abadessa que lhes lavava os pés e curava-lhes as feridas com suas próprias mãos; ensinando-lhes pelo exemplo mais do que por palavras as virtudes da caridade, da mansidão, da humildade que eles tanto necessitavam.

Em 761 devido uma viagem feita ao túmulo do seu amado mestre e tio São Bonifácio em Fulda, ficou bastante doente e voltando a Heidenheim caiu gravemente enfermo. Celebrava Missa na sua cela num altar preparado devido a sua doença, mas nem assim diminuíram as suas longas vigílias e jejuns. Quando se aproximava a morte avisou aos monges e obteve a consolação de ver os seus dois irmãos o bispo Willibaldo e Walburga. Finalmente o seu querido irmão Winibaldo morre no dia 18 de dezembro de 761. Um verdadeiro sacrifício para Walburga.

O corpo de Winibaldo foi sepultado na igreja que ele havia construído. O santo bispo Willibaldo celebrou os últimos ritos da igreja pelo irmão falecido, demorando-se ainda um pouco em Heidenheim, para assim organizar o novo governo do mosteiro. Os monges sabendo das grandes virtudes e prudência de Walburga e que era como seu Abade que falecera, eles se convenceram que ela devia reger o mosteiro do seu irmão, pois na Inglaterra podia uma Abadessa reger um mosteiro de monges. Apresentado esse assunto ao bispo este acolhe a petição dos monges. “Não foi, entretanto, sem extrema, repugnância e em obediência à ordem expressa que Walburga aceitou o governo dos monges ao mesmo tempo que o das monjas” (A vida de S. Walburga, p. 19). E, governou com muita prudência e satisfação dos monges e monjas os dois mosteiros.

Sabemos que na vida dos santos muitos milagres são narrados. Na existência de Santa Walburga grandes e maravilhosos milagres aconteceram em vida e após a sua morte.

Era costume na época o sacristão acender as luzes da igreja e do claustro logo que escurecesse. Certo dia, o sacristão por alguma razão não o fez. A Santa Abadessa vendo o mosteiro as escuras, foi pedir ao encarregado para fazer o que era de costume e, este, muito aborrecido, tratou-a grosseiramente, mas ela na sua humildade e mansidão para não exaltar os ânimos retirou-se às escuras para a sua cela sem nada lhes dizer. Quando de repente todo o mosteiro é iluminado por uma luz maravilhosa que vinha da cela da Santa. As irmãs que já repousavam, ao ver o clarão ficaram abismadas com aquela claridade e foram a cela da Abadessa para pedir-lhe uma explicação de tão grande mistério. Diante da pergunta Santa Walburga desata a chorar e exclama: “A Vós, meu Deus, que tenho servido desde a infância, dou infinita graças por este favor. Com essa luz celestial, Vós dignastes confortar vossa indigna serva, dissipando as trevas da noite com os raios da Vossa misericórdia, para animar estas minhas filhas a me serem fiéis, e esta graça me foi concedida, não por meus méritos, mas em atenção às orações de meu dedicado e santo irmão, que hoje reina convosco na glória” (A vida de S. Walburga, p. 21).

Um outro dia, pelo poder da oração, restabeleceu a vida de uma jovem que estava em agonia de morte. Tão forte era a fé de Santa Walburga em Deus. E tantos outros milagres que ela operou através da sua confiança e fé.

Já no final de sua existência na terra, “os poucos dias que ainda devia passar sobre a terra foram de uma vida mais angélica do que humana. Frequentemente era encontrada em êxtase ajoelhada e absorta em seu oratório” (A vida de S. Walburga, p. 23). E, para ainda mais a cumular de graças esta serva, Deus lhe concede mais milagres por sua fidelidade e grandes sacrifícios. Em relação a isso, vemos um outro fato bastante interessante que ocorreu em seu funeral. “Imediatamente, depois da morte da santa, quis Deus glorifica-la, rodeando o seu corpo com uma auréola de luz que o fazia já parecer está revestido de imortalidade e ao mesmo tempo dele exalava tão suave perfume que enchia a igreja e o mosteiro, testemunhando a virgindade sem mancha e a pureza do seu corpo imaculado, no qual o pecado não havia semeado o germe da decomposição” (A vida de S. Walburga, p. 24).

O seu irmão bispo São Willibaldo teve o privilégio de assistir os derradeiros momentos da sua querida irmã a qual recebeu de suas mãos os Sacramentos e este teve a alegria de sepultá-la ao lado de São Winibaldo. O santo bispo ainda viveu alguns anos até depois dos oitenta anos e quando sentiu que estava terminadas as suas tarefas no santo serviço de Deus, avisou aos irmãos que se aproximava o tempo de sua partida para Deus. No dia de sua morte celebrou a Missa e distribuiu a Santa Comunhão ao seu rebanho. “Morreu, e foi enterrado com as honras devidas aos seus grandes trabalhos de apóstolo e bispo, na sua igreja catedral de Eischstädt a 7 de julho de 781” (A vida de S. Walburga, p. 24).

Após a morte de Santa Walburga a sua devoção foi diminuindo gradualmente e seu túmulo ficou descuidado. Mais ou menos no ano de 870, o bispo de Eischstädt, Otkar, resolveu fazer o restauro da igreja e do mosteiro de Heidenheim que se encontravam bastante deteriorados. Os operários não sabiam quase nada da santa e para desempenho dos seus trabalhos, passavam sobre o seu túmulo sem lhe dar o devido respeito. Certa noite quando o bispo dormia, foi acordado pela santa que estava ao lado do seu leito, e o repreendeu pelo descuido que deixava as suas relíquias a qual estava sendo pisadas e desrespeitadas por todos; e lhe disse que teria um sinal para ele saber que não era apenas um sonho. E, no dia seguinte, realmente houve o sinal. Vieram lhe dizer que a noite o murro do lado norte da torre da igreja de Heidenheim desabara. O bispo ficou muito impressionado com o ocorrido. Por isso, “Partiu, para Heidenheim seguido por numerosos padres e pelo povo e exumou com todas as honras o corpo da Santa que não somente foi encontrado incorrupto, mas coberto por maravilhoso fluido qual puríssimo óleo”. (A vida de S. Walburga, p. 25). Por isso, o corpo de Santa Walburga foi transladado para a catedral de Eischstädt e posto em lugar temporário. No ano de 893, o bispo Erchanboldo o sucessor de Otkar colocou suas relíquias no altar-mor da igreja e a ela dedicou. “Ao levantar o corpo reproduziu-se o mesmo fenômeno extraordinário, e o biógrafo da Santa, testemunha ocular, conta-nos que não havia poeira ou impureza que pudesse macular o maná ou óleo que destilava o cadáver. O óleo tem continuado, em certos tempos, a correr do seu túmulo gota por gota [...]. Geralmente o fenômeno ocorre desde o dia 12 de outubro, data de sua transladação, até 15 de fevereiro, dia de sua festa; também quando a Santa Missa é dita sobre as suas relíquias” (A vida de S. Walburga, p. 25). Esse óleo é distribuído em todo mundo e faz ainda hoje, muitos milagres por intercessão da Santa. Interessante, nesse líquido milagroso “é que se for tratado com desrespeito quase sempre evapora, e uma vez que Eischstädt se achava sob intervenção, óleo cessou decorrer. Também sendo-lhe retirado o recipiente, cristaliza-se e permanece suspenso até que de novo seja colocado” (A vida de S. Walburga, p. 26). Portanto, “O óleo milagroso que continua a correr de suas relíquias, operando maravilhas em nossos próprios dias, prova quanto é preciosa a santa aos olhos de Deus e poderosa a sua intercessão” (A vida de santa Walburga, p. 5).

Que possamos sempre nos momentos de dificuldades invocar a intercessão de Santa Walburga, que tanto socorreu os desvalidos nas suas enfermidades espirituais e corporais. Ela foi para nós um exemplo admirável de entrega total ao serviço de Deus e do próximo.

Rogai por nós, Santa Walburga. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
  

ORAÇÃO À SANTA WALBURGA, O.S.B, (710-779), ABADESSA

Ó Deus todo-poderoso, que destes a vossa serva Santa Walburga, a graça de curar as feridas do corpo e da alma de todos aqueles que sofrem e que com fé pura e ardente pediram a sua poderosa intercessão e foram atendidos. Concedei, a nós que com a mesma fé invocamos o seu socorro, a graça de.... (Pedir a graça). Se assim for conforme a sua santa vontade. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Composição:
Dom Gilvan Francisco dos Santos, O.S.B
Salvador, Bahia - 24 de fevereiro de 2020 





REFERÊNCIAS

A VIDA DE SANTA WALBURGA. [Traduzido do inglês e publicado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Maria em São Paulo]. – São Paulo: Editora Franciscana. –  

MARTIROLÓGIO ROMANO-MONÁSTICO. Abadia de São Pierre de Solesmes / traduzido e adaptado para o Brasil pelos monges do Mosteiro da Ressurreição / Ponta Grossa, PR - Mosteiro da Ressurreição, edições, 1997.
  
Ut In Omnibus Glorificetur Deus (RB 57, 9)